PÁGINA EM CONSTRUÇÃO

PARQUE NACIONAL FERNANDO DE NORONHA

 

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

 

QUANDO IR:

Depende do que se deseja fazer. Por exemplo no verão é bom para surfar, para curtir os eventos e as festas nativas e para caminhar nas trilhas porque o clima estará mais seco, na primavera é bom para praticar mergulho, no outono as coisas são mais baratas e o clima mais ameno e no inverno o sol é presente o mar está mais calmo. 

 

O QUE LEVAR:

Leve roupas leves, protetor solar, boné, óculos de sol, repelente, tênis para as trilhas longas, chinelos e roupas de banho.

É bom levar também um casaco leve para as eventuais noites com ventos mais frescos.

Leve também lanternas e pilhas para alguma caminhada à noite óculos de mergulho e se puder snorkel e pé-de-pato. 

Garrafinha para líquidos.

Leve esparadrapos e algodões para se evitar eventuais bolhas.

Leve e use um GPS.

Leve um power bank para carregar as baterias dos eletrônicos.

Os remédios também são um item importante, pois pode ser que não haja no arquipélago.

 

COMO CHEGAR:

De avião comercial saindo de Recife-PE ou de São Paulo-SP.

           

CIDADES DE APOIO:

No próprio arquipélago existem vilas com toda infra estrutura, apesar de que os preços são muito caros.

 

ATRAÇÕES:

Há diversas atrações, como mergulhos, praias, esportes praianos, caminhadas, trilhas, morros, grutas, passeios, luares, mirantes, piscinas, gêiseres, avistar golfinhos e a fauna local, etc.

 

DICAS:

Alugue uma moto para se locomover mais rápido e melhor pela ilha.

Cuidado com os tubarões ao mergulhar, procurando estar sempre ao lado de outras pessoas ou de outros mergulhadores.

Agenda com o projeto TAMAR para participar da marcação ou da desova das tartarugas-marinhas.

Deixe congelando na pousada alguma bebida para levar nas trilhas e caminhadas no dia seguinte.

 

RISCOS:

Raios, ventanias, chuvas fortes, inundações, deslizamentos, etc.

Tubarões, arraias, moreias, entre outros animais selvagens.

Acidentes de forma geral, se perder nos mergulhos, afogamentos, cortes, insolações, etc.

 

DIÁRIOS:

Hoje pretendemos chegar ao PARNA Fernando Noronha. Já faz 20 anos que tenho vontade de conhecer esse lugar e me lembro que antigamente só se chegava lá de barco ou nos voos militares. Saímos de Teutônio Vilela-PE às 7h30 e seguimos rumo à Recife-PE. Desta vez foi super fácil chegar ao aeroporto dessa cidade, pois usamos o GPS e parece que andaram colocando mais placas de sinalização.

Chegamos cedo ao aeroporto, ou seja, às 11h30 e o nosso voo só sairia às 13h50. Deixei a camioneta no estacionamento do aeroporto, onde terei que pagar na volta de Noronha 20 reais por dia. Almoçamos, descansamos um pouco e partimos no avião rumo à Noronha.

O arquipélago de Noronha está a 300 km do continente e a viagem durou 1h20. Sorte que o tempo estava bom e ao chegarmos em Noronha deu para ver todo o arquipélago lá de cima. A propósito o visual é estonteante. Tivemos que pagar as caríssimas taxas ambientai e fomos logo recepcionados pelo motorista de nossa pousada, que nos conduziu até ela. Logo que você chega ao aeroporto te oferecem um montão de pacotes turísticos pela ilha. Pode-se também alugar um buggy para conhecer com mais calma as partes da ilha, porém a diária é um pouco salgada. O aluguel de uma moto parece bem melhor.

A gasolina estava a 4 reais o litro por ali. A água sofre o processo de dessalinização. Recentemente foi instalado um moinho de vento para produzir energia elétrica, mas por enquanto essa energia eólica só atinge 10% da capacidade elétrica do local.

A dona da pousada nos atendeu muito bem. Logo ali pertinho tinha quase tudo como mercadinho, farmácia, restaurantes, lanchonetes, lojas de turismo e alguns pontos turísticos. Achei que a Vila dos Remédios fosse mais limpa e organizada, porém parece que a maior beleza do local está mesmo nas suas atrações naturais.

