PARQUE NACIONAL BOA NOVA

1ª PARTE

2ª PARTE

 

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

 

QUANDO IR:

Prefira ir no calor, apesar das chuvas de verão. A temperatura das águas estará bem melhor para se tomar banho nas cachoeiras e nas corredeiras, pois no inverno esfria muito.

 

O QUE LEVAR:

Leve a autorização concedida pelo ICMBio e avise o chefe do PARNA pelo menos 15 dias antes de sua ida. Além disso, leve uma boa bota de cano longo (as de borracha espessa protegem tanto de picadas de cobras quanto de se molhar ao atravessar charcos e pântanos), meião ou meias especiais, esparadrapo e algodão, repelente, protetor solar, boné, óculos de sol, roupas de uso pessoal (prefira as de nylon ou de material leve), um bom GPS com as coordenadas já marcadas, power bank (carregador para aparelhos eletrônicos), lanterna de testa, aparelhos eletrônicos pessoais, barras de cereal, bananas desidratadas, uma ou outra bebida energética, produtos de higiene pessoal, etc.

Leve um Específico Pessoa para amenizar eventuais picadas de animais peçonhentos para as primeiras horas.

Leve também roupas de banho e um casaco para eventuais noites de vento fresco. No inverno é preciso levar casacos mais fortes e robustos e os banhos nas cachoeiras são mais raros.

 

COMO CHEGAR:

Chega-se ao PARNA por vários caminhos. De Salvador-BA até Boa Nova-BA são 445 km pela BR-116 ou 370 km por Itaparica-BA, BR-101 e algumas BAs.

           

CIDADES DE APOIO:

Boa Nova-BA é a mais próxima e por isso mesmo o PARNA tem o seu nome. A cidade é pequena, mas oferece boa estrutura para o turismo.

 

ATRAÇÕES:

Há lajedos, cachoeiras, corredeiras, mirantes, birdwatching (observação de aves), etc.

Na cidade há o patrimônio arquitetônico, manifestações culturais, eventos e festas.

 

DICAS:

Não deixe de pegar autorização no ICMBio para qualquer lado que for ao PARNA.

Procure ir sempre de calça e camisa manga longa de tecidos finos para se proteger do sol e dos mosquitos.

Nunca deixe de ir acompanhado com guias que conheçam bem a região.

Prefira ir em um carro 4×4 por causa das serras e fortes subidas.

                       

RISCOS:

Raios, ventanias, chuvas, quedas de árvores, desmoronamentos, etc.

Onças-pardas, animais peçonhentos e outros animais selvagens.

Acidentes de forma geral, se perder, quedas, cortes, picadas, mordidas, etc.

 

DIÁRIOS:

Chegamos à Boa Nova-BA e aproveitamos que estava cedo ainda e demos uma volta pelas estradas da área Sudoeste do PARNA por entre alguns morros. O tempo estava meio chato, ou seja, chovia, chuviscava, parava um pouco e voltava tudo de novo. Parece que depois o sol iria predominar. Vimos algumas corujas-buraqueiras e voltamos para Boa Nova-BA para almoçar. Às 14 horas fomos logo em seguida procurar o chefe do PARNA para nos dar autorização de visita-lo. Lá mesmo ele arrumou um guia experiente que conhece bem a região. Eu nem acreditei, mas o chefe daquele PARNA falou que tinha ido ao Marco 11A de 2007 lá no Monte Caburaí, em Roraima. Ele descreveu bem a região de e trocamos bons papos. Ele disse que fez parte daquela expedição que foi de helicóptero a cerca de anos atrás para recuperar os marcos, medir a altitude, etc. Disse que um dos marcos se afundou no pântano existente em cima do Monte Caburaí. Eu falei da expedição que fizemos a cerca de anos atrás e que agora em março eu iria de novo, e ele confirmou que de fato nunca mais ninguém tinha ido para lá a pé. O exército parece ter tentado uma vez e a pé, mas se perdeu nos pântanos e teve que voltar. Eu quero ir desde a última ocupação humana ligada às estradas até o Marco 11A de 2007 caminhando. Deus me ajude que dê tudo certo. O chefe daquele PARNA acredita também que o Rondon não conseguiu chegar àquele ponto extrema norte, mas sim talvez ao Marco 11, o qual está a alguns kms antes do 11A de 2007. 

