PARQUE NACIONAL CABO ORANGE

1ª PARTE

2ª PARTE

3ª PARTE

4ª PARTE

5ª PARTE

 

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

 

QUANDO IR:

Prefira ir na época em que as chuvas estiverem parando, pois desta forma aparecem mais praias e é possível avistar mais animais selvagens, ou seja, em julho ou agosto.

 

O QUE LEVAR:

Leve a autorização concedida pelo ICMBio e avise o chefe do PARNA pelo menos 15 dias antes de sua ida. Além disso, leve uma capa contra chuva, uma boa bota de cano longo (as de borracha espessa protegem tanto de picadas de cobras quanto de se molhar ao atravessar charcos e pântanos), meião ou meias especiais, esparadrapo e algodão, repelente, protetor solar, boné, óculos de sol, roupas de uso pessoal (prefira as de nylon ou de material leve), um bom GPS com as coordenadas já marcadas, power bank (carregador para aparelhos eletrônicos), lanterna de testa, aparelhos eletrônicos pessoais, barras de cereal, bananas desidratadas, uma ou outra bebida energética, produtos de higiene pessoal, etc.

A água pode ser levada em garrafões de 20 litros.

Leve um tênis daqueles a prova d’água para ficar na voadeira e ao descer nas ilhas de areia.

Leve um Específico Pessoa para amenizar eventuais picadas de animais peçonhentos para as primeiras horas.

Leve bastante comida e lanches ou acerte também almoços e jantares nas casas dos ribeirinhos por meio do seu piloteiro.

 

COMO CHEGAR:

De avião comercial para Macapá-AP e alugar um carro ou ir de ônibus ou de táxi para Calçoene-AP para conhecer a parte Sul do PARNA, depois ir para Vila Velha-AP para conhecer a parte Central e por fim ir para o Oiapoque-AP para conhecer a parte Norte do PARNA. Em todas essas cidades será preciso contratar uma voadeira com piloteiro para se chegar ao PARNA.

           

CIDADES DE APOIO:

Calçoene-AP na parte Sul e Oiapoque-AP na parte Norte. Vila Velha encontra-se entre essas duas cidades e o acesso é bastante precário. Oiapoque-AP tem uma estrutura um pouco melhor.

 

ATRAÇÕES:

Em Calçoene-AP há o rio Cunani, em Vila Velha-AP há o rio Cassiporé e no Oiapoque-AP há o rio Oiapoque de águas escuras e limpas. Cada rio tem a sua particularidade. Existem ilhas e praias no rio Oiapoque e o Ponto Extremo Setentrional Marítimo do Brasil próximo de sua foz. Nos rios Cunani e Cassiporé há a pororoca. A praia dos Búfalos (nome dado por mim) é a única do mundo onde ocorre o encontro do Cerrado com o mar. Avistamentos de animais e da flora diversificada, etc.

 

DICAS:

Não deixe de pegar autorização no ICMBio para qualquer lado que for ao PARNA.

Converse com os piloteiros e combine todos os lugares e o que fazer antes porque senão o preço pode mudar muito.

Procure ir sempre de calça e camisa manga longa de tecidos finos para se proteger do sol e dos mosquitos sem suar muito no calor amazônico.

Mesmo com a devida autorização nas mãos nunca deixe de ir acompanhado com pessoas que conheçam bem a região.

Cuidado ao entrar nas praias marítimas, pois a maré naquela região varia de uma hora para a outra e pode subir muitos metros de altura.  

           

RISCOS:

Raios, ventanias, chuvas fortes, inundações, pororocas, quedas de árvores, marés altas, lama e areia em forma de movediça, etc.

Onças, animais peçonhentos e outros animais selvagens.

Acidentes de forma geral, se perder, afogamentos, cortes, picadas, mordidas, insolações, desnutrições, intoxicações alimentares, adquirir vermes, doenças tropicais, etc.

 

DIÁRIOS:

