PARQUE NACIONAL ACARI

1ª PARTE

2ª PARTE

3ª PARTE

4ª PARTE

5ª PARTE

6ª PARTE

7ª PARTE

8ª PARTE

9ª PARTE

10ª PARTE

11ª PARTE

 

INFORMAÇÕES IMPORTANTES

 

QUANDO IR: 

Prefira ir quando as chuvas estiverem parando e os rios e igarapés começando a secar, pois desta forma ainda dará para navegar e começarão a aparecer as praias e ilhas, ou seja, entre julho e agosto.

 

O QUE LEVAR:

Leve a autorização concedida pelo ICMBio e avise o chefe do PARNA pelo menos 15 dias antes de sua ida. Além disso, leve uma boa barraca, almofada ou colchonete inflável para dormir, ou uma rede com mosquiteiro, cobertor fino (na Amazônia há a possibilidade de fazer noites frias), capa contra chuva. No caso de caminhar pela floresta leve uma boa bota de cano longo (as de borracha espessa protegem tanto de picadas de cobras quanto de se molhar ao atravessar charcos e pântanos), meião ou meias especiais, esparadrapo e algodão. Além de copo e talheres dobráveis, repelente, protetor solar, boné, óculos de sol, roupas de uso pessoal (prefira as de nylon ou de material leve), um bom GPS com as coordenadas já marcadas, power bank (carregador para aparelhos eletrônicos), lanterna de testa, aparelhos eletrônicos pessoais, barras de cereal, bananas desidratadas, uma ou outra bebida energética, hipoclorito de sódio para pôr na água de rios suspeitos, produtos de higiene pessoal, etc.

A água pode ser levada em garrafões de 20 litros no caso de ir de voadeira.

Leve um tênis daqueles a prova d’água ou chinelo mesmo para ficar na voadeira e ao descer nas ilhas de areia.

Leve um Específico Pessoa para amenizar eventuais picadas de animais peçonhentos para as primeiras horas.

 

COMO CHEGAR: 

De avião comercial ou de carro até Porto Velho-RO e de lá de carro ou de ônibus até a vila Sucunduri-AM pela Transamazônica ou BR-230. Na vila Sucunduri-AM pode-se contratar piloteiros com voadeiras para realizar a Expedição, porém, não será nada barato. Por isso, mesmo preferi ir com o meu próprio material, o qual servirá para outras futuras Expedições. Da balsa da vila Sucunduri-AM navega-se por cerca de 40 km descendo o rio e chega-se ao PARNA. Depois pode-se entrar pelo PARNA também pela boca dos rios Camaiú, Acari e Abacaxis.

Outro caminho é vindo de Nova Olinda do Norte-AM, navegando-se pelo paraná Canhumã, depois pelo rio Canumã e pelas bocas dos rios Sucunduri, Acari e Camaiú.

Pelo rio Abacaxis só se entra pela sua boca, passando por vários garimpos clandestinos e perigosos, sendo que a distância de ida e volta é imensa. Por esse mesmo rio pela Transamazônica ou BR-230 a sua passagem estava bloqueada por troncos de árvores que foram derrubadas e jogadas por um fazendeiro local.

Da Transamazônica ou BR-230 pode-se entrar no PARNA pelos rios Acari e Camaiú, porém, terá que passar por dezenas de corredeiras difíceis e algumas até inacessíveis.

Também pode-se entrar no PARNA pela vila Arara, vindo de Nova Aripuanã-AM ou de Apuí-AM.

      

CIDADES DE APOIO:

A cidade de apoio mais próxima pelo Sul é Apuí-AM e a vila Sucunduri-AM, pelo Noroeste é Novo Aripuanã-AM e a vila Arara, e por fim pelo Norte é Nova Olinda do Norte-AM e a vila Foz do Canumã-AM. As cidades possuem boa estrutura. Já as vilas possuem uma ou outra coisa necessária e importante. 

 

ATRAÇÕES: 

No PARNA ainda não havia nem placas de identificação e tudo era bem selvagem. As maiores atrações são a fauna e flora, as corredeiras, principalmente a do Salto no rio Acari e algumas outras corredeiras e cachoeiras nas redondezas. Existem também hotéis de selva nas redondezas para pesca. Além disso, a própria vida e costumes dos ribeirinhos locais também são uma forma atração nas redondezas do PARNA.

 

DICAS: 

Tenha um piloteiro experiente para enfrentar as diversas corredeiras que costumam ser mais fortes na época do verão, ou seja, na seca.

Leve hélices de reserva, pois o risco de quebrá-las é enorme.

Leve também uma rabeta ou outro motor de reserva, pois se o principal quebrar ou der defeito será preciso percorrer grandes distâncias até encontrar alguma ajuda.

Utilize repelentes e protetor solar, pois o sol por ali é muito forte.

Tenha autorização do ICMBio para entrar no PARNA.

Nunca navegue ou ande sozinho na mata dessas bandas. 

 

RISCOS: 

Capotamento na Transamazônica ou BR-230 devido à lama ou ao cascalho solto, assaltos e sequestros.

Corredeiras, raios, ventanias, chuvas fortes, desmoronamentos, etc.

Animais peçonhentos, onças, arraias, jacarés-açus, entre outros animais selvagens.

Acidentes de forma geral, se perder, afogamentos, cortes, picadas, mordidas.

Insolações e talvez desnutrições.

Talvez estresses, insônias, adquirir vermes e doenças tropicais.

Assaltos e sequestros no rio Abacaxis.

 

DIÁRIOS:

Há anos eu vinha planejando uma Expedição a esse PARNA, porém, devido ao fato de que o local ter muitas corredeiras em seus principais rios, o acesso não seria para qualquer um. Além disso, conseguir um bom piloteiro, de preferência um nativo que poderia combinar tudo por um preço razoável seria bem difícil também. Com isso, acabei comprando o meu próprio barco/voadeira, motor e carreta, e chamei um velho amigo piloteiro experiente (Mac) com o seu filho (Jos) para realizarmos tal Expedição. Iria se juntar a nós também, um recém-amigo (D). O bom de tudo foi que peguei muita informação nos anos anteriores sobre os rios e vários contatos que iriam nos ajudar muito agora.

Após ter um trabalho danado de rebocar sozinho a carreta com o motor de Brasília-DF a Guajará-Mirim-RO (GM-RO) peguei o meu barco/voadeira recém comprado e os levei para Porto Velho-RO (PV-RO). Depois voltei de avião para Brasília-DF para passar o meu aniversário com a família e amigos. Retornei a PV-RO depois de uma semana e encontrei essas três pessoas acima para iniciarmos a Expedição rumo ao PARNA Acari.

Logo de manhã perdemos um tempão procurando galões certificados pelo IMETRO para levarmos uns 300 litros de combustível, pois o preço do litro estava caríssimo lá para aquelas bandas do PARNA.  O pior que eu havia combinado de comprar numa loja uns dias antes e o cara havia viajado. Depois ainda passamos para procurar peças de reposição da rabeta e da voadeira. Depois o D ainda foi comprar roupas e acessórios. O Mac e seu filho que estão tão acostumados a navegar pelos rios nem se lembraram de trazer salva-vidas e tive que comprar mais dois novos para eles, e ainda por cima se esqueceram de trazer uma rede para dormir e uma das chaves do cadeado que comprei para prender o motor na voadeira quando parássemos à noite nos lugares para dormir. Êita gente despreparada e esquecida! Por fim fomos ao supermercado para comprar comida e dois galões de 20 litros cada e no posto para comprar 300 litros de gasolina por 7,80 o litro e enchi o tanque da caminhoneta por 6,50 o diesel. Após toda demora saímos às 17 horas de PV-RO. O primeiro jogo do Brasil na Copa de 2026 seria hoje de tardinha e durante a viagem à Humaitá-AM fomos ouvindo o jogo na rádio da minha caminhoneta. Ao chegarmos à Humaitá-AM estava difícil encontrar algum hotel com garagem, pois a carreta com a voadeira estavam cheias de tralhas da Expedição. O D foi a uma pousada sem garagem e já foi pagando e enquanto isso eu encontrei uma outra no mesmo preço e com garagem. Então falei para ele cancelar e irmos para a que eu escolhei, pois estávamos pagando a parte do Mac e do Jos. Deu uma trabalheira danada para cancelar.