Boa Nova-BA é uma cidadezinha de 5.000 habitantes, bem limpa, organizada e com um povo bem simpático. No PARNA encontra-se um passarinho em extinção e endêmico daquela região, chamado Gravatazeiro. Deixamos as coisas numa pousada e saímos com o nosso guia. O dia hoje estava todo nublado e caiu uma chuva de lascar. Mesmo assim saímos para dar uma volta na esperança da chuva diminuir. O guia já foi caçador da região e conhece tudo por ali. Diz que em um ano ele viu oito onças-pardas. Tomara que a gente também tenha essa sorte. Ele nos disse que na época de São João há vários festejos e a gente pode comer de graça qualquer tipo de comida junina em qualquer lugar, ou seja, tanto na cidade quanto na zona rural. Disse também que a cidade recebe muitos ornitólogos e fotógrafos de pássaros (birdwatching) do Brasil do mundo, pois aqui existem várias espécies endêmicas. Das 1.840 espécies de pássaros do Brasil, 800 estão na Bahia e 440 estão no município de Boa Nova-BA. Os próprios donos das terras que serão indenizadas estão a favor de receber a grana para se retirarem da área. O interessante é que eu ainda não tinha visto que todo o PARNA é cercado de Refúgios da Vida Selvagem (PVS), os quais são outra categoria de Unidade de Conservação, onde o proprietário das terras não recebe indenizações, porém podem continuar vivendo ali, sendo que não pode desmatar a natureza. O município tem tudo para se dar bem no futuro, com o turismo ecológico, etc, pois além da enorme variedade de pássaros da região, ainda existem muitas cachoeiras, lajedos, pinturas rupestres, mirantes, etc. 

Formos em direção ao Lajedão e passamos por um lixão de lascar, o qual será todo transportado para o lixão de Jequié-BA, pois lá a coleta é seletiva. Passamos antes numa tal de Mata de Cipó. Esse tipo de vegetação se parece com a Caatinga, porém, as árvores são mais altas e sem espinhos. O PARNA possui três tipos de biomas, ou seja, a Mata Atlântica, a Caatinga e a Mata de Cipó e ainda existem alguns pequenos focos de Cerrado. Naquele novo bioma que eu estava conhecendo vimos uma linda borboleta laranja e depois, com muita sorte, vimos o raro gravatazeiro. Fiquei muito contente. Chegamos ao Lajedão e demos uma volta nele, o qual está cheio de bromélias, orquídeas, canelas-de-ema, coroas-de-frade, quaresmeiras, jacarés, quixabeiras, flores, líquenes, gravatás, etc. Vimos uma Sabrina ou tucandeira (espécie de formiga com uma picada que provoca febre e muito dolorida), uma bacuratinga e alguns insetos. Realmente um local muito bonito e com a paisagem cercada de morros aos fundos de se perder de vista. No local também há alguns resquícios de uma antiga exploração de granito ou de pedreira. Fiquei impressionado com os cortes nas pedras feitos por um tal maçarico gigante a diesel, sendo que depois se usavam dinamites para deslocar as rochas. No local ainda se encontra o antigo maçarico e algumas pedras enormes cortadas maiores que a minha camioneta extraídas do Lajedão. Ainda bem que tudo foi abandonado e fechado. Nesse Lajedão vimos também um monte de beija-flores e o guia nos disse que há outro lajedo que geralmente aparece cerca de oito tipos diferentes desse pequeno pássaro. Logo em seguida fomos ao lajedo da Águia-chilena. Vimos uma coroa-de-frade com duas cabeças, o que é muito raro, e uma planta esquisita que eu não sabia se era um cacto, um musgo ou sei lá o que. Uma águia-chilena ou águia-serrana apareceu no horizonte voando e ainda consegui colocar um zoom nela. O nosso guia disse que já chegou a ver os filhotes dela ali num certo ninho na beira do penhasco.