Acordei às 3 horas da madrugada e fomos à beira do rio Oiapoque para arrumar tudo na catraia que alugamos com um velho piloteiro. Todo mundo disse que no passeio de hoje iríamos gastar uns 140 litros de gasolina e o senhor que ia nos levar disse que seriam só 70 litros. Resolvi comprar 100 litros só para garantir. Saímos bem cedo e a lua estava forte ainda. Depois presenciamos uma linda alvorada com a passarada cantando. Cruzamos por várias embarcações vindas de São Jorge do Oiapoque na Guiana Francesa e depois passamos por baixo da ponte binacional. Achei incrível um buriti resilience que mesmo torto e quase caindo no rio lutava para sobreviver. Nas margens havia muitos açaizeiros e aguapés, além de muitas aningas, que é uma planta do mangue de caule alto e na ponta possui folhas que se parecem com a comigo-ninguém-pode. Passamos também por vários buritizais. A marca da água do rio Oiapoque em suas cheias e baixas estava bem visível nessas plantas aquáticas. Passamos por várias vilazinhas, tanto do lado brasileiro quanto do lado da Guiana Francesa.  Depois de duas horas chegamos à boca do rio Oiapoque, onde ocorre a mistura água doce com o mar. Percebi que ali as águas ainda eram na cor marrom devido ao rio Amazonas porque a do rio Oiapoque é escura. Logo ali está a Ponta do Mosquito próximo de onde começa o PARNA Cabo Orange. A maré ainda estava alta o que facilitou a nossa passagem. Um bando de gaivotas nos saldou e vimos vários barcos pesqueiros. As margens por ali são bem diferentes, ou seja, com um tipo de árvore do mangue que se parece com um eucalipto, chamada de siriúbas. Super estranhas! Nos aproximamos da margem e o nosso proeiro de vez em quando ia observando a profundidade do local arremessando a âncora e a sentindo tocar no fundo. Uma revoada gigante de gaivotas menores passou por nós e parecia uma nuvem escura. Começaram a aparecer mais pássaros como garças-brancas e guarás. Vimos algumas cercas de pescadores dentro do mar. A outra península apareceu no horizonte e aos poucos fomos nos aproximando dela. Por ali se o Ponto Extremo Setentrional Marítimo do Brasil (PESMB). Um barco de pescadores estava fundeado por ali e paramos para conversar. Ele estava cheio de tainhas recém-pescadas e o dono nos deu algumas. Chegamos ao mangue vermelho e vimos alguns tralhotos (peixe com a córnea dividida em duas partes, sendo uma adaptada para o ar e a outra para a água) e alguns caranguejos-aratus. Vi um musgo verde que parecia com aquele lado verde de certas esponjas de cozinha. Pulei naquela água barrenta e com o fundo lamacento até na margem, onde o mangue se parecia com creme e caminhei por alguns metros em busca do PESMB. Meu corpo entrou na lama até no quadril e foi difícil sair dali. Depois consegui chegar exatamente onde as coordenadas diziam ser ali o PESMB. De volta ao nosso barco tive que trocar as roupas e lavar as outras que estavam repletas de lama. Depois fizemos uma volta na península do Cabo Orange e retornamos para o outro lado. Milhares de aves estavam ali se alimentando e os lindos guarás também numa verdadeira colônia. Alguns cardumes chegaram a bater na lateral de nosso barco querendo fugir das aves predadoras que por ali estavam. Mais para a frente descemos numa ilha de areia firme só para ver como era. Voltamos para a cidade de Oiapoque e chegamos às 15 horas. Sobraram 35 litros de gasolina e negociamos no pagamento da diária do nosso velho e experiente piloteiro. Passeio legal!

Já em outro dia, com todo o atraso, saímos da cidade de Oiapoque-AP às 11 horas. Às 12h30 parei para almoçarmos próximo da entrada para Vila Velha-AP. Um macaquinho-de-cheiro criado por uma nativa dali veio brincar comigo e subiu na minha camioneta. Depois percorremos uma estradinha dentro da Floresta Amazônica até a Vila Velha, onde vimos um xexéu na mata, áreas de Cerrado e alguns exemplares de nenúfares com alguns tucunarés numa lagoa. Ao chegarmos lá vimos o rio Cassiporé, o qual é bem barrento. Já estava tarde para realizarmos a expedição por ali e fui procurar um piloteiro para nos levar amanhã para conhecermos a parte central do PARNA Cabo Orange, onde eu vi na internet que existem campos ou Cerrados, e depois para irmos até a sua foz. À noite, quando caminhamos por ali na Vila Velha, vimos uma cutia. Logo de manhã, na hora de sairmos com a canoa movida a rabeta, achei interessante a técnica de descer o barco no barranco lama adentro, ou seja, uma pessoa balança a canoa e ela vai se escorregando para o rio, enquanto outra pessoa fica lá em cima do barranco controlando-a numa corda.