Já no outro dia acordamos cedo para tomar café e pegar a balsa que sairia às 8 horas, e se a perdêssemos ela só sairia de novo às 10 horas. Ao chegarmos à fila da balsa achei que todos aqueles veículos não caberiam nela. Atravessamos o rio Madeira de balsa e prosseguimos na Transamazônica ou BR-230. A buraqueira era constante e tive que ir bem devagar. Paramos para almoçar no distrito ou vila Sto. Antônio do Matupi-AM também conhecida como vila 180, que se chama assim por causa da quilometragem desde Humaitá-AM. Começaram a aparecer os prejuízos, ou seja, pelo fato da carreta ser muito baixa e de estar super pesada com toda a tralha um de seus pneus furou e estragou a roda e o pneu completamente. Ainda bem que senti um cheiro de borracha queimada e consegui perceber antes de uma eventual tragédia. Depois sumiu o apoio do motor na traseira da carreta porque o motor estava sendo carregado preso a ela e ninguém dos “experientes” amigos me explicou que não deveria levar o motor na carreta em estradas de terra. A capota furou na parte que a amarraram no bagageiro da caminhoneta. Depois o D não fechou direito a tampa da caçamba e a mesma abriu estragando a luz de freio. A capa que protegia a voadeira rasgou toda devido as pontas da armação da capota que estavam rebitadas na voadeira. Foram erros e acertos que fui aprendendo e corrigindo para as próximas Expedições com o meu próprio material. Percebi também que as pessoas que estavam viajando comigo estavam meio desatentas e que eu precisaria prestar mais atenção ainda do que já estava prestando, pois todo o material mais importante ali era meu. Paramos na vila Mata-Mata para jantar e dormir. O Mac e seu filho dormiram em suas redes numa varanda. Depois quando fui pagar o jantar o do dono da pousada cobrou R$ 50,00 cada prato. Um absurdo! E quando falei que havia pago R$ 30,00 no 180 uma comida muito boa, o cara perguntou se tínhamos comido mal ali. Falei que não, mas que pelo preço deveria estar igual. Acabou que tivemos que pagar caro assim, e talvez o babaca tenha cobrado caro assim a comida porque o Mac e seu filho não pagaram nada pelas redes. O pior é que era a única pousada existente ali naquela vila. À noite revi um velho piloteiro conhecido (Pir) que me levou para conhecer os rios Aripuanã e Guaribas no PARNA Campos Amazônicos há anos. Ele estava com uma cicatriz enorme no ombro que foi causado por um corte de facão numa briga por causa de uma mulher há anos.

Dormi meio mal novamente e já no outro dia atravessamos o rio Aripuanã de balsa e passamos por Apuí-AM, a qual estava bem desenvolvida. Tive que dirigir quase 100 km sem estepe da carreta porque só em Apuí-AM encontraria alguma solução. Parei num borracheiro e o idiota cobrou R$ 40,00 para desempenar a roda e R$ 300,00 por um pneu novo, pois usado eu não encontraria nenhum por ali naquela cidade. Fui em outro borracheiro e valeu muito mais à pena. Aproveitamos e já almoçamos ali mesmo em Apuí-AM e compramos as últimas coisas que faltavam, como carne seca para levar. A estrada melhorou mais e aproveitei para pisar fundo. Passamos pela ponte sobre o rio Acari e depois vi muitas fazendas com pecuária por ali e mais para dentro, ou seja, mais afastadas da BR-230 parece ter aumentado muito a quantidade de desmatamentos. Mesmo assim ainda vimos um bando de capivaras num banhado ao lado da BR-230. Vimos algumas sempre-vivas e quaresmeiras-anãs. Chegamos à vila Sucunduri-AM de onde partiríamos de voadeira no dia seguinte e antes vimos uma caninana. O alarme da caminhoneta disparou sem mais nem menos e um carro da polícia que fazia a ronda por ali ficou até desconfiado e analisou a placa do meu carro. Tive que desligar essa droga de alarme Positron e olha que isso já havia acontecido antes em um outro carro que tive.

Acordei às 2 horas da madrugada e depois dormi pouco até às 6 horas. Tomamos café ali na pousada onde a funcionária tinha aumentado o preço da diária a cada meia hora até que reclamei e ela ficou quieta. Pedi uns ovos fritos para ela e a mesma disse que não tinha. O Mac já tinha tomado café e disse que ela havia acabado de fazer ovos fritos para ele e para o seu filho e aí reclamei dizendo que queria falar coma dona e então ela disse que iria fazer os ovos fritos. Êita mulher enrolada! Levei a voadeira na rampa de barro onde a balsa fazia a travessia sobre o rio Sucunduri e tínhamos 30 minutos para descê-lo ali até que a balsa retornasse da outra margem. Antes descarregamos tudo que estava dentro da voadeira para que a mesma ficasse mais leve. Depois de toda operação de descida da voadeira ao rio Sucunduri pudemos recarregar todo o material de volta. Fui então levar a caminhoneta e a carreta na casa do (Den), o qual era amigo de um conhecido (Dej) das conversas que tive anteriormente com as pessoas daquela região para deixa-la ali na casa dele por mais de 20 dias. O cara foi super legal e ainda emprestou um remo, pois o Mac havia esquecido de trazer. A voadeira ficou com quase 1.000 kg de peso, pois estávamos levando tudo de necessário para a primeira fase da Expedição e onde teríamos acesso à civilização somente na vila Arara-AM depois de quatro dias e de quase 600 km de percurso. Saímos dali às 10 horas e no começo estávamos bem devagar, ou seja, a uns 10 a 13 km/h, pois o motor de 30 hp estava sendo amaciado também. Entramos no PARNA e não vi nenhuma placa de identificação. Vi alguns gaviões-de-anta, um gavião carrapateiro, algumas garças-brancas e uma biguatinga. Vi também botos tucuxis e cor-de-rosa e um deles deu um esguicho bem alto. Paramos depois de uns 40 km numa das poucas praias que estavam descobertas pelo rio para almoçarmos um rápido miojo e várias borboletas de diversas cores e formas. E pensar que a chefe daquele PARNA disse que os rios estavam secos naquela época e que precisaríamos utilizar uma rabeta em certos trechos. Havíamos trazido uma rabeta de reserva mesmo, mas depois iríamos saber que não seria preciso utilizá-la em nenhum momento. Logo seguimos adiante e vi algumas samambaias nos barrancos e um desses barrancos estava molhado. Um barco daqueles que carrega gado passou por nós. Vi uma nascente em forma de bica em uma das margens. Algumas andorinhas-do-rio estavam pousadas num galho e foi difícil fotografá-las com a voadeira em movimento. Vi alguns imbés em árvores altas. Depois passamos por várias árvores com folhas e flores de cores variadas. Em uma outra praia paramos e vi um jaçanã, alguns buracos de mutuca na areia e cocô de capivara. Passamos por algumas palmeiras e depois vi um pato-selvagem próximo de uma das margens. Uma pedra que parecia ter sido cortada se destacou, assim como um lajedo com alguns buracos redondos. Em um certo barranco havia alguns buracos que certamente foram feitos por algumas aves em busca de sal mineral. Vi várias araras-canindés e araras-vermelhas passando no céu. Depois foi a vez dos papagaios e dos periquitos. Um suiriri também apareceu. Uma casa de cabas (marimbondos) estava bem visível numa árvore, mesmo estando longe. Depois vi um japiim em seu ninho e vários outros ninhos de japiins pendurados numa árvore, onde havia vários cabas (marimbondos), pois esse é o estilo desse pássaro, ou seja, de proteger os seus ninhos com a cooperação dos cabas, que são insetos sociais que atacam eventuais invasores ou predadores que balançam os galhos, como cobras, macacos e aves maiores. Passamos por uma ilha e depois começaram a aparecer algumas corredeiras. Às 17 horas vi que estávamos a uns 20 km de uma casinha que aparecia no Google Maps. Resolvi ir até lá para melhor acamparmos, porém, a foto era antiga e na verdade aquela casinha não existia mais. Começou a escureceu e chegamos às corredeiras do Biribá, que por sorte ainda estava quase toda submersa. Demos uma pancada na hélice numa pedra e procuramos logo algum lugar para acamparmos. Graças a Deus apareceu uma ilha com areia do nada e paramos ali. Assim que fomos atracando a nossa voadeira na ilha um peixe grande pulou assustado na frente do D e caiu na ilha. O cara ao invés de pegá-lo na mão para o comermos no jantar ficou só olhando o bicho e o mesmo foi rolando na areia até que conseguiu voltar para o rio. Putis, que vacilo! O Mac e o seu filho foram ali numa das margens e cortaram alguns galhos para servirem de varas para prender as redes na areia. Eu armei a minha barraca. Uma cigana se destacou com a sua silhueta numa árvore e ocaso foi bem bonito no meio da mata. Jantamos bem ao som das corredeiras e o céu estava todo estrelado. Fizemos 120 km hoje apesar de sairmos tarde e o motor estava muito beberrão por causa do amaciamento e do excesso de peso, bebendo 70 litros de gasolina nestes 120 km, ou seja, 1,7 km por litro.

