PARQUE NACIONAL LAGOA DO PEIXE

1ª PARTE

2ª PARTE

3ª PARTE

4ª PARTE

5ª PARTE

6ª PARTE

7ª PARTE

8ª PARTE

 

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

 

QUANDO IR:

O PARNA pode ser visitado no inverno, quando acontece a seca entre abril a setembro para a observação de aves e trilhas. Já no verão, as chuvas são mais predominantes e com isso as lagoas ficam mais cheias.

 

O QUE LEVAR:

Leve protetor solar, boné, óculos de sol, roupas de uso pessoal (prefira as de nylon ou de material leve), um bom GPS com as coordenadas já marcadas, power bank (carregador para aparelhos eletrônicos), lanterna de testa, aparelhos eletrônicos pessoais, barras de cereal, bananas desidratadas, uma ou outra bebida energética, etc.

Leve muita água para beber.

 

COMO CHEGAR:

Chegando a Porto Alegre-RS pegue a RS-040 e depois a BR-101 rumo a Mostradas-RS e Tavares-RS.

 

CIDADES DE APOIO:

Tanto Mostradas-RS quanto Tavares-RS são as cidades que servem de base para conhecer o PARNA e ambas possuem boa infraestrutura.

 

ATRAÇÕES:

O PARNA possui dunas, mirantes, praias, lagoas, areais movediças, faróis, trilhas e avistagem de aves e de outros animais.

 

DICAS:

Não deixe de pegar a autorização do ICMBio.

Procure ir sempre de calça e camisa manga longa de tecidos finos para se proteger do sol.

Prefira ir sempre com alguém nas trilhas.

A água para beber é fundamental.

Cuidado com as areias molhadas e com as poças d’água nas estradas, pois elas costumam derrapar.

 

RISCOS:

Raios e ventanias quando chove, insolação e desidratação.

Acidentes de forma geral, se perder, areias movediças, afogamentos, cortes e arranhões, etc.

 

DIÁRIOS:

Estive neste PARNA também há vários anos. Naquela época tive que sair da abandonada Estrada do Inferno (BR-101) e passar por dentro de algumas lagoas. Lembro-me que vi capivaras, ratões-do-banhado e várias aves, como tachãs, marrecas e etc. Pela primeira vez eu tinha visto o cacto Urumbeba com suas flores. Fomos até à Barra (Foz) da Lagoa do Peixe e vi um golfinho e algumas tartarugas-marinhas mortos. Vi muitas aves marinhas por ali e uma água-viva. Depois voltamos ao Farol de Mostardas-RS, que na verdade é de Tavares-RS, para comprar mantimentos numa vilazinha para fazer a travessia até São José do Norte-RS pela praia. A Barra (Foz) da Lagoa do Peixe estava seca e pude passar por ali tranquilamente. Passei pelos restos de um naufrágio de um barco de madeira.

Já de tardinha, perto de São José do Norte-RS, de repente errei o caminho na areia da praia e fiquei atolado. O pior foi que a maré estava enchendo e o carro era muito baixo. O mar começou a tocar nas rodas do carro e eu não conseguia tira-lo dali. Não havia ninguém por perto e comecei a ficar preocupado. Por sorte avistei um carro de longe e ele foi se aproximando cada vez mais. Eram três pessoas numa camionete velha. Pedi ajuda e a salvação ocorreu a tempo, pois o mar já estava quase engolindo o carro. Graças a Deus deu tudo certo e agradeci àquelas pessoas. Logo depois passei pelo Farol do Estreito e cheguei a São José do Norte, onde peguei uma balsa para atravessar a foz da Lagoa dos Patos.