Fiquei sabendo que podemos agendar com o projeto TAMAR para participar da marcação ou da desova das tartarugas-marinhas. Essa não vou perder! Logo que chegamos na pousada fomos recepcionados pela dona e pelos seus cinco bichanos.

Acordamos oito horas do horário do arquipélago, ou seja, aqui é uma hora a menos e, com isso, ficou igual ao horário de Brasília. Pegamos o ônibus, o qual demorou mais de uma hora para passar e fomos para a praia da Cacimba do Padre, onde há o cartão postal natural do arquipélago, ou seja, os Morro do Dois Irmãos. Do ônibus dá para ver o Morro do Pico ao lado da gente o tempo todo, o qual é o local mais alto da ilha e do arquipélago e parece que dá para subi-lo.

Da parada do ônibus até a praia a gente tem que caminhar uns 500 metros. Caramba, que água linda! Isso não é um mar, mas sim um MARavilhoso. A água cristalina é uma mistura de tons verdes e azuis, sendo ambos claros e escuros. Nos banhamos do lado esquerdo da praia, onde havia muitas fragatas e gaivotas brancas. Depois fomos para o lado direito da praia e caminhamos até a Bahia dos Porcos, pois da praia da Cacimba do Padre não dá para ver bem a separação dos Morros dos Dois Irmãos. Continuamos mais um pouco adiante e chegamos numa pequena lagoa nas pedras. Aliás, as pedras daqui são todas escuras de origem vulcânica. Há milhões de anos atrás, acreditam que existiu um vulcão submerso, que começou a criar o arquipélago de Noronha, o qual formou 21 ilhas. 

Fui em frente para procurar um ângulo melhor dos Dois Irmãos. Passei por um ninho de uma linda ave branca super esquisita, ou seja, parecia uma arara misturada com um pterossauro, pois ela possui um rabo. Estranhona! Depois segui por uma trilha superdifícil e desci uma área de pedras soltas com folhas secas. Subi um morrinho e cheguei num ninhal, onde havia um monte de viuvinhas e atobás, ambos com seus filhotes.

No local havia umas árvores super esquisitas, parecendo-se com barrigudas secas. Aliás, todo o arquipélago que estava seco nesta época e a dominância da vegetação é a catinga misturada com o agreste. A dona pousada nos disse que já não chovia por ali há mais de um ano, e que a época das chuvas é de abril a maio de cada ano.

Tirei fotos super feras do local e ainda consegui chegar de um lado, que se avista os Dois Irmãos perfeitamente separados no seu meio e nas suas extremidades. Neste trecho há uns penhascos bem altos, e qualquer vacilo ali você cai de uma altura de uns 10 metros diretamente no mar ou nas pedras lá embaixo. Porém, vale a pena o risco, pois além da vista maravilhosa ainda se pode ver uma pedra furada em um dos Morros dos Dois Irmãos. Aliás, esses dois morros ficam cheios de aves marinhas. Voltei pela encosta e avistei a praia do Sancho e suas falésias e também um monte de mocós. Estranho como esses roedores chegaram até aqui, pois o continente está a 300 quilômetros de distância. Fazia um calor de lascar e fiz a volta na encosta para não pegar a trilha que abri entre as pedras soldas. Reencontrei a trilha normal e fui voltando aos poucos para a piscina onde estava antes. Vimos também um monte de lagartixas endêmicas do local que se parecem com cobras pequenas. Elas são bem tranquilas e simpáticas. Uma delas veio dar uma mordidinha de leve no meu dedo. Há também um passarinho parecido com o pardal e com o tico-tico. Além de rolinhas cinzas. 

Depois que voltamos da exploração almoçamos numa barraquinha ali por perto e fomos descansar na base de um paredão com a areia da praia onde havia uma boa sombra. Assim que descansamos um pouco entrei no mar e o mesmo estava super agitado com ondas de até 2 metros de altura. Quebrei as ondas e passei por cima delas, e me lembrei de quando eu era moleque lá em Guarajuba-BA. Havia 20 sufistas ali por perto de mim e cheguei ao lado deles. A praia encheu de gente por causa do fim de tarde e depois voltamos pelo caminho de terra até o ponto de ônibus. Medi no meu GPS que são mais ou menos 8,5 km da praia da Cacimba do Padre até a praia do Sueste caminhando pela praia. Me deu uma vontade louca de fazer essa trilha pela praia, porque essa área está toda dentro do PARNA de Noronha. Há outra área também que está dentro do PARNA que vai da praia do Sueste até a praia do Buraco da Raquel, onde calculei que tem uns 17 km de praia.

