PARQUE NACIONAL ANAVILHANAS

1ª PARTE

 

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

 

QUANDO IR:

Prefira ir na época em que as chuvas estiverem parando, pois desta forma aparecem mais praias e é possível avistar mais animais selvagens, ou seja, no início do inverno.

 

O QUE LEVAR:

Leve a autorização concedida pelo ICMBio e avise o chefe do PARNA pelo menos 15 dias antes de sua ida. Além disso, leve uma boa barraca, almofada ou colchonete inflável para dormir, cobertor fino (na Amazônia há a possibilidade de fazer noites frias), capa contra chuva, uma boa bota de cano longo (as de borracha espessa protegem tanto de picadas de cobras quanto de se molhar ao atravessar charcos e pântanos), meião ou meias especiais, esparadrapo e algodão, copo e talheres dobráveis, repelente, protetor solar, boné, óculos de sol, roupas de uso pessoal (prefira as de nylon ou de material leve), um bom GPS com as coordenadas já marcadas, power bank (carregador para aparelhos eletrônicos), lanterna de testa, aparelhos eletrônicos pessoais, barras de cereal, bananas desidratadas, uma ou outra bebida energética, produtos de higiene pessoal, etc.

A água pode ser levada em garrafões de 20 litros.

Leve um tênis daqueles a prova d’água para ficar na voadeira ao descer nas ilhas de areia.

Leve um Específico Pessoa para amenizar eventuais picadas de animais peçonhentos para as primeiras horas.

Leve bastante água para se beber, pois o calor e o sol são fortes.

 

COMO CHEGAR:

De avião comercial para Manaus-AM e lá alugar um carro ou ir de ônibus ou de táxi ou de uber para Novo Airão-AM. Nesta última cidade é só contratar um piloteiro experiente e conhecerdor da região. O PARNA Anavilhanas está logo em frente de Novo Airão-AM.

           

CIDADES DE APOIO:

Sem dúvida a melhor cidade é Novo Airão-AM, porém, há poucos recursos e hotéis por ali.

Há alguns bons hotéis de selva pelas redondezas que oferecem passeios e outras atrações.

 

ATRAÇÕES:

Rio Negro, ilhas, praias, avistamentos de animais da fauna amazônica, flora diversificada, as Grutas de Madadá, a Pedra Sanduíche, artesanatos em Novo Airão-AM, etc

 

DICAS:

Não deixe de pegar autorização no ICMBio para qualquer lado que for ao PARNA.

Converse com os piloteiros e combine todos os lugares e o que fazer antes porque senão o preço pode mudar muito.

Pesquise o preço dado pelos piloteiros (piloto de barco voadeira) porque cada um oferece valores e serviços diferentes.

Procure ir sempre de calça e camisa manga longa de tecidos finos para se proteger do sol e dos mosquitos sem suar muito no calor amazônico.

O encontro com os botos-cor-de-rosa estava proibido, mas procure saber se na época que você for estará liberado, pois vale muito à pena.

Caso vá de carro coletivo escolha um motorista que não corra muito.

Mesmo com a devida autorização nas mãos nunca deixe de ir acompanhado com pessoas que conheçam bem a região.

 

RISCOS:

Raios, ventanias, chuvas fortes, inundações, desmoronamentos, quedas de árvores, etc.

Animais peçonhentos e outros animais selvagens.

Acidentes de forma geral, se perder, afogamentos, cortes, picadas, mordidas, insolações, desnutrições, intoxicações alimentares, adquirir vermes, doenças tropicais, etc.

 

DIÁRIOS:

Saímos de Manaus-AM em um barco fretado pelo hotel de selva onde iríamos ficar e passamos por baixo da ponte sobre o rio Negro ainda em construção.

Ao chegarmos a Novo Airão-AM fomos num moto-táxi conhecer a fábrica de artesanatos da cidade. São lindas peças de animais encontrados na região, como sapos, botos, tatus, entre outras feitas de madeira local.

Depois voltamos ao hotel de selva, o qual era bem rústico e feito todo de madeira local. Até a piscina ficava rodeada de madeira. O hotel possui vários atrativos, como trilhas e passeios e a comida é bem farta. À noite fomos fazer um passeio com focagem de animais selvagens e encontramos aves, cobras e preguiças.