Acordei às 4h30 e depois fiquei esperando o sol nascer. Ontem à noite tinha relâmpagos e raios para todos os lados e ainda bem que não choveu. Senti calor na minha barraca e depois frio. Um bando de araras-canindé passou logo cedo e depois tomamos um café bem reforçado, filmei a ilha que acampamos. Levantei o meu drone e filmei os arredores e fiquei surpreso com toda a beleza e grandiosidade daquela região. Logo que partimos vi uns líquenes laranjas bem bonito e depois vi um anu-preto tentando se esconder. Uma garça-branca sozinha fez uma boa pose e aproveitei para fotografá-la. Mais para frente encontrei outra garça-branca ao lado de uma garçinha-branca e a foto ficou boa para distingui-las. Araras-vermelhas cruzaram o céu. Encontramos outras corredeiras pela frente e fomos prosseguindo. Comecei a observar como estavam algumas árvores por ali, ou seja, enquanto algumas estavam tranquilas e firmes a uma certa distância segura do rio, outras estavam a ponto de caírem porque os barrancos vão desabando com o tempo, e outras já tinham caído. Vi uma linda flor e depois paramos para eu filmar a voadeira e a região novamente no drone. Num certo trecho começaram a aparecer várias bromélias, depois vi um cupinzeiro numa palmeira e uma árvore que estava morta e chamava a atenção por causa dos seus galhos secos para todos os lados. Vi um pássaro que nunca tinha visto antes, ou seja, um azulão-da-Amazônia-de-bico-fino ao lado de algumas ciganas. Depois foi uma sequência de barrancos e um deles estava com buracos de aves que paravam ali para comerem o sal da terra. Passamos por um lindo lago que na época da seca fica azulado. De longe fotografei vários ninhos de japus. Os ninhos dos japus e dos japiins são idênticos. O que muda é que o segundo só os faz ao lado dos cabas (marimbondos) para se proteger dos predadores. O D ficava implicando com o Mac sobre a navegação e ao mesmo tempo se tornando irritante e chato. Eu explicava que a experiência dele no mar era diferente em rios com corredeiras. Eu que ainda não tinha a Carteira de Arrais/Amador e nunca tinha pilotado uma voadeira, mas tinha mais experiência em rios de corredeiras do que ele por causa das minhas aventuras na canoagem em vários rios do DF, do GO e do MT e nas diversas Expedições que já realizei pela Amazônia. A prática nessas horas fala mais alto do que a teoria. Numa certa área havia muitas espécies de cocais, sendo o principal o tucumã. Depois quando paramos no hotel de selva Aracu, na boca do rio Camaiú e já fora do PARNA, comemos alguns desses frutos. O D ia perguntar quanto cobrariam para todos nós passarmos a noite ali e eu falei para ele ficar quieto e deixar eu perguntar. O pessoal do Norte é muito hospitaleiro e pelas minhas experiências nesta região é só você chegar com calma e humilde, pedindo permissão para passar a noite ali que o pessoal libera e depois se tornam seu amigo de verdade. Deu certo com a minha lábia e conseguimos dormir nas redes ali no barco do gerente (Joa) e de sua mulher (Elz). Que beleza, eu já tinha tomado um bom banho de chuveiro, tínhamos gerador para alimentar as baterias das máquinas, internet e tudo mais. O Mac foi ali perto com o Joa e o D para pescar e pegaram alguns peixes. Eu fui com o Jos na minha voadeira ali em uns lagos e fotografei bastante a avifauna local. Chegamos a colocar 43 km/h na voadeira que estava bem mais vazia, após termos descarregado as tralhas lá no barco do gerente do hotel de selva. O motor começou a ficar mais econômico porque agora a mistura do óleo 2 t era a metade em relação a gasolina e o barco foi ficando mais leve com o gasto do combustível. Este hotel é exclusivo para pescadores e a quem mais se interessar pela natureza bruta e selvagem. Possui vários chalés de madeira com janelas de vidro, forro separando as palhas de cocais no teto, ar condicionado, banheiros e varandas. Há um grande salão interligando os chalés por meio de palafitas, píer e outras construções. O pacote de uma semana é por volta de R$ 10.000,00 com direito a todas as refeições e uma voadeira com piloteiro. Realmente é de primeiro nível. Mais tarde surgiu mais um lindo ocaso. De madrugada os raios e relâmpagos nos rodearam novamente e ainda bem que não choveu de novo. Hoje foram mais 100 km até o hotel de selva Aracu.