Depois de muitos anos eu estava de volta e desta vez queria registrar tudo por ali. Ontem de tardinha quando cheguei à Tavares-RS percebi que havia uma torre bem alta, cheia de curicacas naquele horário, que faziam uma algazarra danada. Achei tão interessante que parei para filma-las. O povo dali nem se incomodava com elas e à noite elas ficaram super quietas. Acordei às 7 horas, depois de ter despertado de madrugada com um pouco de insônia. Fui à padaria tomar café e perguntei para os funcionários se alguém conhecia a Estrada do Talhamar, a qual atravessa o PARNA na parte central. Vi numa dessas agências de viagens que só era possível atravessa-la de 4×4, mas sabe como é né. Uma moça ali me apresentou um senhor que conhecia outro senhor que trabalhava na prefeitura daquela cidade e que estava indo para lá naquele momento para inspecionar um serviço de trator. Perguntei se eu poderia ir com ele e já aproveitar para conhecer o PARNA ali naquele trecho, e o cara disse que sim. Arrumei rapidamente as minhas coisas na pousada e o segui. Entramos onde tinha uma placa do ICMBio e depois de um tempinho chegamos a uma outra placa indicando que ali começava o PARNA. A vista logo de começo era bem bonita, ou seja, com aquele campo verde alagado e com a presença de muitas reses e pássaros. Por ali a Lagoa do Peixe se encontra dos dois lados da estrada e existem três pontes que a interliga de um lado para o outro. Vi algumas emas e depois um siri-azul que tentava se esconder na areia molhada. Depois em uma das pontes vi algumas lontras que deram um show para eu poder fotografá-las. Voltei e entrei numa estradinha ali por perto e vi vários outros animais, como capivaras, jacarés, tartarugas, tachãs, gaviões e muitas outras aves.

Já em outro dia voltei à Estrada do Talhamar e observei que haviam mais reses nos campos e banhados. Vi também alguns cavalos que se tornaram selvagens, emas e cegonhas-brancas. Vi alguns pássaros rosados de longe e quis me aproximar deles achando que eram colhereiros. Havia também outras duas aves brancas e grandes. Tirei o tênis e entrei naquele campo alagado cheio de mosquitos sugadores de sangue. Na medida que fui me aproximando dos supostos colhereiros eu os observava pelo zoom da máquina fotográfica, até que num certo momento percebi que na verdade eram flamingos-chilenos e as aves brancas grandes era um casal de gansos-coscorobas gigantes que parecia mais com cisnes. Caramba, que fera! Essas aves só começam a vir para cá em junho e essas eram as primeiras a chegar. Registrei tudo com os mosquitos sugando o meu sangue enquanto eu fotografava. Eu não estava nem aí para eles e só pensava em fotografar os raros flamingos e os gansos. Talvez aqueles eram os flamingos que o ICMBio estudava. Voltei com os pés encharcados de barro preto e ainda fotografei algumas garças-mouras, garças-brancas, garçinhas-brancas, colhereiros, biguás e etc. A maioria dessas aves estava em partes rasas da lagoa, onde não havia saída para os peixes, e consequentemente elas estavam se banqueteando. Um carcará ficou bem perto de mim e depois vi um chimango (outra espécie de gavião, e que na verdade é um falcão). Vi outras aves e algumas delas com costumes mais marinhos do que lacustres, como gaivotas, talha-mares e piru-pirus. Observei também muitas redes de camarões e de siris do lado esquerdo da Lagoa do Peixe para quem vai em direção ao mar. Cheguei à praia do Talhamar e fiz amizade com alguns pescadores dali que me convidaram para um churrasco. Já eram 18 horas e acabei aceitando o convite. Acenderam uma boa fogueira ali dentro de um tipo de tacho grande de ferro. A lenha fez uma boa brasa e colocamos os corações, dois tipos de linguiças, fraldinhas, costelas e pães com alho para assarem. Que churrascão! Fiquei ali até às 20 horas batendo papo com aquele pessoal simples, humilde e muito hospitaleiro. Depois voltei sozinho, bem devagar para Tavares-RS e com muita atenção para não atolar e não se perder ali na Estrada do Talhamar, pois de noite era outro esquema. Lembrei-me de certa vez no PARNA Mapinguari quando estava dirigindo de noite numa estradinha cheia de lama e com água para todos os lados também, e de repente vacilei no volante porque estava correndo muito, derrapei e fui parar dentro de um canal lateral da estrada deixando a camioneta atravessada. Não consegui tira-la dali. O meu parceiro perguntou quanto faltava para chegarmos à sede do ICMBio e vi no GPS que faltavam 3 km, mas disse a ele que faltava só 1 km para ele não se desanimar. Durante aquele percurso ouvimos vários barulhos sinistros e sombrios provocados pelos animais selvagens. No outro dia por sorte apareceu outra camioneta que conseguiu tirar a minha dali em boas condições.