No outro dia, acordamos cedo e fomos fazer outro passeio de voadeira (barco rápido) e vimos uma preguiça nadando e atravessando o rio Negro. Achei chocante aquela cena, porque a preguiça é muito mais ágil na água do que na terra. Vimos outra preguiça também, mas desta vez numa árvore. Havia várias árvores alagadas. Paramos um pouco para pescar e pegamos algumas piranhas. Mais tarde, curtimos um lindo pôr-do-sol sobre o rio Negro.

Hoje amanheceu chovendo, mas não nos impediu de andarmos de caiaque. Vestimos as capas de chuva e remamos por entre os igarapés (curso d’água raso na mata) e os igapós (mata inundada frequentemente em terrenos baixos) e vimos muitas árvores do tipo macaquerecuia ou castanherana alagadas. O cenário é meio estranho e misterioso e a gente fica meio assustado naquelas águas paradas e quietas. Num certo igapó encontramos um grande bando de papagaios.

Já em outro dia fomos conhecer algumas ilhas do PARNA Anavilhanas. Fizemos algumas trilhas e nos surpreendemos com uma grande samaúma chamada de Árvore Mãe. Vimos também alguns exóticos cogumelos. Vimos um lindo peixe-boi de barriga para cima numa parte com água mais clara e no meio de uns aguapés e depois uma tartaruga-da-Amazônia adulta.

No dia seguinte voltamos a Novo Airão-AM e fomos tomar banho com os botos-cor-de-rosa. Os botos são animais incríveis, delicados, meigos e dengosos e por já estarem acostumados com os turistas que por ali passavam tornaram-se animais mais dóceis ainda. Foi preciso oferecer uma panelinha de peixes para eles se aproximarem. Sua pele é bem lisa e escorregadia e eles têm mania de tocar os seus focinhos nas barrigas das pessoas. Creio que pedindo mais comida. No começo fiquei com um pouco de receio de me banhar ali no rio Negro com os botos-cor-de-rosa, mas depois vi que eles são bem dóceis e senti-me mais seguro porque dizem que os botos espantam os outros animais aquáticos, como jacarés, piranhas e arraias. É uma experiência inigualável estar ali tocando, nadando e admirando esses incríveis e inteligentes animais. Eles possuem pequenos dentes que se assemelham a pequenas serras. Percebi que os mais velhos possuem os dentes bem desgastados e com isso creio que quase não realizam mais as suas devidas funções. Além disso, sua coloração rosada parece aumentar nos seus focinhos conforme os anos vão se passando. Naquela época não era proibido tomar banho com os botos-cor-de-rosa. Ali por perto havia um jamanxim e alguns filhotes de tartaruga-da-Amazônia. Na volta vimos uma preguiça atravessando o rio Negro. Ela nada super bem e é mais rápida na água do que na terra. Muito fera!

Numa outra oportunidade, vindo de barco de Barcelos-AM, tirei lindas fotos do ocaso de um lado e da lua do outro lado. Acordei às 4 horas da manhã e tirei lindas fotos do nascer do sol passando pelo PARNA Anavilhanas com suas diversas ilhas fluviais (Anavilhanas é o segundo maior arquipélago fluvial do mundo e não entendo o porquê de terem feito um PARNA ali ao invés do arquipélago de Mariuá que é o primeiro e é perto dali). Talvez porque quisessem frear o desmatamento que vinha avançando de Manaus-AM. Dormi até razoavelmente bem na rede, apesar do frio que fez a noite e do barulho do motor do barco recreio. Também tenho um certo receio de navegar a noite porque podem acontecer acidentes fatais. A droga do barco não passou nem perto de Novo Airão-AM e com isso o jeito foi ir até Manaus-AM e de lá, eu teria que voltar de ônibus ou de lotação pela rodovia. Tomamos um bom café naquele clima de hospitalidade e respeito e finalmente chegamos às 8h30 à Manaus-AM. Tirei novas fotos e de outros ângulos da bonita ponte sobre o rio Negro, a qual é a terceira maior do país. A maior largura do rio Negro que encontramos neste trecho de navegação foi de 7 km. No arquipélago fluvial de Mariuá e de Anavilhanas a largura do rio Negro chega a 20 km e existem várias praias de areias bem branquinhas.