Hoje o dia foi espetacular, as 8 horas um cara veio deixar a moto que alugamos aqui na pausada. Tomamos café e fomos ao ICMBio. Fomos atendidos super bem pela Carol e pela Simone. Elas aceitaram o meu projeto fotográfico e nos livraram da taxa de visitação do PARNA de R$ 65,00 por pessoa. A Carol me disse que os mocós foram trazidos para servir de caça e que aquela lagartixa que vimos antes se chama Mabuia, devendo ter vindo por meio dos destroços oriundos do continente há muitos anos atrás. Tanto a Mabuia quanto aquela ave que se parece com uma arara misturada com pterossauro, chamada de rabo-de-junco são endêmicas da região. Assim como a árvore Ficus Noronhaes, a qual é parecida com a barriguda. Fiquei sabendo que a Mabuia entra nos armários das casas dos ilhéus e nas mochilas dos turistas procurando comida. Fomos ao mirante da Praia do Sancho, onde a vista é espetacular. Passamos no forte São José Batista e caminhamos até o mirante dos Dois Irmãos, onde eu visitei todo o trajeto que fiz ontem lá por baixo. Somente daqui de cima desse mirante é possível ver uma piscina natural escondida num recife alto. Fotografei por cima os ninhais de atobás e de viuvinhas e depois descemos as falésias de mais 50 metros de altura até a praia por meio de escadas de metal e de cimento. Mergulhei no mar e fotografei um cardume gigante de sardinhas, de alguns peixes azuis e uma tartaruga marinha. Almoçamos um sanduba ali mesmo na praia, descansamos um pouco e voltamos para irmos à praia do Sueste. Já na praia do Sueste presenciamos a captura de uma outra tartaruga marinha pelos pesquisadores do Projeto Tamar, onde ela foi catalogada, examinada e trocado o seu anel de marcação. Fomos nos banhar na praia e vimos cinco tubarões ainda meio filhotes. NADAMOS COM OS TUBARÕES! Foi super legal, pois eles passaram bem de perto da gente. Um casal que já havia ido na praia da Atalaia, onde é o point dos mergulhadores de snorkel nos disse que viram mais bichos marinhos aqui no Sueste do que lá. Lanchamos ali mesmo numa lanchonete super bem organizada e depois fomos ao outro lado da ilha. Aliás, essa parte pertencente ao PARNA é super bem organizada. Coisa de primeiro mundo, com passarelas feitas de material reciclado, placas informativas para todos os lados, banheiros, lojinhas de lembranças, lanchonetes, etc. Tudo isso está conveniado com esse o ICMBio. Chegamos à praia do Buraco da Raquel, o qual é um túnel no meio de um morrinho na beira da praia feito pelo mar durante milhares de anos. Desci um outro morrinho e subi no Buraco da Raquel. De lá de cima tirei fotos espetaculares. Há um farol logo à frente em uma das ilhas do arquipélago e um outro morro ainda mais alto. 

Voltamos com a nossa moto alugada e fomos numa igrejinha super bonitinha no alto de outro morrinho. Quase que caímos da moto por causa da subida bem íngreme. Um outro casal que vinha subindo o morrinho da igreja de moto, vimos quando a mulher desceu e o cara subiu sozinho. Já um outro casal que também vinha de moto, o cara não conseguiu controlar a moto, foi derrapando e descendo de lado até que escorregou nas pedras e a menina que vinha na garupa dele levou um tombão bravo, caindo de bunda e depois de costas nas pedras. Logo eles desistiram de subir o morrinho e parece que foram ao hospital. Eita reta subidinha lascada! Lá de cima deu para ver o encontro do mar de dentro com o mar de fora como são chamados por aqui. As ondas vêm de todos os lados nesta área e ao se chocarem de frente formam uma parede bem alta de água. Os morros e as falésias erudidos pelas ondas são um espetáculo à parte e as pedras vulcânicas nas praias chamam muita atenção.

Voltamos em direção do porto e entramos no mesmo. Este porto também tem aquelas pedras gigantes, lembrando os moles em Rio Grande-RS e a fronteira do Brasil com o Uruguai na praia do Arroio Chuí. A vista do Morro do Pico, o qual é o local mais alto do arquipélago foi muito bonita por causa da união do por do sol com os barquinhos.