Voltamos para Boa Nova-BA e seguimos rumo a uma área de Refúgio da Vida Silvestre. Vimos muitos pés de mandacaru gigantes, umbuzeiros, umburanas, paus-ferros, etc. Um desses mandacarus o nosso Guia calculou pesar umas 4 toneladas e com uma idade de 200 anos. Caminhamos pela área e encontramos um mandacaru com frutas. Logo depois vimos dois jumentos brigando.

Já em outro dia acordamos às 6h30, tomamos café, vimos que o dia amanheceu melhor. O nosso guia disse que desde novembro do ano passado não caía uma boa chuva e a agricultura e a pecuária da região já havia perdido 70% da sua produção. Fomos rumo à uma cachoeira, a qual está bem ao lado da estrada, que vai para a Ipiaú-BA (terra da mãe). Paramos a camioneta e caminhamos cerca de uns 500 metros, conhecendo toda a cachoeira das Três Cachoeiras. Essa cachoeira é bem bonita, possui um esquibunda longo, tipo uns 100 metros. Possui também um sumidouro com uma ressurgência a uns 10 metros à frente e vários degraus de quedas. Fizemos um lanche ali numa área ideal para pique-niques e depois exploramos mais o rio acima. Logo fomos em direção a outra cachoeira. Passamos por uma área super linda, com morros de pastagens de Pioneiras (tipo de vegetação com samambaias parecida com a Morumbuca do PARNA Descobrimento, porém em morros) e por alguns lajedos menores. A cachoeira Sete de Setembro é vista de longe e sua beleza impressiona. São duas quedas principais e algumas pequenas ao lado. Sua altura chega a uns 90 metros. Perto dali havia uma carniça de vaca do lado direito e outra do lado esquerdo. Vimos três urubus-reis e tiramos boas fotos. Caminhamos 2 km até a cachoeira e ao chegar na cachoeira eu estava super suado e resolvi tomar um bom banho.

Depois de muitas fotos voltamos para o carro e seguimos para a área Sudeste do PARNA, onde há alguns morros. Deixamos a camioneta na beira de uma mata, vimos uma árvore com todas as folhas na cor laranja e vimos também uma planta chamada de Malícia, a qual  fecha as suas folhas ao ser tocada. O nosso guia disse que é o melhor jeito de saber se alguém passou por ali, já que ela continua fechada por cerca de duas horas. Vimos também alguns frutos de quixabas. Continuamos caminhando e subimos um morro. Lá no alto tirei boas fotos do horizonte.  

Voltamos para a camioneta e entramos após uma região chamada de Altamira-BA à direita. Vimos mais morros cobertos de samambaias e uma polícia-inglesa-do-sul, ou seja, um passarinho preto e vermelho com um risquinho branco na sua cabeça. Continuamos e chegamos ao Lajedo dos Beija-flores. Este lajedo é o maior da região, ou seja, possui 30 hectares de área. Incrível, vimos cerca de cinco espécies diferentes de beija-flores. Todos iam nas flores do cacto coroa-de-frade para sugar o seu néctar. Chegamos a até 60 cm de distância dos beija-flores para fotografá-los. Cada um é mais lindo do que o outro. Há uns na cor verde, na cor azul brilhante, que chega a ofuscar a vista, outro é azul escuro, outro é nanico, outro tem o peito vermelho, etc. O nosso guia nos disse que os gringos fotógrafos de aves gritam de alegria quando chegam ali naquele lajedo. Vimos também outras Sabrinas ou tucandeiras e várias espécies de musgos e líquenes. Depois de um bom tempo, ali no lajedo fomos rumo à área Noroeste do PARNA numa rápida volta onde havia um mirante.