Hoje fui à área Nordeste da Estrada do Talhamar e da Lagoa do Peixe, onde havia alguns pescadores de camarões que me convidaram para almoçar depois. Caminhei ali naqueles lindos campos com a Lagoa do Peixe por perto. Vi cogumelos exóticos, uma frutinha laranja chamada mata-cavalo porque possui espinhos que se engolidos são fatais e muitos cactos do gênero Opuntia. Por ali havia um ninho de cochichos (passarinhos) em um desses cactos e achei bem interessante eles usarem essa técnica de proteção. Vi uma cobra com listras meio amarelas parecendo capim. Os pescadores dali me disseram que a Lagoa do Peixe se divide da seguinte forma estando de costas para o mar e na Estrada do Talhamar: À Direita: Ruivo e Velha Terra. À Esquerda: Costa, Lagamarzinho, Paiva, Cambora, Barra, Formiga, Cap. Rosa e Chica. Combinei um passeio por ali na lagoa depois do almoço e aproveitei para almoçar com aqueles pescadores um delicioso carreteiro. O pessoal por ali era super simpático e hospitaleiro. Após o almoço caminhei por ali e vi algumas ossadas de peixes e restos de siris. Voltei e caminhei do outro lado, onde levantei o meu drone e o levei até uma garça-branca. Fiquei ali um tempo conversando com os pescadores enquanto eles armavam suas redes para pegar siris. Percebi que as redes para capturar os camarões possuem uma boa estratégia com armadilhas dentro dela. A Lagoa do Peixe estava cheia dessas redes que são vistas de longe. Segundo os pescadores, o ICMBio em suas pesquisas, concluiu que os camarões entram na areia do fundo da lagoa até 1 m de profundidade. Eles me disseram que vendem os camarões e os siris até para outros países e achei isso um absurdo, mas não falei nada. Penso que por ser um PARNA já seria até demais e para lá de justo se esses pescadores pescassem só o essencial para a SOBREVIVÊNCIA deles, mas nunca para comercializar. Às 15 horas saí com um deles de rabeta sobre a Lagoa do Peixe e fomos até um de seus canais que une a lagoa ao outro lado. Vimos uma carqueja-de-bico-manchado que nesta época estava trocando as suas penas e quando nos viu quase não conseguiu voar. Perguntei para o pescador porque ali havia tantos animais domésticos, como reses e cavalos, e aí ele me disse que o ICMBio parece ter aceitado porque os animais selvagens já estavam acostumados com os domésticos e que talvez se eles não estivessem ali a paisagem e o capim estaria muito alto e mudaria todo o ecossistema. Achei interessante essa teoria, pois nunca tinha pensado nisso antes. Os cavalos, na sua maioria, eram selvagens porque os proprietários os abandonaram há muito tempo. Depois voltamos, agradeci por tudo e fui embora. Parei ali novamente na Estrada do Talhamar e esperei o sol se pôr para tirar lindas fotos.