Voltamos para a pousada às 18 horas. Amanhã iremos fazer uma trilha de 8 km da paia do Sueste até a praia do Sancho a pé. Vai ser show!

Eu gosto do turismo praiano assim dessa forma, ou seja, com muitas atrações para se ver e com muita coisa para se fazer.

Hoje o dia foi fera demais. Acordamos às 6 horas e às 7 horas já estávamos lá na praia do |Sueste para iniciar a trilha. Deixei a moto na chegada da trilha perto do Sancho e voltei com o nosso guia para o início da trilha no Sueste. Caminhamos até a praia do Leão onde se encontram os Morros das Viuvinhas e do Leão, que mais se parecem com uma baleia cachalote de um lado e com um hipopótamo do outro. Depois do areal andamos 3 km por cima das pedras vulcânicas. Valeu à pena porque essa parte da trilha é super difícil de se andar e com isso poucas pessoas se aventuram por aqui, proporcionando mais chances de se avistar animais selvagens. Tem pedra de todos os tamanhos e a maioria delas dá a impressão que foram derretidas. Coisa de outro mundo! Tipo o Monte Roraima-RR. Vimos um caranguejo gigante chamado centolla. Pegamos o bicho com todo cuidado por causa de suas pinças gigantes e depois o soltamos. O visual é incrível e a todo momento eu parava para tirar fotos. De repente vimos uma moreia entre as pedras. A bicha ficou toda curiosa e entrava por debaixo de uma pedra e saía por outra. Ela ficou me encarando o tempo todo e se aproximou de mim. Aproveitei e tirei boas fotos dela e no momento que bati a minha mão na pedra, ela apareceu feito louca e me mordeu. Caramba que susto! Ficaram duas marquinhas de dente de um lado e do outro no meu dedo. Ainda bem que ela não era venenosa. Continuamos a caminhada e passamos por um trecho super bonito com os morros de pedra vistos de um lado e com o mato alto e seco, chamado de capim-açu, visto do outro lado. De longe avistamos uma fenda no morro e o nosso guia disse que lá é a gruta do Capim-açu. Por sorte a maré ainda estava baixa e com isso aproveitamos para passar pelas fendas das pedras grandes. Chegamos à gruta e ficamos impactados com a beleza e com a grandiosidade do local. A gruta é tipo um túnel como o do Buraco da Raquel. Porém, muito maior, com pedras rosadas e com muito mais água. Nadamos um pouco ali numa piscina natural. Na piscina existem vários peixinhos coloridos e a todo momento eles vinham nos morder. Porém, só de leve. Havia um casal de atobás bem perto de nós e outro de rabos-de-junco. Bebemos bastante água ali e depois começamos a subir o morro por uma trilha definida. Muita gente vai conhecer essa gruta por esse caminho e não passam pela parte que fizemos sobre as pedras. O visual lá de cima do morro é impressionante. Tiramos várias fotos e seguimos em direção ao farol da Sapata. A subida é meio puxada mas logo chegamos ao farol. Andamos mais um pouco e paramos no mirante logo ali perto. Dali dá para ver os Morros dos Dois Irmãos bem de longe, o Morro do Pico e muitos ninhais de albatrozes, viuvinhas, noivinhas e atobás. Chegamos até ao mirante da Sapata onde é proibido seguir mais para frente porque já houve vários acidentes fatais por causa das pedras soltas. De qualquer forma a vista dali também foi emocionante. A gente vê o mar de dentro, a ponta da Sapata e uma outra gruta marítima logo à frente. O guia me disse que vários presos haviam fugido da ilha, a qual foi um presídio político até a década de 60, e que muitos deles haviam morrido no caminho ao continente porque construíam jangadas de uma árvore chamada Mulungu e depois de cerca de 4 horas a madeira começava a afundar. Poucos presos conseguiram chegar vivos ao continente, mas teve um deles que fugiu três vezes com sucesso. Ele também nos disse que o nome Fernando de Noronha foi uma homenagem a um fidalgo português chamado Fernão de Noronha, o qual nunca esteve na ilha, mas sim só patrocinou uma expedição até aqui. Voltamos e almoçamos debaixo das sombras. Depois continuamos pela trilha passando por uma mata nativa super bonita com figueiras altas, por uma outra mata de uma planta esquisita parecida com o cacau e ainda vimos vários teiús. O nosso guia disse que esses animais também foram trazidos do continente com o intuito de comer os ratos porém não deu certo por causa de seus hábitos diferentes, ou seja, o teiú sai de dia e o rato sai de noite. 