Acordei às 6 horas, mas só fomos sair às 8h30 porque o Mac ainda foi fazer o nosso almoço de hoje. No caminho do rio Camaiú entramos num canal para ver um outro lago, desta vez de cor verde que eu havia visto também no Google Maps, mas o mesmo estava todo cheio de igapós. Resolvi então conhecer uma cachoeira ali por perto chamada de André Martins e foi uma luta para encontrarmos o canal correto no igarapé Capinaraíma por causa dos igapós e de vários outros canais. Ainda bem que pelo GPS não tem erro. A cachoeira estava com 1 m de altura por causa das cheias e ao lado dela há uns musgos verdes bem bonitos e na sua frente um lago que na seca ou verão aparece uma linda praia. Pena que a época não estava propícia para vermos essas atrações, porém, para a navegação estava ótima por causa da cheia. Eu havia planejado tudo para irmos naquela época quando as chuvas paravam e os rios ainda estavam bons para navegar e ao mesmo tempo as praias iam aparecendo. Várias pessoas nativas daquela região e até mesmo a chefe do PARNA me disseram que os rios já estavam secando rápido, mas na verdade esse pessoal estava mal informado porque ainda estava tudo bem cheio por ali. Voltamos e continuamos rumo ao PARNA pelo rio Camaiú e ao entrarmos novamente nele não vimos nenhuma placa informativa. Um barco maior que o nosso e feito de madeira passou por nós e logo depois passamos por uma corredeira mansa. Depois apareceu uma outra corredeira chamada de Ilhinha que foi a mais brava até agora e não sei como aquele barco de madeira havia passado ali. Paramos e tivemos que arrastar a nossa voadeira por uma das margens e por cima das pedras, pois no canal a correnteza estava muito forte. Por ali havia algumas plantas bem pequenas que pareciam aquelas de aquários e muitas borboletas ao redor. Havia uma “massa” esquisita que parecia aquela sobremesa chamada sagu, mas na verdade era um monte de ovos de girinos. Prosseguimos e paramos numa ilha com pedras para almoçarmos. De repente uma casqueta (tipo de voadeira pequena movida a rabeta que alcança uma alta velocidade) foi se aproximando e passando por nós. O piloteiro não nos viu, mas quando acenei ele viu e parou para conversar com a gente. Era um rapaz novo e disse que estava subindo o rio para buscar um parente em um garimpo que certamente era clandestino, pois deveria estar dentro do PARNA. Disse também que o hotel de selva Camaiú Camp era “logo ali”. Ainda bem que ele falou sem fazer bico na boca, porque na Amazônia quando a pessoa diz “logo ali” fazendo bico com a boca significa que ainda está longe. Continuamos e chegamos a uma sequência de corredeiras onde se encontrava o hotel de selva Camaiú Camp. Havia algumas pessoas o construindo e na verdade fiquei sabendo depois que o estavam Reconstruindo, pois o mesmo havia sido derrubado antes por estar dentro do PARNA e parece que sem autorização do ICMBio. Levantei o meu drone e filmei tudo ali ao redor com a sequência de corredeiras. O rapaz aquele da casqueta estava ali também e quando ele foi continuar e passar pelas corredeiras o Mac o viu tombando e todo mundo foi correndo para ajudá-lo. Por sorte não houve nada de grave com ele e muitas coisas que estavam dentro de sua casqueta chegaram boiando até nós. O resgatamos e ainda deu para salvar a casqueta e a rabeta. Ele havia perdido uma espingarda e outras pequenas coisas. Sua hélice havia quebrado e demos e instalamos uma outra que tínhamos de reserva para ele. O meu plano inicial era o de irmos até a cachoeira do Fumação a uns dois dias dali, a qual fica fora do PARNA. Porém, pelo fato de existir muitas corredeiras até lá e de que iríamos gastar muito tempo resolvi então voltarmos dali mesmo, pois estávamos atrasados uns dois dias devido ao tempo perdido na Transamazônica e em PV-RO. Pensei que talvez poderíamos tentar ir nesta cachoeira depois na volta pela própria Transamazônica, mas ainda teríamos que ver se as estradas estavam aptas até lá. Depois caminhei por uma trilha até a parte brava das corredeiras e vi uma árvore com espinhos, sororocas ou bananeiras-bravas, sempre-vivas, musgos, samambaias minúsculas, bacuri, muitos líquenes e cogumelos. Vi alguns sapinhos daqueles minúsculos do tamanho de uma unha e depois fiquei sabendo que eram filhotes de sapo-cururu. Uma pedra grande que há bem no meio de uma daquelas corredeiras estava cheia de várias espécies de borboletas. Depois o rapaz aquele da casqueta veio novamente por onde ele havia tombado e dessa vez ele conseguiu passar com toda técnica e determinação. Retornamos e levantei o drone novamente ali na frente do hotel de selva Camaiú Camp para filmar a corredeira bem na sua frente. Tomamos um bom banho ali na praia de frente àquele hotel de selva e com cuidado por causa das eventuais arraias. Depois paramos na corredeira brava da Ilhinha para filmarmos com o drone de cima e com o celular de dentro da voadeira. Ficou muito bom. Continuamos e vi mais bromélias penduradas em outras árvores. Vimos uma mancha preta numa árvore e na verdade eram alguns macacos Cuxiús-de-nariz-branco com seus rabos grossos. Apareceu um tracajá, outro casal de papagaios-da-várzea e um gavião-de-anta. Ao paramos numa das margens vi uma árvore com certos espinhos como uma escadinha. Olhei bem e lembrei-me daqueles morceguinhos que usam o mimetismo para se esconder e realmente eram eles. O D nem imaginava que fossem morcegos e por isso não os viu direito. Ainda vi mais borboletas, uma sapucaia-da-Amazônia com suas lindas flores, outras sororocas e várias flores de ingás. Mais para frente apareceram algumas serrapilheiras e vários barrancos, sendo que num deles havia várias plantas pequenas. Foi se formando uma chuva de lascar e o céu ficou todo preto. Putis, desta vez não iríamos escapar da tempestade. Foi água para todos os lados com raios e relâmpagos. O D chegou a se esconder no bando da voadeira e os meus olhos ficaram cheios de água da chuva. Aos poucos fomos atravessando aquela tempestade de lascar até que chegamos ao hotel de selva Aracu. Ainda bem que a Elz havia baixado as lonas laterais do seu barco e as nossas coisas que ficaram ali não se molharam com a tempestade que passou por ali também. Depois vi uma aranha-caranguejo-gigante e uma esperança-pleminiini. À noite quando fomos limpar alguns peixes que haviam pescado por ali tinha uma piranha-preta e alguns bagres vieram comer os restos da limpeza. Hoje percorremos 100 km de ida e volta.

Acordei às 5 horas e arrumamos tudo para sairmos às 7h30. Havia uma certa neblina no rio Camaiú e logo entramos novamente no rio Sucunduri, o qual foi ficando cada vez mais largo, parecendo-se com um lago. Os igapós estavam presentes quase o tempo todo. Percebi que quando a gente olha detalhadamente os caminhos a ser percorrido no Google Maps ele grava, porém, se a gente tornar ver um outro caminho depois, ele substitui a gravação anterior pela nova, e pelo fato de ter encontrado internet ali no barco da Elz e do Joa acabei perdendo as gravações antigas pelas novas. Passamos pelo hotel de selva Sucunduri e depois chegamos à boca do rio Acari. Apareceram várias casas de ribeirinhos e de indígenas com suas escolas. Uma grande balsa passou por nós. Vimos alguns barrancos que estavam se desmoronando. Entramos depois no rio Arara e estava tudo alagado por ali também, ou seja, com igapós para todos os lados. Aos poucos fomos chegando à vila Arara-AM e vimos alguns búfalos nos arredores e algumas árvores quase desabando em cima do rio. Chegamos à vila Arara-AM às 16 horas. O D de tanto ficar mal apoiado na cadeira acabou quebrando o seu encosto e agora iria ficar sem descansar as costas. Fizemos 160 km hoje de navegação e depois fomos assistir o outro jogo do Brasil numa festa de aniversário de uma menininha que a mãe morreu ao dar a luz há um ano. A vila possui uma boa igreja e escola, uns três comércios e uma rua principal. Falta uma pousada. Moram ali 150 pessoas ou 23 famílias, fica a uns 50 km de Novo Aripuanã-AM e é cheia de crianças e de mulheres. O Mac e o seu filho dormiram num flutuante ao lado da nossa voadeira e eu o D fomos dormir em nossas redes num galpão aberto da igreja evangélica daquela vila. O pastor foi bem simpático e deixou a gente usar o banheiro dele e no outro dia tomamos café ali também.