O barco atracou num porto meio ruimzinho e tive que descer passando em rampas de madeira carregado de malas até o estacionamento. Peguei um táxi e fomos até o início da ponte sobre o rio Negro onde há uma parada de ônibus e diversos taxistas e lotações. A porcaria do ônibus já tinha passado às 6 horas da manhã e o próximo só passaria de novo às 16 horas. Os ubers e os táxis saíam caríssimos e se juntassem quatro pessoas na lotação ficaria o mesmo preço do ônibus. Até naquele momento já havia três pessoas comigo e o jeito era esperar. Penso que existe uma certa máfia por ali, a fim de que os ônibus passem pouco.

Veio uma chuva de lascar e as minhas malas grandes e pesadas por causa da barraca, do colchonete e do saco de dormir ficaram debaixo de uma barraquinha que vendia salgadinhos. O pior é que eu estava do outro lado da avenida tentando arrumar a saída logo de uma vez de uma lotação e ainda bem que o dono da barraquinha cobriu as minhas malas com uma lona. A chuva durou cerca de 2 horas e quando voltei para as minhas malas vi que elas ainda assim molharam um pouco. Já eram mais de 12 horas e eu já estava chateado de ficar ali esperando. Conversei com o motorista da lotação e ele acabou topando levar três passageiros por um pouco mais caro. Pelo menos iríamos logo de vez para Novo Airão-AM. Alguns taxistas ficaram falando que eu deveria ir até Manacapuru-AM com eles que de lá era mais fácil arrumar uma lotação para Novo Airão-AM, mas não acreditei muito. Levei um lanche e fomos em frente. Fomos conversando e a rodovia estava boa e sendo duplicada. O motorista da lotação era doido e corria demais nas aquaplanagens e nas curvas fechadas, além de que o ar condicionado estava muito frio. Pedi para diminuir o ar e me deu vontade de descer do carro do fdp por causa de sua imprudência. O pessoal que ia comigo dentro da lotação falou muito das belezas, dos problemas e da necessidade de se ocupar a Amazônia com bons planejamentos e organização. É o que eu sempre digo que “é possível usufruir sem extinguir”. Enfim chegamos a Novo Airão-AM às 14 horas, fui logo para um hotelzinho barato e depois ainda tive que providenciar outra autorização cobrada pelo ICMBio para mais para frente ir à área do PARNA Jaú. Que tanta autorização! Contatei os piloteiros indicados pelo próprio ICMBio para combinar a excursão amanhã para os dois PARNAs, ou seja, o Anavilhanas e o Jaú. À noite ainda fui fazer compra de mercado com um dos piloteiros escolhido para realizar a excursão para nós dois por quatro dias.

Acordei às 6 horas, tomei café ali numa barraquinha, pois o hotelzinho não dava e peguei um táxi até o porto da cidade para encontrar o meu piloteiro chamado Val. Logo ali na praia central da cidade havia agora uma placa de advertência dizendo para não nadar e nem alimentar os botos. Saímos de Novo Airão-AM às 7h30, passamos num posto de combustíveis fluvial para abastecer os galões e para comprar gelo. Ainda bem que a voadeira do Val tem lona no teto para nos proteger do sol e das eventuais chuvas. Passamos na praia do Meio em frente a Novo Airão-AM. A praia estava cheia de gringos e eu estava com aquela minha camisa verde com os dizeres em branco “A Amazônia é do Brasil” e fiz questão de caminhar por ali para que todos vissem. Não sei se a gringada entendia o português, mas parece que sim, pois todos ficarão bem atentos aos dizeres. É isso mesmo temos que mostrar para o mundo que a Amazônia tem dono! A água ali na beira da praia é bem cristalina até uma certa profundidade. Logo depois passamos por algumas pedras que mais pareciam ser árvores petrificadas e ali já era área do PARNA Anavilhanas também.