Depois de 7 km de trilha chegamos finalmente a nossa moto. Voltamos para a praia do Sueste. Ficamos a tarde toda no Sueste e aluguei um snorkel, óculos de mergulho e um pé de pato para mergulhar no local, onde dizem ser o mais tranquilo para este fim. Logo de cara vi três tubarões filhotes ou cações. Depois vi uma tartaruga grandona e vários cardumes de peixes coloridos, sardinhas, peixes-palhaços, linguados e outros. Num momento me assustei com um peixão parecido com uma barracuda e fui me distanciando da praia cada vez mais. Vi mais duas tartarugas e mais peixes diferentes. Cheguei até numa ponta de pedra do outro lado da praia, tipo a 1 km de distância da mesma. Na volta fotografei um tubarão de mais de 1 m de comprimento e peguei na nadadeira traseira dele. Sua pele parece uma lixa e depois fiquei sabendo que ele se chama tubarão-lixa. O bicho ficou com medo e se mandou. Depois quase chegando à praia veio um tubarão de mais de 2 m e passou do meu lado. Tentei persegui-lo para fotografar melhor, mas o bicho sumiu. Ainda bem que ele não estava em grupo e não me atacou. Entreguei os equipamentos de mergulho e fui comer um bolo feito no posto do ICMBio que deve ter sido o melhor bolo de chocolate que eu comi até hoje. Nos arrumamos, pegamos a moto e passamos pelo açude do arquipélago, o qual é o único local com água doce e que abastece todas as casas da região. Ficamos surpresos pois o mesmo estava seco. Por isso que pedem para a gente economizar água por aqui. Depois já na volta, passamos por outra vilazinha chamada vila dos Três Paus, a qual é a parte mais pobre da ilha. Chegamos cedo na posada, ou seja, às 17h30 para descansar no dia agitado de hoje.

Acordamos às 5h30 para vermos os golfinhos rotadores na praia dos golfinhos. Fomos os primeiros a chegar lá e às 6h30 chegou o guarda do ICMBio para abrir as portas. Chegamos ao mirante dos golfinhos e esperamos. Enquanto esperávamos os golfinhos aparecerem veio um camundongo e se meteu na frente de uma mabuia. Quando percebemos os dois estavam saindo na porrada para ver quem iria dominar o território. A mabuia venceu. Tinha dois dias que ninguém via os golfinhos por ali e para piorar o dia amanheceu todo coberto de nuvens, o que poderia atrapalhar mais ainda a possibilidade de avistá-los. De repente avistamos um grupo. Tirei algumas fotos e uma bióloga que estava ali observando-os também registrou 41 golfinhos. Eles passaram na nossa frente perseguindo um enorme cardume de sardinhas e depois sumiram. Vimos um grupo de oito tartarugas-marinhas se acasalando e um tubarão perto delas. A mesma bióloga nos disse que se não existisse o projeto TAMAR no Brasil há mais de 30 anos, cerca de 30% das tartarugas-marinhas do mundo seriam extintas., que cada 120 ovos que uma tartaruga desova na praia, apenas duas do máximo conseguem chegar na fase adulta e que uma tartaruga pode chegar a viver até 150 anos de idade. Ficamos mais um pouco ali e os golfinhos voltaram. Depois de muitas fotos seguimos rumo à praia do Sancho. Vimos alguns mocós, camundongos, ratos e rolinhas. Além dos frequentes de atobás, mergulhões, viuvinhas, noivinhas e etc. Num dos mirantes para a praia do Sancho, vimos um ninho de atobás com um filhote. O filhote desta espécie é todo fofo, parecendo com os filhotes de pinguim. Por falar em pinguins, os biólogos nos falaram que de vez em quando aparece algum deles por aqui. Imagina os coitados viajarem nas correntes marinhas por mais de 5 mil km. Tirei algumas fotos do ninho e do filhote de atobás junto com um dos pais, mas o sol não colaborou com a qualidade da foto.