Ontem senti frio, mas fiquei com preguiça de ir buscar um agasalho na nossa voadeira que estava a uns 200 m dali. Mesmo assim deu para dormir um pouco. Após o café compramos mais 300 litros de gasolina para garantir porque senão poderia acabar depois, e desta vez a R$ 10,00 o litro e fomos rumo à cachoeira do Salto no rio Acari. O motor agora estava mais econômico porque amaciou e não encontraríamos outro lugar para abastecer, porém, estaríamos navegando contra a correnteza nesta segunda fase do rio Acari. Passamos por uma fazenda com mais de 1.000 reses de rebanho bufalino e fomos adiante. O rio Acari também estava bem cheio. Assim como todos os outros por ali naquela região. Lembrei-me que a chefe do PARNA me disse que seria preciso utilizarmos uma rabeta nesta época, mas ela estava bem enganada. Passamos ao lado de alguns desabamentos naturais na beira do rio e deu para ver bem como depois de uma pequena camada de húmus logo aparecia uma grande parte de areia com terra. Vi várias colorações de flores e folhas de diversos tipos de árvores. Apareceram novamente várias bromélias agarradas nos troncos de árvores. Surgiram várias árvores secas numa das margens que certamente tinham sofrido algum incêndio. Chegamos ao primeiro hotel de selva chamado Acari e falamos com o gerente se poderíamos passar a noite ali. O cara para variar foi legal e disse que havia também um outro hotel de selva “logo ali” fazendo o tradicional bico do nortista. Disse que chegaríamos em 20 minutos e o pior que não dava para ver esse tal hotel no Maps. Com isso, o D se animou pedindo para continuarmos. Fiquei meio indeciso porque a nossa voadeira ainda estava meio lenta por causa do excesso de peso e já estava escurecendo. Vi que tinha uma certa “mancha” na margem esquerda de quem sobe o rio a uns 20 km dali pelo Maps e decidi que se não fosse lá voltaríamos para este outro hotel de selva que estávamos, pois as margens estavam todas alagadas e difíceis de se acampar. Acabou que demoramos 1h40 para chegarmos ao próximo hotel de selva chamado de Pinuma. Já estava escuro e o gerente (Moi) nos recebeu com uma cartucheira pois não o vimos antes. Falei que estávamos vindo dali do outro hotel de selva e que um certo conhecido lá da vila Sucunduri nos disse que talvez poderíamos passar a noite ali. Ao falar dessa pessoa da vila Sucunduri o gerente ligou para ela e logo ficou mais tranquilo ao confirmar e nos tratou super bem. Ufa, que alívio! O engraçado que esse gerente era lá de Brasília-DF também. Ficamos numa varanda espaçosa e com tudo de bom sem gastar nada. Esse até agora foi o melhor hotel de selva que tínhamos conhecido por aquelas bandas e o seu pacote de sete dias estava por volta de uns R$ 15.000,00 com direito a tudo. No entardecer ouvimos o canto de vários pássaros em frente ao rio Acari. Hoje fizemos 120 km de navegação.

Ontem caiu uma chuva de lascar e ainda bem que estávamos na varanda do hotel de selva. Dormi bem e depois tomamos um café bem caprichado feito pelo Moi e pela Eri. Deixamos uma carga grande ali para depois a pegarmos na volta e para a voadeira desenvolver uma velocidade melhor. Lá na vila Arara quando saímos ontem a voadeira estava fazendo só uns 10 ou 12 km/h, agora ela fazia 26 a 27 km/h. O consumo também diminuiu bastante. Passamos por uma ponte de madeira que estava meio ruindo e depois chegamos de volta ao PARNA bem em cima das corredeiras do Surubim. Havia uma turma ali de três famílias acampados e fazendo churrasco. Certamente não sabiam que ali fazia parte do PARNA. Paramos numa ilha bem alta e com areia branca e almoçamos. Na parte baixa daquela ilha havia várias borboletas, um mangangá e vi também um cachorro d’água com o seu rastro na areia. Depois caminhei na parte alta da ilha e vi o maxilar de uma anta. Tomamos um bom banho por ali também e para variar não havia nenhuma placa de identificação do PARNA. Continuamos e vimos mais desmoronamento naturais, mais bromélias agarradas nas árvores e aquelas árvores com flores lilás. Começaram a aparecer as corredeiras mais fortes, como a chamada de Brava, que seria a pior de toda a expedição com uma forte correnteza bem no centro. O Mac passou devagar demais e quase a voadeira foi para trás. O D ficou ansioso e começou a se levantar do banco e atrapalhando a visibilidade do Mac. Tive que pedir para ele se sentar e deixar o Mac decidir o caminho mais certo porque senão se muita gente começar a opinar nessas horas acaba atrapalhando tudo. Depois apareceu uma sequência de aves de rapina como carcarás, gavião-preto, gavião-caboclo, gavião-belo e gavião-de-anta. Depois passamos por um hotel de selva abandonado, onde havia uma alta escadaria e não sei o porquê que o ICMBio não montou uma base ali já que o lugar tinha uma ótima estrutura. Depois fiquei sabendo que esse hotel de selva havia sido abandonado porque um turista havia morrido nessa cachoeira Brava e sofreu vários processos contra. Depois apareceram uma garça-moura, patos-selvagens, um tucano, uma rolinha-roxa e dois pica-paus-Beneditos-de-testa-amarela. Araras-vermelhas e canindés também surgiram aos bandos. Depois vimos alguns bugios com seus roncos que produzem um som impressionante como o de um avião. Chegamos à corredeira Chata e deu certinho para passar por entre duas pedras rasas que estavam somente a uns 30 cm de profundidade. Apareceu outra corredeira, onde erramos o caminho mais correto e a hélice levou uma forte pancada empenando-a junto com o eixo do motor. Putis, que merda! O Mac vacilou e a voadeira ficou de lado naquela correnteza. Por pouco não tombamos. Por sorte essa voadeira, o que não tinha de bom acabamento tinha de forte e de bem estável. Faltava apenas uns 3 km para a pousada do Salto, que na verdade era uma casa particular. O rendimento da voadeira ficou muito comprometido e teríamos que trocar a hélice empenada pela nova que eu trouxe de reserva. O clima ficou meio ruim entre o nosso grupo por causa de todo nervosismo que passamos naquelas corredeiras e por um tempo ficamos todos meio de mal. Ao chegarmos à pousada falei com o gerente (Clo) se poderíamos passar a noite ali e conhecer as redondezas. Novamente houve uma certa desconfiança, mas depois que falei o nome dos gerentes e dos outros hotéis de selva por onde passamos o cara ficou mais simpático. Era cedo ainda e fomos conhecer a cachoeira do Salto que nessa época estava mais para corredeira, apesar de que o rio Acari por ali estar mais baixo do que lá nas redondezas da vila Arara. No começo o Mac foi pelo canal errado e não deu para ver muita coisa. Depois o orientei para pararmos bem ali no meio do rio, onde havia uma ilha com pedras e de frente ao Salto. Fotografei bem e filmei com o drone. O local é meio apavorante e impactante e qualquer vacilo ali você pode ser arrastado pela correnteza, pois a força das águas é impressionante. Na época da seca fica só uma cachoeira/corredeira, mas agora tinham duas bem definidas e uma do lado outra. Bem bonito e diferente mesmo. Depois voltamos, chamamos o Clo para nos acompanhar e subimos o morro caminhando em direção a uma pista de pouso ali pertencente à pousada. A subida é bem alta com cerca de 45 m de altura e a pista é bem comprida com cerca de 1 km de extensão. Caminhamos por ali até a outra ponta da pista, vi algumas pegadas, inclusive de onça, uma carcaça de jaguatirica e fezes desse animal. Depois passamos por uma área de Cerrado, onde havia uma nascente bem limpa e com plantas deste bioma, como sempre-vivas, frutos,  flores e samambaias bem diferentes. Vi um iguana curiosa que estava meio escondida e ficou me encarando. Passamos ao lado de várias árvores secas que com certeza haviam sofrido algum incêndio. Entramos na mata novamente até a outra margem do rio Acari e vi alguns abacaxis-selvagens, líquenes, um cipó entrelaçado e um cupinzeiro numa árvore. Vi um certo tipo de grilo que se parecia com uma folha seca. Saímos depois numa grande pedreira ou lajedo com corredeiras antes do Salto Acari. Vi umas gravuras rupestres redondas numas pedras. Deu para ver que aquele lajedo era bem longo e se alguma embarcação entrasse ali sairia toda arrebentada depois. Até mesmo um caiaque especial poderia sofrer muito ali. Levantei o drone e filmei tudo por ali. Depois voltamos para a pista de pouso e fiz novas filmagens com o drone. Depois o Clo deixou que a gente armasse nossas redes numa varanda boa ali na casa e o convidamos para jantar conosco. Fizemos novamente 120 km de navegação.