Dormi mal de novo naquela pousadinha ruim ao lado de uma estrada barulhenta e resolvi me mudar para o único hotel da cidade. Falei com a recepcionista que iria deixar a minha mala ali e depois retornaria só de tardinha e que agora iria tomar café na padaria e que já voltaria com as minhas coisas. Aí então ela disse que eu poderia tomar o café ali mesmo no hotel sem pagar nada. Legal e o café ali era muito bom. Trouxe as minhas malas e fui novamente rumo à Estrada do Talhamar e à vila de mesmo nome. Depois de atravessar aquele mesmo trecho dos dias anteriores fui me aproximando das dunas numa parte da pista cheia de água doce e com alguns atoleiros. A camioneta do ICMBio passou por mim com uma carreta levando uma voadeira. Aí então fui caminhar com uma cadelinha dali daquela vila nas dunas ali por perto. Vi um monte de conchas, muitas plantas típicas e uma flor super estranha, ou seja, o seu formato era um perfeito “X” ou um “+” dependendo do ângulo, suas pétalas brancas pareciam ser espinhentas e o seu interior era amarelo. Um gavião-caramujeiro plainava sobre uma pequena lagoa na espreita de pegar algum bicho. Vi outro casal de gansos-coscorobas numa lagoa próxima dali cercada de dunas com sua vegetação típica. Subi uma das dunas e levantei o drone numa visão espetacular das lagoas nas dunas, do mar e da Lagoa do Peixe. O vento estava muito forte e começou a levar o meu drone. Tentei trazê-lo de volta, mas ele não vinha. Vi que não daria certo e então resolvi pousa-lo na estrada ali próximo da vila. Desci correndo a duna e fui atrás dele. Quando eu estava chegando perto, a camioneta do ICMBio estava passando por cima dele e o mesmo ficou bem debaixo dela. Creio que o motorista não o viu e ainda bem que não o danificou. Mais uma vez esse meu drone estava salvo. Voltei ao local da última duna que havia ficado e vi algumas formações diferentes esculpidas pelas intempéries que me chamaram a atenção. Depois fui na direção à várias lagoas ali existentes e no rumo das dunas mais próximas do mar. A água doce era oriunda das chuvas e ao caminhar em suas margens afundei uma das minhas pernas até o joelho. Era um tipo de areia movediça e eu estava ali sozinho. Calmamente fui saindo dali e depois caminhei com mais atenção na beira daquelas lagoas. Provei a água de uma delas e a mesma era bem doce e geladinha. Subi uma duna mais próxima do mar e fiz outra filmagem desta vez sem o drone. Vi algumas pegadas de cavalos. Engraçado que quase em todo lugar que eu ficava naquela área, o farol de Mostardas, que na verdade é de Tavares-RS, era visto de longe. Depois voltei e fui até a praia do Talhamar para ver o mar novamente. Fiquei até mais tarde ali e na volta para Tavares-RS tirei algumas fotos do ocaso e à noite da lua cheia.

Após chegar à praia do Talhamar em outro dia atravessei um trechinho de uns 200 m que estava meio ruim e acelerei bastante com cautela para não derrapar e não cair nas laterais onde se encontravam alguns canais que não paravam de correr água doce vindo das lagoas das dunas. Percorremos uns 13 km na praia e vi um osso de baleia, ruínas de casas e uma cena linda de uma águia-pescadora voando baixo por cima de uma garça-moura. Vi bastantes aves de costumes marinhos, como gaivotas, pernilongos, piru-pirus, garajaus e dois tipos de trinta-réis. Mais para frente vi um cachalote morto e algumas conchinhas. Chegamos à Barra. O local ali também é lindo e a água da Lagoa do Peixe saía lenta e tranquila. Havia alguns barrancos na lateral onde estávamos e aproveitei para fotografar e filmar bastante com o drone. Levei o meu drone até num bando de biguás que me deixou filma-lo numa boa. Lembrei-me de quando estive ali há anos e tive a “sorte” de conseguir atravessá-la porque estava numa época de seca muito forte. Fiquei sabendo que há dois anos aconteceu uma grande catástrofe por ali, ou seja, a Lagoa do Peixe havia secado quase que completamente de novo e houve uma grande mortandade de camarões, de siris e de peixes.