Fomos a outro mirante e dava para ver lá embaixo o centro da praia do Sancho. Havia uma mancha preta se movendo lentamente. Apontei a máquina fotográfica com a objetiva canhão e percebi que era um gato tentando pegar uma pomba. Existem muitos gatos que se tornaram selvagens aqui na ilha, os quais foram introduzidos pelo ser humano e este devia ser um deles. Voltamos para a nossa moto e seguimos em direção às piscinas do Abreu. Pegamos uma estrada de terra perto do Sueste, viramos numa menor à direita e deixamos a moto numa parada. Caminhamos cerca de 15 minutos e chegamos às piscinas do Abreu. No caminho vimos algumas nascentes d’água. O visual daqui é bem chocante, ou seja, parece que estamos em outro mundo. Parece com aquelas cenas do filme Senhor dos Anéis. Os morros são todos de origem vulcânica, erodidos pelas intempéries e as pedras na beira da praia são parecidas com lavas endurecidas. Muito bonito e exótico o visual. Nas piscinas do Abreu existem duas piscinas, ou seja, uma grande e uma rasa e outra pequena e funda. Num certo local há um gêiser formado pelas ondas do mar que entram por baixo das pedras e dos corais. Ele chega a espirrar a água de 1 a 2 metros de altura e são vários. É muito legal de se ver. Eu nunca tinha visto nada parecido com isso. Nos banhamos na piscina pequena e rasa e alguns peixinhos vinham nos beliscar com toda arrogância. Teve um deles que chegou a sangrar a minha perna por causa de um machucado já distante. Com isso tive que forrar a minha perna com a minha camiseta para poder entrar de novo na piscina. Ficamos ali por uma hora e voltamos para a moto. Resolvi passar de novo na trilha dos golfinhos rotadores para fotografar aquele ninho com filhote de atobá. Porém, agora com o sol bem forte. Cheguei ao ninho e um dos pais ainda estava por lá com o filhote. Aproveitei o sol e tirei excelentes fotos. Fui de novo ao mirante dos golfinhos e fotografei três tubarões de 2 metros de comprimento cada um, nadando em círculos. Vi também outra tartaruga-marinha. Voltamos para a vila dos Remédios, almoçamos e fomos descansar um pouco.

À tarde saímos em direção ao forte Nossa Senhora dos Remédios. A subida até o forte é bem íngreme, mas vale a pena visual. De lá se avista o Morro dos Dois Irmãos, de longe. O Morro do Pico, o palácio São Miguel, a igreja Nossa Senhora dos Remédios, o porto com seus barquinhos do outro lado, o farol da ilha da Rata, o encontro do mar de dentro com o mar de fora, a igreja de São Pedro e etc. O forte N. S, dos Remédios tem um pátio bem sombroso. Muitos canhões para todos os lados, edificações bem resistentes e na sua parte mais alta um mastro com as três bandeiras, ou seja, a do Brasil, a de Pernambuco e a de Fernando de Noronha. Vimos mais três camundongos no forte. Depois de muitas fotos fomos ao porto de novo. Vimos um barco super legal que possui o fundo e a frente de vidro para passeios turísticos. Porém, o preço estava por R$ 165 por pessoa. Aqui em Noronha é tudo caríssimo, tornando-se o maior custo de vida do país. Subi as pedras gigantes do porto e tirei fotos bem lindas de toda a redondeza. Depois fomos conversar com os pescadores que fazem passeios. Estou com vontade de ir na ponta da Lucena na Ilha da Rata, onde é o ponto extremo leste do Brasil, numa área habitável permanentemente, pois pertence ao arquipélago de Noronha. Se bem que lá neste lugar não é habitável e, portanto, este ponto leste brasileiro habitável seria uma casinha amarela perto do museu dos tubarões aqui na ilha principal, e o não habitável seria nas ilhas de São Pedro e São Paulo. De qualquer forma estou a fim de fazer tal passeio de barco no sábado. Espero conseguir um preço mais camarada. Voltamos do porto, passamos no mercado e fomos para a nossa pousada. 