De manhã, logo cedo, ouvimos um jaó cantando. Dormi bem apesar do frio que fez a noite. Fiquei impressionado com os quadros e esculturas que o Clo fez e estão à vista na pousada. O cara realmente é um artista. Os detalhes são incríveis e ele aproveita as madeiras mortas da floresta. Tomamos um cafezão regado a pães e a pudim que o Clo fez e agradecemos toda a sua hospitalidade. Colocamos de volta a hélice empenada até passarmos por todas as corredeiras na volta para depois trocar novamente pela nova. Passamos bem pelas primeiras corredeiras e depois o Mac vacilou novamente, e na perigosa corredeira Brava ao invés de passar o nosso barco por entre as duas pedras grandes com a forte correnteza entre elas, o maluco passou por cima de uma dessas pedras. Sorte que ela estava somente a uns 10 cm de altura fora da água e era quase plana e meio lisa. Putis, que imprudência! Ele, de novo, quase fez o barco tombar. Foi Deus mesmo que nos ajudou a passar. Depois conseguimos passar bem nas outras corredeiras mais simples e na Surubim. Resolvi entrar no igarapé dos Carecas para conhecermos um areal onde as tartarugas costumam desovar na época da seca. No começo tinha bastante arbustos e o D quando inventou de querer abrir caminho com o facão, logo o perdeu dentro do igarapé e quase me acertou sem perceber. Êita cara desajeitado e inexperiente! Fomos entrando devagar no igarapé até que conseguimos chegar onde eu queria. Descemos da voadeira e caminhamos por ali, onde usei o drone para filmar. É um lugar bem exótico, ou seja, com bastante areia e pedrinhas pequenas. Deu para ver até os antigos buracos dos ninhos das tartarugas que por ali desovaram. Pena que não estava na época de encontra-las. Vi plantas minúsculas, algumas espécies de sempre-vivas, alguns carreiros de antas e uma certa semente rara que não consegui identificar. Levantei o drone e na filmagem descobri uma passagem para outra área que era bem maior e fomos lá observar. Caminhamos por cerca de 2 km ida e volta, reencontramos o igarapé dos Carecas e fomos até o final do areal. Vi outras plantas minúsculas estavam presas em montinhos minúsculos de areia com o formato de cone, talvez devido à chuva que ia desbarrancando as extremidades e no centro as minúsculas raízes dessas plantinhas seguravam o restante da areia. Vi também uma árvore típica do Cerrado, ou seja, com a casca protegida por uma certa cortiça, cheia de líquenes amarelos e laranjas. Aliás, aquela área toda era uma espécie de Cerrado e aí lembrei-me daquela dúvida, que ao mesmo tempo pode ser uma Teoria, ou seja: O Cerrado imexível torna-se uma Floresta ou será que uma Floresta mexida torna-se um Cerrado?  Depois o Mac trouxe a voadeira mais para perto e tomamos um delicioso banho nas águas meio cor de café e geladas daquele igarapé. Fiz outra filmagem com o drone pegando toda a área ao redor daquele areal. Voltamos e continuamos navegando pelo rio Acari até que paramos naquela ilha alta nas corredeiras do Surubim. Almoçamos ali mesmo e aproveitamos para mudar a hélice empenada pela nova e o motor rendeu melhor, apesar do eixo ainda estar empenado. Depois percorremos mais uns 70 km e passamos novamente por aquela ponte de madeira que parecia estar ruindo, pois ela estava toda empenada e amarrada com cabos de aço. Paramos depois no hotel de selva Pinima para pegarmos as nossas tralhas e o Moi disse que não poderíamos mais dormir ali porque ele havia falado de nós para os donos e os mesmos não gostaram. Agradecemos de qualquer jeito pela hospitalidade daquele outro dia e por terem cuidado de nossas tralhas e seguimos rumo ao outro hotel de selva a uns 20 km dali, ou seja, o Acari. Não havia ninguém lá e subi até os chalés. Vi um bilhete que dizia que poderíamos chegar e que tinha até um quarto para nós. Fiquei meio surpreso e achei que não fosse para nós e então nos alojamos ali numa casinha de jogos com as nossas redes e esperamos o gerente chegar. Quando procuramos a carne seca para o Mac fazer o jantar e o almoço de amanhã não a encontramos. Só depois descobrimos que o Jos a havia esquecido pendurada lá na pousada do Salto. Putis, mais um esquecimento de lascar! Depois tentamos pescar alguma coisa ali, mas nada beliscou. Coloquei até uma borboleta de isca no anzol, mas nada adiantou. Navegamos novamente 120 km.

Ontem dormi meio mal porque choveu forte, fez frio, fiquei com um pouco de torcicolo e o gerente e alguns hóspedes chegaram bem tarde. Ontem também o Mac teve que fazer o nosso jantar e o almoço de hoje na base da fritura por que o D perdeu a borracha da panela de pressão. Tomamos um bom café feito por nós mesmos e depois agradeci ao gerente e desatracamos dali rumo à vila Arara. O dia estava meio nublado e friorento. O motor desenvolveu bem e chegou a fazer 2,5 km/l. Chegamos à vila Arara às 10h30 e compramos mais um pouco de combustível para irmos até Nova Olinda do Norte-AM (NON-AM), um frango congelado, mais ovos e farinha. Quando eu estava voltando para a voadeira o Mac disse que um barco que estava ali atracado estava saindo também até a boca do rio Acari e em troca de nos levar com a nossa voadeira sendo puxada queria só uns 20 litros de gasolina. Topei na hora porque economizaríamos uns R$ 800,00 e ainda descansaríamos no barco em nossas redes. O barco puxando a nossa voadeira ia navegando devagar e pude observar com mais atenção toda aquela área alagada próxima da vila Arara com seus igapós. Vi uma nuvem estranha no céu que nos acompanhou por um certo momento. Ela parecia um “risco” indicando chuva. O piloto parou em duas aldeias indígenas por pouco tempo e às 17 horas chegamos na casa do Nat que era o dono desse barco que estávamos. Pedimos permissão para ele para dormirmos ali e ainda usamos a sua internet. Aliás, por ali na Amazônia agora todo mundo tinha internet. Jantamos o frango que compramos na vila Arara e à noite vimos um filhote de jararaca nadando e ouvimos alguns sapos coaxando sem parar. Hoje foram 170 km navegados.

