PARQUE NACIONAL AMAZÔNIA

1ª PARTE

2ª PARTE

3ª PARTE

 

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

 

QUANDO IR: 

Prefira ir na época em que as chuvas estiverem parando, pois desta forma aparecem mais praias e é possível avistar mais animais selvagens, ou seja, no início do inverno.

 

O QUE LEVAR:

Leve a autorização concedida pelo ICMBio e avise o chefe do PARNA pelo menos 15 dias antes de sua ida. Além disso, leve uma boa barraca, almofada ou colchonete inflável para dormir, cobertor fino (na Amazônia há a possibilidade de fazer noites frias), capa contra chuva, uma boa bota de cano longo (as de borracha espessa protegem tanto de picadas de cobras quanto de se molhar ao atravessar charcos e pântanos), meião ou meias especiais, esparadrapo e algodão, copo e talheres dobráveis, repelente, protetor solar, boné, óculos de sol, roupas de uso pessoal (prefira as de nylon ou de material leve), um bom GPS com as coordenadas já marcadas, power bank (carregador para aparelhos eletrônicos), lanterna de testa, aparelhos eletrônicos pessoais, barras de cereal, bananas desidratadas, uma ou outra bebida energética, hipoclorito de sódio para pôr na água de rios suspeitos, produtos de higiene pessoal, etc.

A água pode ser levada em garrafões de 20 litros.

Leve um tênis daqueles a prova d’água para ficar na voadeira e ao descer nas ilhas de areia.

Leve um Específico Pessoa para amenizar eventuais picadas de animais peçonhentos para as primeiras horas.

 

COMO CHEGAR:

De avião comercial para Santarém-PA e de lá alugar um carro ou ir de ônibus para Itaituba-PA. De Itaituba-PA pega-se a transamazônica novamente rumo à Jacareacanga-PA.

           

CIDADES DE APOIO:

Itaituba-PA é sem dúvida a base para a visitação ao PARNA Amazônia e pode-se acampar depois no mirante do Uruá dentro do PARNA ou nas vilas Buburés-PA e Pimental-PA. A diferença é que em Itaituba-PA existem hotéis e pousadas e estrutura razoável para a estada, porém, fica mais longe do PARNA do que as vilas citadas anteriormente, as quais estão nas bordas do PARNA. A base do mirante Uruá tem menos recursos ainda, mas você estará dentro do PARNA e terá muito mais oportunidades de avistar animais selvagens e as belezas naturais da região. É preciso pegar autorização antes e combinar com o ICMBio.

 

ATRAÇÕES:

O rio Tapajós é o principal atrativo do PARNA com suas águas deliciosas, praias e corredeiras impressionantes. Há vários outros atrativos como a trilha da Capelinha, o igarapé Mambuaí e Tracoá, etc. A própria transamazônica também é uma atração à parte e à noite é possível avistar onças atravessando-a.

 

DICAS:

Cuidado ao tomar banho nas praias fluviais por causa das arraias e de outros bichos perigosos da bacia amazônica. Nos igarapés há sempre o risco de encontrar também a fauna fluvial amazônica e ainda mais os poraquês ou peixes-elétricos.

Tenha autorização do ICMBio para entrar no PARNA.

Nunca ande sozinho na mata e nem nos rios e lagos.

 

RISCOS:

Raios, ventanias, chuvas fortes, inundações, desmoronamentos, quedas de árvores, etc.

Animais peçonhentos, onças, arraias, jacarés-açus, entre outros animais selvagens.

Acidentes de forma geral, se perder, afogamentos, cortes, picadas, mordidas, insolações, desnutrições, estresses, insônias, intoxicações alimentares, adquirir vermes, doenças tropicais, etc.

 

DIÁRIOS:

O meu amigo ficou besta com a beleza do rio Tapajós. Pena que o mesmo sofre tanto com o impacto dos garimpos, mas pior ainda é o sofrimento de seus afluentes que conhecemos, como o Novo, o Inambé, o Crepori, o Jamanxim e o Tocantins. De manhã fui procurar um pneu aro 15 para a camioneta e finalmente consegui arruma-la. Depois fomos ao ICMBio para pegarmos as autorizações para ir conhecer o PARNA Amazônia. Lá mesmo consegui o contato de um guia experiente e combinamos tudo. Fizemos compras no mercado e partimos rumo ao PARNA pela transamazônica. Paramos nas corredeiras do Tracoá, onde começa o PARNA e tirei algumas fotos. Chegamos ao mirante do Uruá lá por volta das 15 horas. A vista dali do rio Tapajós e de algumas corredeiras é fabulosa. Ainda deu tempo de descermos um barranco de uns 100 metros de altura por uma estradinha até na praia, onde nos banhamos e vimos alguns tracajás, graveteiros e as corredeiras bem de perto. A beleza da água por ali é outro esquema. Depois ainda fomos armar as barracas no mirante. À noite caiu uma chuva de lascar com até granizo e por sorte nossas barracas ficaram bem distribuídas e protegidas em baixo do telhado do mirante. Uma espécie de saruê deu as caras por ali e ficou durante muito tempo observando nossas barracas. Havia também um besouro grande cheio de ovos.