Em outro dia, acordamos a 6 horas, tomamos café e fomos às piscinas da praia da Atalaia, para depois caminharmos até o buraco da Raquel. Fizemos aquele mesmo esquema das motos, como na trilha do Capim-açu, ou seja, deixando a minha moto na saída e a moto do guia na chegada do trajeto. O nosso guia disse que um ou outro casal iria com a gente, mas até às 8h20 ainda não tinham chegado. Precisávamos comparecer logo na palestrinha que acontece antes de se partir para as piscinas da Atalaia. Fiquei meio desconfiado do nosso guia porque antes eu havia dito que estava tudo caro demais e que se ele não arrumasse mais um casal para repartir o passeio acho que não iríamos. De qualquer forma, acabamos indo assim mesmo. Caminhamos cerca de 1 km e chegamos às piscinas. Lá havia uma bióloga que nos ensinou a como se comportar na piscina para agredir o menos possível as micros flora e a fauna do local. Muitas frescurebas, mas tudo bem. Creio que daqui a alguns anos será proibida a entrada nessas piscinas. O tempo de permanência máxima na piscina era de 30 minutos. Vi alguns peixes amarelos, amarelos com azul, azuis, uma estrela do mar diferente e muitos corais. Depois de 30 minutos, começaram a gritar para a gente sair porque um outro grupo já estava esperando a sua vez. Achei muito comercial, como Bonito-MS e não gosto desse tipo de turismo. Deixamos as piscinas da Atalaia e fomos rumo ao mirante da Pedra. A vista é bem bonita, dando para ver as duas torres que vimos ontem do outro lado, ou seja, nas piscinas do Abreu. Uma pedra bem alta parecendo um dedo está bem próxima do mirante. Tiramos algumas fotos e seguimos para o mirante da Pontinha, o qual possui outra vista bonita, onde tirei outras fotos bonitas. Seguimos em frente e paramos numa outra piscina natural. Essa aqui não tinha nenhuma frescura, como a da Atalaia e pudemos mergulhar em paz. Vimos mais variedades de peixes e corais. Fomos adiante e tivemos que caminhar de novo por cima das pedras soltas de origem vulcânica, como as da trilha da praia do Leão para a Caverna do Capim-açu. Um casal de gringos que nos acompanhava com um outro guia nesta mesma trilha sofreu para caramba para caminhar sobre essas pedras. O cara nem ajudava a mulher. Num certo momento paramos para fazer um lanchinho. Chamei o gringo para ele pegar uns tabletes de goiabinha que havíamos trazido. O cara pegou quatro tabletes e não deu nenhum para a sua mulher. Paramos na piscina da Caieira, almoçamos e mergulhamos de novo. Essa piscina é a maior de todas. Porém, a do Sueste é a melhor porque está em mar aberto. Havia muitas algas nesta piscina, mas mesmo assim deu para ver muitos peixes. Seguimos em frente e depois de 1 km caminhamos sobre as pedras soltas chegando ao Buraco da Raquel. Pegamos a moto, paguei para o nosso guia e fomos almoçar numa barraquinha na praia do porto. Um trator retrocavadeira entrou na praia e começou uma luta para tirar uma boia gigante de dentro do mar. Depois de muita dificuldade ele conseguiu. Ficou um rastro na areia como se fosse de uma tartaruga-marinha gigante. Nos banhamos nas águas tranquilas da praia e voltamos para almoçar. Ficamos um tempo ali e depois fomos tirar algumas fotos de uma casinha amarela, a qual é habitada permanentemente e está mais ao leste do Brasil. Depois voltamos pela BR-383, a qual é a menor BR do país e fomos conhecer a praia do Boldró. A maré estava alta e não dava para ver ou curtir quase nada. Fomos em sentido contrário e saímos na praia da Conceição. Ali há muita areia, um barzinho legal e acredite existem coqueiros. Havia um monte de surfistas no mar pegando ondas de até 4 metros de altura. Nos banhamos pela quinta vez hoje, tomamos um refri e voltamos por outro caminho até a vila dos Remédios e fomos buscar grana no caixa eletrônico do aeroporto. Na volta entreguei a moto e fomos descansar. Pena que não dá para subir o Morro do Pico, pois o mesmo está interditado porque a sua escadaria que vai até o topo está destruída.

De manhã fomos ao porto para saber do passeio de barco que havíamos combinado ontem. O cara do barco estava todo enrolado dizendo que iria providenciar uma corrente para o motor e a bandeira do Brasil. Falei para ele que então eu ligaria a tarde para saber da possibilidade de se realizarmos o passeio. Caminhamos um pouco pela praia do porto e chegamos a uma gruta a qual foi esculpida pelas marés. Ela tem uns 10 metros de fundura por uns 3 metros de largura e de altura e o seu chão é todo coberto de pedrinhas pretas vulcânicas. Aliás vimos cinco grutas marítimas aqui em Noronha. Minhas máquinas fotográficas voltaram ao normal depois de muito trabalheira e consegui tirar algumas fotos. As duas máquinas fotográficas ficaram malucas ontem de tardinha. Creio que por causa do calor excessivo do sol que pegamos na caminhada da Atalaia longa.