Voltamos para Boa Nova-BA, compramos um lanche e fomos, quase no final do dia, a dois mirantes. Chegamos num ponto bem alto, onde a camioneta não podia ir mais para frente. Deixamos ela ali e caminhamos cerca de 2 km até o mirante Maior da Antena. A trilha era cercada de samambaias gigantes que pareciam com as do filme Jurassic Park e com as do filme 10 mil anos antes de Cristo. Dava a sensação de que a qualquer momento iria aparecer um veloceraptor ou um Dôdo para nos atacar como nesses filmes. A vista dali era espetacular. A casinha sozinha na imensidão deu um ar total de isolamento. Depois de voltarmos fomos a um outro mirante logo à frente. Já era 18 horas quando chegamos ao mirante Menor da Antena ou do Morro do Inglês. A vista dali também era espetacular e se parecia muito com aquela região do PARNA Vale do Itajaí em Santa Catarina, porém, mais aberta e limpa. A vista de Boa Nova-BA foi perfeita dali e a cidade tem o formato de um cavalo. Lá do mirante dava para a ver a camioneta bem distante, tipo a uns 3 km de distância. Já estava quase escuro e decidimos voltar por uma estradinha de uma fazenda porque na mata era mais perigoso. Descemos rapidamente pela estradinha e logo chegamos à estrada principal. Passamos por um mata-burro na quase escuridão e vi uma jararaca na estrada. Falei para o nosso guia: Pára! Ele caminhou mais uns centímetros e gritei de novo para ele parar. Por pouco a jararaca não o mordeu. Já é o segundo guia que eu salvo de uma mordida de cobra. O outro foi no PARNA Chapada dos Guimarães no MT que vinha too distraído e graças a mim, por pouco uma cascavel não o mordeu no pescoço. Subimos um morrão e logo chegamos à camioneta. Fiz a volta na camioneta e regressamos à Boa Nova-BA. Hoje foi foda, ou seja, das 7 às 7!

Amanheceu um dia bonito e após termos nos despedido de nosso simpático guia ontem à noite, hoje iríamos embora dali rumo ao litoral baiano. Porém, antes ainda passaríamos dentro do PARNA Boa Nova novamente e por outro caminho, ou seja, rumo às cachoeiras do Olindino e do Roseno e saindo numa estrada de terra rumo a Jequié-BA. Entramos novamente na região de Altamira-BA e passamos por lindas matas onde havia várias árvores com flores amarelas e muitos morros. Depois de cerca de 20 km numa estradinha cheia de curvas chegamos à cachoeira do Olindino, a qual é alta e bem bonita. Logo depois chegamos à cachoeira do Roseno que é bem espaçosa e mais larga. Tomamos um delicioso banho ali, lanchamos um pouco e seguimos adiante.         

 

SUGESTÕES:

Deveria de ter mais trilhas e bem sinalizadas em várias áreas do PARNA. Os ingressos em alguns lajedos deveriam ser mais baratos.

 

OBSERVAÇÃO:

As informações aqui contidas são meras experiências passadas por mim neste PARNA e em suas redondezas. Portanto, não me responsabilizo pelos riscos e problemas que possam acontecer e nem em garantir que tudo dará certo para propensos visitantes a este PARNA e as suas redondezas. Cabe a cada propenso visitante se responsabilizar pelas suas decisões e atitudes, procurando sempre um comportamento lícito e compatível com o local, com a fauna, com a flora e com as pessoas ali residentes e nativas. Além de que deverá seguir as regras do ICMBio, as regras de segurança e o uso adequado de seus equipamentos durante toda a visitação deste PARNA e de suas redondezas.