Logo cedo o sol estava lindo visto do mirante. A transamazônica ficou cheia de lama, e com isso tudo se tornou um verdadeiro sabão. Tracei a camioneta fui bem devagar porque nas baixadas, pois existem grandes buracos nas laterais da estrada e qualquer vacilo ali pode ser fatal. Chegamos ao igarapé Mambuaí e por ali havia uma placa de advertência sobre a existência de poraquês ou peixes-elétricos. Caminhamos um pouco pelas suas margens e de repente vimos um poraquê. Continuamos pela transamazônica e chegamos ao início da trilha da Capelinha, a qual possui 27 km de distância dentro da floresta e é ideal para fotografias de aves. Vimos várias espécies de plantas e muita coisa interessante. Fiquei impressionado com uma árvore que tinha sua casca igual ao barro. Pelo menos três meses por ano há romarias até a capelinha, a qual foi construída por um seringueiro que fez uma promessa por ele ter conseguido voltar para a transamazônica ao ter se perdido durante vários dias. Vimos várias aves, formigas, tucandeiras, cacau, sororocas ou bananas-bravas, castanheiras, gameleiras, palmeiras, etc. No trecho das palmeiras, encontramos os Palhais, que são resquícios de cerâmicas tapajoaras dos índios pré-históricos. Por ali também há indícios de Terra Preta arqueológica, que possui matéria orgânica produzida por nativos antigos. O nosso guia levou um gravador que reproduziu o canto de diversos pássaros, e com isso outros apareceram para fotografarmos. Depois de muito caminhada e muito suor na floresta, voltamos. Voltamos para a transamazônica e paramos num igarapé cheio de buritizais. Vimos vários peixes, alguns patos-selvagens e ninhos de guaxos. Vi uma preguiça que atravessava lentamente a transamazônica e bem nessa hora estavam passando alguns motoqueiros e outros carros que pareciam que a iriam pegar para fazer não sei o que com a bichinha. Parei a camioneta com a intenção de resgata-la e todo mundo saiu fora. Creio que pensaram que eu era do ICMBio por causa da cor da minha camioneta. Peguei a lenta preguiça nas mãos e a deixei do outro lado da estrada como ela parecia estar querendo. Mais tarde, passamos por uma pontezinha de dois troncos bem estreita que mal cabia os pneus da camioneta, vimos uma caninana atravessar a transamazônica e ainda fomos nas vilas Rayol e na Buburés para tentarmos combinar um passeio de voadeira para amanhã. 

Já em outro dia, depois de perder duas horas desmontando as barracas, tomando café e ajeitando tudo fomos à vila Buburés para tentar arrumar um piloteiro para navegar no rio Tapajós e na borda dos ziguezagues do PARNA Amazônia. Por sorte havia um cara ali com um barco completo e conseguimos acertar tudo com ele. Partimos dali às 8h30 e fomos à vila Pimental para comprar combustível e óleo para o motor da voadeira e vimos alguns rabeteiros e canoeiros. Há um despreparo total por essas bandas para o turismo e tudo é de última hora. Até falei para vários piloteiros desta região para fazerem algumas placas escrevendo “Faz-se passeios de voadeira” e coloca-las nas estradas e nas rodovias das redondezas, mas parece não haver iniciativa por parte deles. Na vila Pimental vi o chão meio branco e achei estranho. Ao nos aproximarmos percebi que eram milhares ou milhões de “asas” de cupins que haviam caído deles à noite ao se chocarem com as lâmpadas daquela vila. Depois fomos rumo às corredeiras do Uruá, as quais vimos e ouvimos quando estávamos no mirante do PARNA. O rio Tapajós é maravilhoso e o esquema de beleza natural é outro por ali. Engraçado que este rio nasce com a junção do rio Juruena com o rio Teles Pires, mas para mim ele é a continuidade do rio Juruena, assim como é o Tocantins quando se encontra com o Araguaia no Bico do Papagaio em Tocantins. Enquanto tirávamos várias fotos do mirante lá na serra e das praias do PARNA o nosso piloteiro foi se aproximando das perigosas corredeiras e de repente o maluco as desceu dando um susto tremendo em nós. Caramba, que susto! Levamos um banho por causa das ondas. O cara nem avisou que iria descer as corredeiras, mas foi super emocionante. E pensar que depois terá a volta. Ainda bem que esse piloteiro nasceu e cresceu ali e é superexperiente. Fomos novamente naquela primeira praia que conhecemos quando chegamos no primeiro dia e depois o piloteiro foi beirando bem próximo toda a corredeira do Uruá com cerca de 1 km de largura, e com isso, sendo a maior cachoeira longitudinal do Brasil. Na volta foi mais emocionante ainda, pois subimos as corredeiras no trecho da Galdina. Fera e essas corredeiras do Uruá! Voltamos para a vila Buburés e partimos rumo a boca do rio Jamanxim. Foram uns 20 km subindo o maravilhoso rio Tapajós com suas ilhas de areia branca e fina. Mais para frente (subindo o rio Tapajós) havia um monte de areia feito pelas balsas. Um verdadeiro crime ambiental!