Pegamos carona em três veículos diferentes do porto até a praia do Sueste. Chegamos ao Sueste às 11 horas e o calor estava de lascar. Mesmo assim resolvemos caminhar até o mirante da Ponta das Caracas. Lá de cima dá para ver perfeitamente que a lava vulcânica foi se esparramando em direção ao mar até chegar nele há milhões de anos atrás. Há uma piscininha linda lá embaixo, porém é proibido ir até lá. Voltamos e fomos ao forte de São Joaquim. Há cinco canhões velhos e todos enferrujados, porém, a vista é sensacional, pois a praia do Sueste e as ilhas em forma de morros estão bem à frente. Pronto, agora sim este PARNA estava todo conhecido por nós. Na volta senti pela primeira vez uma forte tontura por causa do calor. Ainda bem que chegamos logo à praia. Bebi água e comi e melhorei da tontura. Logo depois alugamos um guarda-sol e umas cadeiras e fomos nos banhar. Fizemos o lanche ali mesmo e descansamos um pouco. Essa praia do Sueste foi a que mais gostei, pois a vista é linda com as ilhas altas na frente, há alguns morros do lado direito, muitos pássaros mergulhando na água atrás dos peixes, tubarões ou cações na água, poucas ondas, mangue atrás das duninhas, uma lanchonete logo ali perto, duchas, paradas de ônibus e o melhor lugar para mergulho de snorkel à direita com cerca de uns 3 a 4 hectares de água. Às 14 horas liguei para o cara do barco para saber do provável passeio. Ele me disse que hoje seria impossível, pois descobriu um vazamento no casco que estava comprometendo o motor, além de outros problemas. Disse que iria tentar arrumar outro barco para irmos amanhã de manhã. Resolvi então passar a tarde toda ali mesmo no Sueste. Lanchamos mistos quentes e fomos mergulhar na mesma área que eu havia ido a alguns dias atrás. Alugamos os conjuntos de mergulho e fomos lá. Vimos um polvo, uma lagosta, vários peixes de diversas cores, oito tartarugas-marinhas sendo que uma delas não tinha uma de suas nadadeiras dianteiras e etc. A área de mergulho encheu de gente. Contei quase 40 pessoas mergulhando. Sem perceber, havíamos chegado na mesma distância que eu havia ido anteriormente em outro dia, tipo a uns 700 metros da praia. Outros mergulhadores estavam por perto de nós e resolvemos voltar depois de uma hora de mergulho e vimos 10 tubarões ao nosso redor. Voltamos para a praia e até às 17h30 ainda tinha gente mergulhando. Pegamos o ônibus às 18h30 e chegamos à nossa pousada.

Acordei às 17h30 na esperança de fazer o passeio até a ponta da Lucena. Liguei para o idiota do dono do barco, mas ele só foi atender às 9 horas, e aí desisti do passeio, pois a gente tinha que chegar ao aeroporto até às 11h30 no máximo. De qualquer modo, saímos contentes de Noronha, pois conhecemos cinco grutas marítimas, 12 mirantes, dois gêiseres, três fortes, etc. Decolamos de Noronha às 13h20 e chegamos a Recife.

 

SUGESTÕES:

A taxa ambiental é muito cara. Poderiam diminuir mais o já que tudo é caro por ali.

 

OBSERVAÇÃO:

As informações aqui contidas são meras experiências passadas por mim neste PARNA e em suas redondezas. Portanto, não me responsabilizo pelos riscos e problemas que possam acontecer e nem em garantir que tudo dará certo para propensos visitantes a este PARNA e as suas redondezas. Cabe a cada propenso visitante se responsabilizar pelas suas decisões e atitudes, procurando sempre um comportamento lícito e compatível com o local, com a fauna, com a flora e com as pessoas ali residentes e nativas. Além de que deverá seguir as regras do ICMBio, as regras de segurança e o uso adequado de seus equipamentos durante toda a visitação deste PARNA e de suas redondezas.