Após finalmente ter dormido bem e tomado um bom café ali no único hotel da cidade fui buscar um funcionário da prefeitura ali perto para irmos conhecer o lado Sul do PARNA. Apesar desse hotel ficar mais próximo da torre onde as curicacas dormiam não ouvi nenhum barulho delas. Passamos antes na Trilha da Figueira e vi um gavião-do-banhado, alguns pica-paus e flores de petúnias. Chegamos ao outro lado da Lagoa do Peixe que ficava exatamente detrás da Barra ou da Foz da mesma. Haviam até bancos ali para as pessoas se sentarem. Vi uma “mancha” de restos de camarões mortos ali na margem e não sei porque estavam ali. Não sei se foram pescados e só sobraram as cascas ou se houve alguma infecção. O funcionário da prefeitura também não soube explicar. Havia vários pássaros ali também, como colhereiros, garças-brancas, garçinhas-brancas e pernilongos. Não vi mais os flamingos. O funcionário da prefeitura disse que ali detrás da Barra, antes da criação do PARNA, havia bares e restaurantes e muitas embarcações saiam dali com peixes e com camarões rumo às cidades grandes. Voltamos ao asfalto e seguimos adiante. Entramos numa estradinha que segundo o funcionário da prefeitura cortaria bastante o caminho. Passamos por entre uma floresta de pinus, que aliás existia por todos os lados por ali. Ao chegarmos ao final dessa trilha, após enfrentarmos várias poças d’água grandes, havia uma areia muito fofa com uns 100 m de distância e achamos muito arriscado passarmos por ali num carro sem tração 4×4. Uma pena mesmo! Mesmo assim, ainda fomos caminhando até a praia. Resolvemos voltar então ao asfalto e ir na direção do caminho mais popular para a praia, o qual ficava na região de Bojuru-RS. Chegamos a esse caminho e realmente ele estava bem melhor, a não ser pela existência de várias poças d’água grandes também. No final, quase chegando ao mar, ainda pegamos um trecho de uns 50 m com a areia bem fofa também. Aumentei a velocidade e o carro começou a querer atolar, então fui fazendo um controle de embreagem na segunda marcha e aos poucos fomos saindo. Finalmente chegamos à praia de Bojuru para valer e após atravessarmos a foz de um corregozinho começamos a percorrer a praia com mais velocidade. Por ali, assim como do outro lado da Barra, havia muitas cordas que saíam das dunas até o mar, as quais seguravam as redes dos pescadores. Ao passarmos numa dessas cordas, ela estava muito alta, com cerca de uns 40 cm de altura e eu não a vi. Achei que ela fosse arrebentar a placa dianteira do carro, mas felizmente não aconteceu nada. Marquei um ponto ali no meu GPS para lembrarmos dela na volta e para passarmos mais devagar. Continuamos e enfrentamos um fenômeno chamado “mar cruzado”, ou seja, quando o vento está soprando em sentido inverso das ondas. Encontramos vários pescadores em suas camionetas 4×4 e com varas de pescar profissionais. Encontramos um grande objeto abandonado de uma embarcação que parecia uma bóia de ferro. Depois chegamos ao farol Capão da Marca de Fora, o qual tem a forma cilíndrica e era branco e vermelho. Paramos o carro na praia e fomos vê-lo de perto. Ele parecia estar em atividade ainda, porque havia uma lâmpada enorme no seu topo. A porta de ferro nos seus fundos estava trancada com cadeado. Voltamos para o carro e continuamos. Entramos na área Sul do PARNA e vimos uma cachoeirinha, alguns cavalos selvagens e uma tartaruga-marinha morta. Mais para frente vimos alguns tachãs ou inhumas e alguns carcarás comendo pequenos peixes na praia. Depois vimos os mesmos resquícios de um barco de madeira que eu tinha visto há anos e logo depois outros resquícios de uma Chata dentro do mar. Chegamos à Barra da Lagoa do Peixe depois de 50 km percorridos pela praia. Havia alguns pescadores por ali e suas casinhas mais aos fundos. Caminhamos ali um pouco, tirei outras fotos, desta vez do outro lado da Barra, e depois começamos a retornar pelo mesmo caminho. Vimos um barco de pescador que estava bem adentro no mar. Passei devagar naquele trecho da corda baixa de uma rede e chegamos à saída para a estrada de Bojuru-RS. Ao passarmos novamente naquele trecho de areia fofa de uns 50 m de comprimento o carro ficou atolado. Passei a primeira marcha e fui saindo bem devagar até que deu certo. Ufa! Depois procuramos algum restaurante aberto na vila Bojuru-RS, mas não encontramos nada. O funcionário da prefeitura ligou para uma amiga dele que possui um restaurante numa fazenda na beira da rodovia e fomos lá então. A fazenda era bem bonita e na cozinha havia um enorme fogão à lenha que a senhora dali cozinhava nele com todo prazer e alegria. Lembrei-me muito de minha mãe que agia do mesmo jeito no fogão dela na nossa ex fazenda no Goiás. A comida estava deliciosa, ainda mais para dois famintos como nós, pois já era 15 horas. Comi tanto que nem aguentei provar as sobremesas que pareciam ser deliciosas também. Ali naquela fazenda havia aluguel de cavalos.