Ao chegarmos à foz do rio Jamanxim ficamos impressionados com a sua largura. Incrível essas grandiosidades da Amazônia! Lá atrás foi o rio Jamanxim que invadiu o Aruri. Aqui era o Tapajós que invadia o Jamanxim e em Santarém é o Amazonas que invade o Tapajós. Sem contar os outros rios menores e igarapés que para muitos de outros estados seriam rios grandes.

Passamos por algumas baías repletas de capivaras, de jacarés e de diversas aves. Numa outra ilha vi dois camaleões saíram correndo com as patas dianteiras levantadas e sobre a superfície da água. Nunca tinha visto aquilo e ainda bem que tirei boas fotos para provar o que estou falando. Havia uma relvinha bem verde na borda de uma lagoa que dava vontade de deitar ali um pouco e relaxar.

Vimos alguns corós-corós, jaçanãs e outras aves. Depois passamos por uma ilha de areia fina e impressionante, chamada ilha da Lorena, com 860 m de comprimento e 450 m de largura, medido tudo no GPS. Caminhamos por ela durante muito tempo e vimos vários ninhos com ovos e filhotes de trinta-réis gaivotas e agulhinhas. Nas bordas dessa ilha vimos lindas arraias onçadas e pintadas. Impressionante! Que maravilha!  Voltamos para vila Buburés e agradecemos o nosso passeio.

O brasileiro precisa conhecer melhor a Amazônia e o seu próprio país. É uma vergonha o brasileiro não fazer isso. Enquanto isso está cheio de gringos na Amazônia querendo roubar a solução de todos os nossos possíveis problemas no futuro. Inventam que a Amazônia é o “PULMÃO” do mundo, como se fosse só ela que cumprisse com esse papel e se esquecem de falar das florestas do Alaska, do Canadá, da Sibéria, da Indonésia, da África, entre outras. Talvez porque seja mais fácil tirar dos brasileiros, pois a nossa mídia só fica iludindo a maioria do povão com novelas, samba, carnaval e futebol, e transmite a mensagem de que a Amazônia deve continuar intocada e sem ninguém. Desta forma, penso que a perderemos no futuro, pois nossa soberania e ocupação nessa região ainda é pequena. Venha para cá brasileiro! Venha conhecer e defender o que é seu! Não entregue o que é seu para as ONGs internacionais. Venha descobrir sobre o que estou falando. Não se iluda com a mídia! Você vai ver que existe muita coisa errada por aí.

Depois fomos à Itaituba-PA, atravessamos o rio Tapajós de balsa e tive que dirigir até as 11 horas da noite para chegarmos à Rurópolis-PA. Hoje foi o último dia de passeios nos PARNAs dessa área do Pará.

Fiquei sabendo que há um caminho no norte e fora do PARNA que vai até Parintins-PA. Quem sabe um dia!

 

SUGESTÕES:

Poderia ter um bom alojamento dentro do PARNA para melhor receber os turistas e estudiosos, além de guias oriundos de Itaituba-PA, os quais deveriam estar sempre presentes em todas as partes do PARNA.

 

OBSERVAÇÃO:

As informações aqui contidas são meras experiências passadas por mim neste PARNA e em suas redondezas. Portanto, não me responsabilizo pelos riscos e problemas que possam acontecer e nem em garantir que tudo dará certo para propensos visitantes a este PARNA e as suas redondezas. Cabe a cada propenso visitante se responsabilizar pelas suas decisões e atitudes, procurando sempre um comportamento lícito e compatível com o local, com a fauna, com a flora e com as pessoas ali residentes e nativas. Além de que deverá seguir as regras do ICMBio, as regras de segurança e o uso adequado de seus equipamentos durante toda a visitação deste PARNA e de suas redondezas.