As construções por ali são feitas de palafitas bem altas para se protegerem da pororoca que vem diariamente desde a foz do rio Cassiporé. As suas margens são cheias de tabocas e de açaizeiros cercados pela mata. Navegamos 12 kms descendo o rio e passamos por três áreas de Cerrado ou de campos. Vimos dois tuiuiús que pareciam dois aviãozinhos de longe. Paramos na primeira área de Cerrado e vi uma cúrcuma ou açafrão-da-terra bem bonito. Voltamos para o barco e continuamos. Vimos algumas aningas e mais tabocas. Paramos na segunda área de Cerrado e vimos alguns buritis. Havia algumas casas de ribeirinhos por ali. Vimos também algumas garças-brancas e garças-mouras. Achei engraçado ao ver um cachorrinho na popa de uma outra rabeta que parecia ser o piloteiro. Paramos na terceira área de Cerrado e vi uma freirinha, mais buritis e alguns animais domésticos. Flores de feijão-bravo chamaram a atenção. Depois vimos Martins-pescadores, maçaricos e bem-te-vis-do-mangue. Continuamos e vimos alguns guarás e garças-brancas que cruzavam o rio Cassiporé numa área de mata densa. Entramos por um canal do Lago Maruani e começamos a ver vários animais, como bugio, iguana e duas cobras do tipo suaçuboias. O canal foi se estreitando, mas mesmo assim conseguimos seguir adiante até numa certa área pantanosa, onde vi um gavião-carrapateiro que e um gavião-balaio que estava espreitando um bando de guarás e de garças-brancas. Voltamos para o rio Cassiporé e vi uma flor de asarina. Passamos pela base Taperebá do ICMBio e prosseguimos. De repente apareceu um mão-pelada numa área meio barrenta e aproveitei para fotografá-lo rapidamente. Ele cavava a lama em busca de alimento. Já perto da foz do rio Cassiporé alguns maçaricos-rasteirinhos e algumas pernas-verdes-comuns apareceram. Surgiu uma certa areia ou barro vermelho logo depois em algumas partes da foz. Vi uma gaivota voando na área mais aberta da foz, ou seja, já no encontro com o mar. Algumas siriúbas surgiram também e uma águia-pescadora estava de olho num bando de guarás e de garças-brancas e pretas. Havia muitos guarás por ali e os que tinham a cara meio preta eram os mais jovens. Paramos em outro mangue-vermelho e assim como na foz do rio Oiapoque vimos alguns caranguejos e tralhotos (peixes com uma córnea para o ar e a outra para a água). Ficamos ali até mais tarde e presenciamos vários guarás e outras aves que estavam chegando para dormir naquelas bandas. Voltamos para a Vila Velha e chegamos à noite. 

Após chegarmos à Calçoene-AP, pegamos uma estradinha bem ruim rumo ao quilombo Cunani nos campos a se perder de vista. Vimos alguns buritizais e um rebanho de búfalos. Passamos o igarapé Rego Grande e vimos outros nenúfares e mais campos com buritizais. Numa certa área havia um Cerrado verde e outro que estava queimado. Passamos pelo rio Novo e vi algumas flores e sementes sobre a sua água, além de lindas plantas aquáticas. De repente apareceram alguns peixes-agulhas. Mais para frente vimos algumas marrecas-caboclas. Chegamos ao rio Cunani às 11 horas e foi preciso atravessar uma ponte pênsil de uns 80 m até a vila de mesmo nome, a qual é um quilombo. Procurei um piloteiro por ali para navegarmos pelo rio Cunani e ele disse que sabia onde havia peixes-bois de água doce. Caminhamos até a sua rabeta numa área meio pantanosa e depois fomos na direção Oeste do mesmo rio, ou seja, subindo-o. As águas do rio Cunani foram ficando mais escuras e a mata ao redor mais densa. De repente vimos um lindo peixe-boi de água doce que ainda era meio jovem segundo o nosso piloteiro. Ele apareceu rápido e só consegui tirar uma boa foto, pois depois ele mergulhou e sumiu numa parte mais estreita. Putis, valeu à pena! Voltamos para o quilombo Cunani e fomos conhecer o local. Fiquei surpreso com a estrutura bem arrumada. Havia uma igrejinha muito bem conservada e boas casas de madeira. Conversei com o piloteiro dali e fomos rumo ao lado Leste do rio Cunani até a foz do mesmo. Chegarmos a uma vila chamada União e comemos uma galinha caipira na casa de um velho pescador. Na verdade, essa vila é a união de algumas poucas casas de uma mesma família e deve ser por isso que chama União. Fomos em frente e também teríamos que respeitar a maré porque há uma corredeira que só pode ser atravessada na maré cheia. Com isso, teríamos que voltar lá para às 18 horas. O rio por ali é lamacento nesta época de verão e a predominância da vegetação nas margens desta parte sul do PARNA Cabo Orange é a de aningas e açaizeiros com floresta. Vimos alguns peixes grandes mortos, que segundo o nosso piloteiro, foi por causa da não adaptação deles a água doce, onde que os mesmos se perdiam com a maré alta. Passamos por algumas casas de ribeirinhos. Vi uma batuíra-bicuda, um maçarico-comum e uma garçinha-branca. Ao chegarmos à boca do rio Cunani ficamos impressionados com a largura da praia de cor marrom. Mais impressionados ainda foi com o fato de que ali estava uma das únicas praias do mundo, e ainda mais com a areia branca, onde o Cerrado se encontra com o mar. Caminhamos na areia branca e vi um maçarico-branco na praia Naday. Depois ao atravessamos a área fluvio-marítima vimos um peixe-boi-marinho. Caramba, hoje eu estava com sorte de ver esses bichos! Na praia havia alguns troncos e plantas que foram trazidos pelas marés naquele vasto areal. Um bacurau que estava na areia da praia foi para uma matinha rasteira e ficou quase sumido por causa do seu mimetismo. Fomos caminhando naquela vegetação rasteira, onde era Cerrado também e vimos alguns búfalos e o curral. Vi uma tarambola-dourada-americana e alguns japiins ou xexéus estavam ocupados numa linda açacuruna construindo os seus ninhos. Chegamos à casa de um nativo e ele nos recebeu super bem. Descansamos por um bom tempo e o nativo fez uma tainha assada para nós. Conversamos sobre a vida do povo daquela região. Havia umas galinhas chocadeiras em seus ninhos que achei interessante como elas ficavam ali quietinhas. A água do mar estava muito longe por causa da maré e não deu para banhar. Além de que, nesta época, a cor dela não era muito atraente. Mais tarde o nativo trouxe todos os búfalos para o curral junto com seus bezerros. Os cachorros pareciam ser ensinados e cercavam os bezerros para que eles não fugissem. Lá para às 17 horas fomos caminhar pela praia de areia marrom e vimos a carcaça de um búfalo. Saímos às 18 horas e navegamos no escuro até a camioneta. Depois chegamos à Calçoene-MT às 21 horas.