Hoje de manhã conhecemos o pátio onde o Sr. Nat constrói os seus barcos. A casa dele está a uns 3 km da boca do rio Acari com o rio Sucunduri e onde inicia-se o rio Cunamã com seu lindo lago que estava presente naquela época de chuvas. Havia o “esqueleto” de um barco grande que se tornaria um recreio. O local estava cheio de madeiras extraídas e esculpidas por ele mesmo na base do motosserra. Ele tinha um bom maquinário também para ajudar nas suas construções. Vi também um panelão onde ele e sua família assavam a mandioca brava. Chegamos à boca do rio Acari e paramos ali para ver uma casa abandonada que chamava a atenção. Depois vimos um Imbé numa palmeira e seguimos pelo rio Cunamã rumo à Foz do Cunamã-AM. As margens ao lado do grande lago formado chegavam a fazer uma certa “miragem” de longe de tão largo que era aquele lago. Vi um boto-tucuxi, um barco de pescador puxando uma rabeta e várias aldeias indígenas. Uma castanheira, um ipê-rosa e alguns açaizeiros de destacaram nas margens, assim como outros palmeiras e algumas bromélias-roxas. De repente vi uma grande ave carregando um peixe em suas garras e era uma linda águia-pescadora que pude fotografa-la depois bem de perto. Vi também alguns alencores ou inhumas, garças-brancas e mais para frente uma árvore cheia de garçinhas-brancas que voaram ao chegarmos perto. Depois vi outro bando dessas últimas aves, um coró-coró e várias marrecas-caboclas. O rio Cunamã por ali continuava um verdadeiro lago e por sorte não pegamos nenhum banzeiro (ondas de rio). Na volta vimos vários bandos de biguás que ao nos verem voavam decolando da superfície do rio em desespero e desajeitados. Paramos na aldeia indígena chamada Niterói para dormirmos e vi uma outra andorinha-do-rio, um caracol-maçã e uma aranha-lobo. Havia um panelão cheio de sementes de cumaru se secando. Essas sementes são altamente valorizadas na gastronomia e na perfumaria devido ao seu aroma marcante e adocicado, frequentemente comparado ao da baunilha. Um lindo ocaso se formou com a vista do lago. Depois nós seguiríamos viagem a frente rumo à vila Foz do Canumã-AM e de lá até Oriximiná-PA, durante 12 dias, até a nossa volta, onde passaríamos novamente pelos rios Canumã, Camaiú e Sucunduri.

Após ter ido da boca do rio Acari até Nova Olinda do Norte-AM, Maués-AM, Parintins-AM, Nhamundá-AM, Faro-PA, Terra Santa-PA e Oriximiná-PA e voltado novamente pelo mesmo caminho, passando em duas aldeias indígenas dos Mundurucus, chegamos à boca do rio Acari novamente. Depois continuamos a navegação e fomos dormir no barco do Joa e da Elz que estava atracado no hotel de selva Aracu no rio Camaiú. O Joa estava ali sozinho e sua mulher, a Elz, já o havia avisado que estávamos para chegar, pois havíamos dormido na casa deles na Foz do Canumã-AM próxima de Nova Olinda do Norte-AM. Vi um ninho de japiim abandonado e o desmontei aos poucos para ver como ele é por dentro. Vi que é uma verdadeira obra de arte deste pássaro, pois ele vai trançando os gravetos finos um por um e o ninho fica em forma de tubo e bem acolchoado no seu interior. À noite ouvi algo se mexendo e quando apontei a lanterna na sua direção vi um jacarezinho que ficou mais assustado do que eu. Às 5 horas acordei e vi que a lua estava rodeada de nuvens. Logo depois já estávamos de volta ao rio Sucunduri e pegamos uma cerração brava que permaneceu até às 8 horas. Em alguns momentos não deu para ver nem 10 m a frente. Depois que a cerração passou veio uma chuva forte e a ventania trouxe um monte de flores boiando nas águas do rio Sucunduri. Vimos outras bromélias e mais sapucaias-da-Amazônia. Um imponente gavião-preto deu as caras e logo depois algumas ciganas. Mais para frente vi um papagaio-da-várzea e depois ele entrou na sua toca num tronco de palmeira espinhento. Fui observando as duas margens na minha frente e comecei a pensar de como é incrível a Amazônia. É tanta diversidade de plantas e de animais ali existentes. São tantas formas de folhas, são tantos tons de verde diferentes, de flores, de aromas, etc. As folhas que a gente logo percebe são as dos cocais por causa de suas diferenças bem visíveis. A gente quase não vê a terra por causa de tantas plantas. As trepadeiras estão por toda parte agarrando-se nas árvores. As árvores mortas vão sendo substituídas aos poucos pelas vivas e assim vai acontecendo o ciclo da vida. Bateu aquele sentimento de orgulho de saber que a maior parte dessa enorme região se localiza no meu país e que apesar de tudo ela está sendo bem cuidada e ainda selvagem em muitas áreas. A única coisa que penso que seria importante era construir estradas estrategicamente localizadas nessa região, como a Perimetral Norte que foi abandonada pela democracia, a construção de uma estrada de Macapá-AP a Manaus-AM e terminar a Transamazônica até a cidade de Benjamin Constant-AM para uma melhor a fiscalização nessa enorme região e para integrar as capitais nortistas. Seria preciso então uma boa manutenção. Todo grande país fez isso. Após uns 80 km percorridos começaram a aparecer as praias e as corredeiras, pois o rio Sucunduri já havia abaixado cerca de 1 m de altura. Entramos por um canal e tivemos que descer da voadeira para puxá-la, pois as pedras e lajedos estavam muito rasos. Vi uma arraia grande que passou perto do Jos e ainda bem que o avisei. Numa dessas praias havia um bando de marrecas-caboclas e de alguns patos-selvagens. Depois de mais uns 20 km chegamos às corredeiras do Biribá, onde havíamos dormido na vinda numa ilha de areia que estava bem maior dessa vez. Também tivemos que descer da voadeira e puxá-la sobre um lajedão bem raso. Aproveitamos e fizemos um autêntico almoço boia fria, pois além da comida estar fria ficamos dentro d’água com os pés na água fria. Tinha uma planta ali perto de nós com suas folhas cheias de protuberâncias como calombos e com isso, evitamos de tocá-las. Vimos depois um tracajá que pegava sol tranquilo e um jacarezinho. Já era meio dia e ainda faltavam 110 km até a balsa da Transamazônica. Depois que passamos as corredeiras mais fortes trocamos a hélice que havia sido desempenada por uma outra seminova que comprei na Foz do Canumã-AM e a voadeira rendeu muito mais. Fiquei com três hélices nessa Expedição, ou seja, a original que veio com o motor, e que empenou junto com o eixo nas corredeiras do rio Acari, e que depois mandei arrumá-los em Maués-AM, uma nova que eu havia comprado de reserva e que patinou num aguapé que a travou próximo de Nova Olinda do Norte-AM e uma outra seminova que comprei na Foz do Canumã-AM. Continuamos com cautela, pois algumas corredeiras menores estavam meio a vista e muitas serrapilheiras apareceram. Vimos mais alguns biguás, ciganas, jacus e papagaios. Fomos saindo aos poucos do PARNA e ainda vimos um pessoal acampado dentro do PARNA, pescando por ali. No final da tarde apareceu um bonito ocaso que iluminou uma nuvem branca. Chegamos à balsa na Transamazônica às 17h40 depois de 210 km percorridos naquele dia. Enquanto o pessoal foi descarregando as tralhas da voadeira ali na balsa fui caminhando até a mercearia do Den para buscar a minha caminhoneta que estava no terreno ao lado da casa dele. Ele não estava lá na mercearia e peguei uma carona na moto de uma de suas funcionárias até a casa dele. A sua esposa estava lá e então retirei a minha caminhoneta com a carreta numa trabalheira danada porque o local era meio apertado. Fui então lá na balsa e tivemos que arrastar a voadeira junto com a carreta para tirá-la de dentro do rio, pois a ribanceira estava muito alta e foi preciso toda uma estratégia para realizar esse esquema. No final acabou dando tudo certo e a voadeira estava sobre a carreta. Depois não encontramos vaga em nenhuma pousadinha por ali e quando fomos jantar num restaurante por ali, mais uma vez o pessoal do Norte demonstrou ser simpático e hospitaleiro com a gente. Ou seja, a dona do restaurante nos ofereceu o seu sítio para dormirmos e perguntei para ela que nas minhas andanças ali pelo Norte eu já tinha observado que o pessoal era muito hospitaleiro e queria saber o porquê disso. Ela me disse que era porque todos gostavam de ajudar uns aos outros por ali e que as pessoas dali sabiam pela conversa com os forasteiros se eles eram do bem ou não. Apesar de tantos problemas e das facções que se infiltraram nos últimos anos na Amazônia, ainda tinha muita gente boa por ali e isso numa cidade grande é super difícil de acontecer. Agradeci a ela a oferta, mas eu já tinha perguntado antes para a esposa do Den se poderíamos dormir ali na casinha do terreno ao lado de sua casa e ela havia dito que sim. Fomos lá então e armamos as nossas redes ao lado da casa do Den e havia tanta cigarra por ali que ficavam cantando o tempo todo e deixaram o D super irritado. O engraçado é que ele não conhecia esse tipo de inseto. Irrita quem irrita! Kkk. Elas só quietaram depois que apagamos as luzes. Graças a Deus estávamos todos bem e ninguém havia se machucado e nem levado alguma picada ou mordida de algum animal selvagem. Não deu para conhecermos o PARNA pelo rio Abacaxis porque um fazendeiro havia interditado o acesso pela Transamazônica ou BR-230, onde ele mandou jogar diversas toras de árvores que foram desmatadas de sua fazenda dentro desse rio para impedir a passagem por lá aos diversos garimpos ilegais. Por um lado era bom, porque de certa forma ele bloqueou a passagem de drogas, mas por outro lado ele impediu o acesso livre por um rio, além de poluí-lo. O ICMBio havia dado uma multa milionária para esse fazendeiro, mas não o obrigou a retirar as toras de árvores de dentro do rio Abacaxis. Lá pela boca desse rio, ou seja, pela vila Abacaxis-AM, onde há um lindo lago de águas escuras, não valia à pena ir, pois a distância de ida e volta era muito grande,