Seguimos em frente passando por entre os canais do arquipélago de Anavilhanas, passamos por alguns desmoronamentos, pela praia da Bararua, pela praia do Papagaio e chegamos à praia do Camaleão que possui um areal enorme. Fiquei procurando animais para fotografá-los, como arraias, camaleões etc. Naquele momento só havia algumas gaivotas e alguns rastros de arraias na água cor de chá do rio Negro. Demos uma volta grande na praia e estava agradável porque ainda era cedo e com o sol ainda não muito forte. Tirei uma foto legal de uma gaivota com um peixinho no bico. Havia algumas árvores baixas com muitas barbas-de-velhos. Voltamos para a voadeira e seguimos por um longo caminho navegando sobre o rio Negro e observando suas ilhas, praias, pedras exóticas e paredões ou falésias. Havia uma draga por ali tirando areia do rio Negro.

Num outro dia chegamos à Pedra Sanduiche. Esta pedra é gigante e possui várias camadas imitando um sanduíche sobreposta uma em cima da outra e está bem na margem do rio Negro. Penso que deveriam dar uma boa limpada ali ao redor dela. Continuamos e fiquei impressionado com o tanto de ilhas que existe por ali. Cada uma coberta de mata e com barrancos variados. Dali mesmo partimos numa caminhada de mais de 1 km às famosas Grutas do Madadá que verdade são cavernas. A caminhada possui alguns trechos significativos de Floresta Amazônica e percebe-se que na área das grutas tudo indica que o rio Negro já passou por ali há muito tempo atrás. As grutas são bem interessantes, mas nada tão vislumbrante como outras que já conheço no nosso país. Vimos algumas pegadas de animais e alguns morcegos. Ali é cheio de musgos verdes e de alguns cipós pendurados. Em algumas pedras ficou gravada uma cor meio esverdeada não sei de que origem. Talvez dos musgos que havia nelas ou de tanta umidade. O interessante é caminhar na volta por cima dessas grutas, pois é espantoso como passamos por suas bordas superiores sem vermos o seu interior lá em baixo. Há trechos que damos um passo e atravessamos de uma gruta para a outra. Vimos alguns cogumelos exóticos. Voltamos para a voadeira e seguimos em frente. Passamos por entre alguns canais e ilhas, vimos outro grupo de ariranhas e terminamos com um maravilhoso ocaso.

Já eram 16h30 e fomos para Novo Airão-AM onde paramos na mesma praia que havíamos partido na ida. O Val foi pra casa dele e eu caminhei até a pista com a bagagem, onde chamei uma moto-táxi. Percorri cerca de 1 km na garupa da moto-táxi carregando perigosamente toda a bagagem e chegamos ao hotel. Percorremos 150 km de voadeira no dia de hoje.

Percebi que a fauna e a flora estão bem preservadas por ali e há lindas praias em Novo Airão-AM e em suas proximidades. O artesanato dali também possui lindas peças.

           

SUGESTÕES:

O PARNA poderia permitir novamente que os turistas nadem com os botos cor-de-rosa e sempre com o acompanhamento de um guia cadastrado e experiente.

Seria importante a cidade de Novo Airão-AM melhorar a qualidade de serviços e a infraestrutura.

Seria importante incorporar ao parque outras atrações próximas como as Cavernas de Madadá, a Pedra Sanduiche e algumas Pedras Exóticas ali por perto.

Deveria ter mais transportes terrestres e com mais qualidade oferecidos desde Manaus-AM a Novo Airão-AM.

 

OBSERVAÇÃO:

As informações aqui contidas são meras experiências passadas por mim neste PARNA e em suas redondezas. Portanto, não me responsabilizo pelos riscos e problemas que possam acontecer e nem em garantir que tudo dará certo para propensos visitantes a este PARNA e as suas redondezas. Cabe a cada propenso visitante se responsabilizar pelas suas decisões e atitudes, procurando sempre um comportamento lícito e compatível com o local, com a fauna, com a flora e com as pessoas ali residentes e nativas. Além de que deverá seguir as regras do ICMBio, as regras de segurança e o uso adequado de seus equipamentos durante toda a visitação deste PARNA e de suas redondezas.