No último dia eu quis conhecer os arredores do PARNA Cabo Orange ali na região Sul do mesmo. Na beira do rio Calçoene vi um piloteiro com seu fiel amigo cachorro no seu barquinho. Depois saímos dali de Calçoene-AP e fomos adiante. Vimos algumas reses na estrada e depois outro tipo de nenúfares numa certa lagoazinha. Chegamos à praia do Goiabal, onde o Cerrado também chega até ao mar. Vimos bastante búfalos por ali e uma grande extensão de areal na maré baixa. Alguns cavalos andavam por ali e depois caminhamos por uma área bem castigada pelas ondas das marés. Algumas garças-brancas se destacavam de longe e depois caminhamos numa outra área da praia do Goiabal com mais areal e mais árvores destruídas pelas marés. Um grande incêndio estava acontecendo ali por perto. Depois vi uma fragata e algumas gaivotas. Numa certa parte, vi vários tralhotos que deram um verdadeiro show nas ondas. Engraçado que quando eles ficavam em formação parecia aqueles bandos de aves em que o líder vai na frente orientando os outros. O entardecer chegou e tirei lindas fotos daquela praia enigmática e ímpar. Na volta ainda deu tempo de passar rapidamente no Parque do Solstício, onde há a suspeita de que ali foi um observatório astronômico feito por uma civilização antiga com quase 2.000 anos atrás.

 

SUGESTÕES:

Seria importante as cidades de Calçoene-AP e de Oiapoque-AP melhorarem a qualidade dos serviços e a infraestrutura para melhor atender os turistas.

O PARNA possui muitas atrações que não são divulgadas e nem sinalizadas.

A praia do Goiabal deveria fazer parte também do PARNA devido a sua localização na foz do rio Calçoene e de sua rica fauna e flora.

 

OBSERVAÇÃO:

As informações aqui contidas são meras experiências passadas por mim neste PARNA e em suas redondezas. Portanto, não me responsabilizo pelos riscos e problemas que possam acontecer e nem em garantir que tudo dará certo para propensos visitantes a este PARNA e as suas redondezas. Cabe a cada propenso visitante se responsabilizar pelas suas decisões e atitudes, procurando sempre um comportamento lícito e compatível com o local, com a fauna, com a flora e com as pessoas ali residentes e nativas. Além de que deverá seguir as regras do ICMBio, as regras de segurança e o uso adequado de seus equipamentos durante toda a visitação deste PARNA e de suas redondezas.