Mais tarde eu iria colocar alguns dados das atrações próximas do PARNA Acari que consegui de alguns amigos recentes daquela região, como as corredeiras do Monte Cristo no rio Sucunduri com algumas antas pastando as algas em cima dela e a cachoeira do Fumação no rio Camaiú com alguns queixadas ou porcões correndo nas margens desse rio. Após terminar a Expedição ao PARNA Acari, hoje teríamos que começar a voltar pela Transamazônica ou BR-230 até PV-RO. Dormi meio mal porque à noite me deu uma azia danada. Creio que foi porque tomei um chocolate de caixinha ontem que deveria estar meio passado por causa do calor excessivo que a embalagem deve ter pego até chegar na mercearia onde a comprei. Tomei alguns remédios de madrugada e fui melhorando aos poucos. Ainda bem que ninguém precisou tomar nenhum remédio durante toda a Expedição até então. Demos 40 litros de gasolina para a mulher do Den em troca de tudo que eles fizeram por nós e mais um remo que o Mac perdeu lá em Maués-AM. Ajeitamos tudo dentro da voadeira e passamos o motor para dentro da caçamba da caminhoneta, apoiado num pneu velho que conseguimos por ali e saímos da vila Sucunduri às 8 horas. Depois de 100 km chegamos à Apuí-AM e a estrada estava bem melhor, pois a haviam patrolado num bom trecho. Almoçamos por ali mesmo e depois deixei a carreta ali num posto e fomos conhecer a cachoeira do Paredão a uns 30 km dali de Apuí-AM numa estradinha boa e por dentro de várias fazendas de gado, que aliás aumentaram muito nestes últimos anos por ali. Chegamos na parte de cima da cachoeira do Paredão e fiquei impressionado com a sua beleza. E pensar que na época das chuvas ela se transforma numa catarata, pois toma conta de todo o paredão. Depois descemos pela encosta e vi uma pedra grande que parecia um dente molar. O Mac levou a caminhoneta até uma praia bem bonita. Aproveitamos e tomamos um bom banho ali para relaxar. Pegamos a estrada de volta a Apuí-AM e vi uma cobra que retornou para a mata ao ver a caminhoneta e depois vimos um tatu atropelado. Pegamos a carreta com a voadeira e ainda comprei uma lona azul para cobrir a voadeira em outro dia lá em PV-RO e dois galões ou carotes com as tampas largas para guardar as coisas nas próximas Expedições. Continuamos por mais 100 km, peguei um pouco de chuva e chegamos à vila Mata-Mata já quase à noite. Após atravessarmos o rio Aripuanã na balsa caiu uma chuva de lascar, e ainda bem que já estávamos alojados naquela mesma pousada que ficamos na vinda.

Dormi bem finalmente e depois do café forte partimos dali da vila Mata-Mata rumo a PV-RO. A estrada estava sem poeira por causa da tempestade de ontem, porém, com muitas poças d’água, mas nada assim tão preocupante. Chegamos à vila 180 às 11 horas e fizemos um bom lanche. Levamos alguns pastéis para comermos depois durante a viagem, pois ainda estava cedo para almoçar. Faltavam uns 200 km para Humaitá-AM e cerca de uns 100 km estavam sendo arrumados com as patrolas. Num certo trecho vi um caminhão cheio de madeiras e depois muitos tratores na estrada que estava cheia de pedras e de barro solto. Tive que acelerar forte e passar na marra com a carreta. Logo em seguida pegamos um trecho bom que deu para desenvolver uma boa velocidade e depois percebi que uma das balizas da carreta que segurava a voadeira havia quebrado. Pegamos mais chuva e depois poeira. Paramos na Lagoa Paraíso para ver se avistávamos algum jacaré-açu, mas as praias ainda estavam cobertas. Depois a uns 5 km de distância da Lagoa Paraíso, numa ponte sobre um rio na Transamazônica, vimos um jacaré-açu jovem nadando tranquilo. O bicho foi até ali caminhando não sei por onde. Vimos também um esquilo e uma cutia que atravessaram a estrada. Fomos chegando à balsa sobre o rio Madeira em Humaitá-AM e tivemos que esperar por 1 hora ela voltar para atravessarmos o rio. Ainda passamos na FUNAI em Humaitá-AM para pedir informações e algum contato do mais novo PARNA criado em junho passado chamado PARNA dos Povos Indígenas Tanaru que se localizava no caminho de volta para Brasília-DF. Com isso, eu ia querer passar lá e conhecê-lo. Chegamos a PV-RO às 20 horas e ainda fui deixar o Mac, seu filho e a carreta com a voadeira na casa de sua prima. Amanhã eu teria que arrumar um monte de coisas da caminhoneta e da carreta que estavam quebradas ou com defeitos. Hoje eu dirigi 300 km de terra e 200 km de asfalto. Ufa!

No final da Expedição o meu material que era tudo zero km, exceto a caminhoneta, ou seja, a carreta, a voadeira com seus acessórios e o motor de 30 hp estavam bastante danificados e apesar dos meus cuidados, percebi que o meu grupo não se preocupou muito e nem deu muita atenção em cuidar direito dessas coisas. É nisso que dá as coisas serem nossas e os outros não darem valor. Fiquei muito chateado com tudo isso e nas próximas expedições daqui para frente irei selecionar bem as parcerias.

 

SUGESTÃO:

O PARNA precisa urgentemente de placas de identificação nos seus principais rios e igarapés.

Penso que o nome correto do PARNA deveria de ser Sucunduri, pois esse é o rio-pai, que atravessa todo o PARNA, é todo navegável e recebe os principais afluentes como o Acari e o Camaiú.

O acesso pelo rio Abacaxis partindo da Transamazônica ou BR-230 deveria de ser logo desobstruído para se ter um completo conhecimento do PARNA.

 

OBSERVAÇÃO: 

As informações aqui contidas são meras experiências passadas por mim neste PARNA e em suas redondezas. Portanto, não me responsabilizo pelos riscos e problemas que possam acontecer e nem em garantir que tudo dará certo para propensos visitantes a este PARNA e as suas redondezas. Cabe a cada propenso visitante se responsabilizar pelas suas decisões e atitudes, procurando sempre um comportamento lícito e compatível com o local, com a fauna, com a flora e com as pessoas ali residentes e nativas. Além de que deverá seguir as regras do ICMBio, as regras de segurança e o uso adequado de seus equipamentos durante toda a visitação deste PARNA e de suas redondezas.