No último dia por ali, combinei com um dos filhos de um pescador da vila Talhamar de fazermos a volta de carro pelas praias do Talhamar e de Mostardas-RS até a cidade de mesmo nome, passando por algumas vilas na beira do mar e entrando novamente no PARNA próximo da sua área marinha mais ao Norte. Logo no início da praia do Talhamar vimos um chimango e depois passamos pela estátua de Yemanjá e pelo farol de Mostardas-RS, que na verdade é de Tavares-RS, e paramos ali para fotografa-lo. Não encontramos o encarregado de cuida-lo e por isso não conseguimos entrar nele. Demos uma volta por ali, vimos várias casas e paramos para comer deliciosos pastéis de camarão que com certeza eram dali mesmo da Lagoa do Peixe. Dali para frente já não estávamos mais dentro do PARNA, porém, só no trecho praiano, pois as dunas sim faziam parte dele. Passamos por uma bonita área de camping e depois prosseguimos durante uns 20 km. Vimos várias fozes das lagoas que vinham das dunas e o mar por ali estava com uma cor meio amarronzada. Vimos um caminhão utilizado para puxar as redes de pesca, restos de um outro naufrágio e outra tartaruga-marinha morta na praia. Chegamos à vila do Pai João, a qual é bem arrumadinha e com uma capelinha bem charmosa. Depois voltamos e passamos na vila Praia Nova-RS, também conhecida como Balneário Mostardense-RS e conhecemos a sua capela da Nossa Sra. dos Navegantes. Ali era o mais completo dos povoados encontrados a beira mar naquela região e possuía uma boa infraestrutura. Depois entramos novamente no PARNA e passamos por uma estrada cheia de nascentes de água doce e por algumas dunas baixas, até que saímos na cidade de Mostardas-RS. Paramos numa daquelas enormes florestas de pinus e matei a minha curiosidade ao ver as árvores raspadas nos seus troncos e com umas sacolinhas penduradas. Faziam aquelas raspagens para extrair a resina dos pinus para a fabricação de colas. O processo era bem parecido com o que fazem com as seringueiras e eu nunca tinha visto isso antes em pinus. O cheiro era muito bom e penso que deveriam aproveitar também para fazer algum tipo de perfume ou incenso. O filho do pescador disse que na época das raspagens aparecem centenas de pessoas que trabalham o dia todo e que de vez em quando encontram cobras venenosas como a cruzeiro ali nas folhagens. Muitos daqueles pinus nasciam naturalmente e depois as pessoas só cortavam alguns para que formassem corredores de passagem. Porém, deixavam seus troncos altos que ficavam com pontas afiadas e perigosas que pareciam armadilhas.

 

SUGESTÕES:

Deveria haver um certo controle na pesca dos camarões, dos siris e dos peixes da Lagoa do Peixe e ao mesmo tempo um acordo com os pescadores nativos para que os mesmos não passem necessidades.

Postos de observação também deveriam ser criados para um melhor ângulo das aves e dos animais selvagens, assim como melhores estruturas para os turistas em todo o PARNA.

 

OBSERVAÇÃO:

As informações aqui contidas são meras experiências passadas por mim neste PARNA e em suas redondezas. Portanto, não me responsabilizo pelos riscos e problemas que possam acontecer e nem em garantir que tudo dará certo para propensos visitantes a este PARNA e as suas redondezas. Cabe a cada propenso visitante se responsabilizar pelas suas decisões e atitudes, procurando sempre um comportamento lícito e compatível com o local, com a fauna, com a flora e com as pessoas ali residentes e nativas. Além de que deverá seguir as regras do ICMBio, as regras de segurança e o uso adequado de seus equipamentos durante toda a visitação deste PARNA e de suas redondezas.