PARQUE NACIONAL JAÚ

1ª PARTE

2ª PARTE

 

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

 

QUANDO IR:

Prefira ir na época em que as chuvas estiverem parando, pois desta forma aparecem mais praias e é possível avistar mais animais selvagens, ou seja, no início do inverno.

 

O QUE LEVAR:

Leve a autorização concedida pelo ICMBio e avise o chefe do PARNA pelo menos 15 dias antes de sua ida. Além disso, leve uma boa barraca, almofada ou colchonete inflável para dormir, cobertor fino (na Amazônia há a possibilidade de fazer noites frias), capa contra chuva, uma boa bota de cano longo (as de borracha espessa protegem tanto de picadas de cobras quanto de se molhar ao atravessar charcos e pântanos), meião ou meias especiais, esparadrapo e algodão, copo e talheres dobráveis, repelente, protetor solar, boné, óculos de sol, roupas de uso pessoal (prefira as de nylon ou de material leve), um bom GPS com as coordenadas já marcadas, power bank (carregador para aparelhos eletrônicos), lanterna de testa, aparelhos eletrônicos pessoais, barras de cereal, bananas desidratadas, uma ou outra bebida energética, produtos de higiene pessoal, etc.

A água pode ser levada em garrafões de 20 litros.

Leve um tênis daqueles a prova d’água para ficar na voadeira e ao descer nas ilhas de areia.

Leve um Específico Pessoa para amenizar eventuais picadas de animais peçonhentos para as primeiras horas.

Leve bastante comida e lanches ou acerte também almoços e jantares nas casas dos ribeirinhos por meio do seu piloteiro.

 

COMO CHEGAR:

De avião comercial para Manaus-AM e lá alugar um carro ou ir de ônibus ou de táxi ou de uber para Novo Airão-AM. Nesta última cidade é só contratar um piloteiro experiente e conhecedor da região. O PARNA Anavilhanas está logo em frente de Novo Airão-AM.

           

CIDADES DE APOIO:

Sem dúvida a melhor cidade é Novo Airão-AM, porém, há poucos recursos e hotéis por ali.

Há alguns bons hotéis de selva pelas redondezas que oferecem passeios e outras atrações.

 

ATRAÇÕES:

Rio Negro, ilhas, praias, avistamentos de animais da fauna amazônica, flora diversificada, as Grutas de Madadá, a Pedra Sanduíche, artesanatos em Novo Airão-AM, etc

 

DICAS:

Há algumas empresas de turismo que oferecem pacotes em barcos todos equipados e com as devidas autorizações para se conhecer o PARNA saindo e voltando para Manaus-AM.

Não deixe de pegar autorização no ICMBio para qualquer lado que for ao PARNA.

Converse com os piloteiros e combine todos os lugares e o que fazer antes porque senão o preço pode mudar muito.

Pesquise o preço dado pelos piloteiros (piloto de barco voadeira) porque cada um oferece preços e serviços diferentes.

Procure ir sempre de calça e camisa manga longa de tecidos finos para se proteger do sol e dos mosquitos sem suar muito no calor amazônico.

Mesmo com a devida autorização nas mãos nunca deixe de ir acompanhado com pessoas que conheçam bem a região.

Há alguns bons hotéis de selva nas redondezas de Novo Airão-AM que oferecem passeios e outras atrações.

 

RISCOS:

Raios, ventanias, chuvas fortes, inundações, desmoronamentos, quedas de árvores, etc.

Animais peçonhentos e outros animais selvagens.

Acidentes de forma geral, se perder, afogamentos, cortes, picadas, mordidas, insolações, desnutrições, intoxicações alimentares, adquirir vermes, doenças tropicais, etc.

 

DIÁRIOS:

Estive há muitos anos atrás por essas bandas e naquela época estava conhecendo o PARNA Anavilhanas. Aproveitei que um grupo ia fazer uma expedição ao PARNA Jaú e o mesmo estava alojado no hotel de selva que conheci. Fui de carona no que seria um bate e volta até os rincões desse PARNA. O meu interesse naquela época era somente o de penetrar o mais para dentro possível neste PARNA e então segui com aquele pessoal. Fomos numa voadeira bem veloz e após entrarmos na foz do rio Jaú passamos por uma área onde havia algumas corredeiras próximas de uma comunidade chamada Cachoeira. O rio Jaú estava bem cheio e atravessamos bem aquelas corredeiras. Disseram que quando o rio Jaú ficava mais seco era muito difícil de se passar por ali e era preciso ir arrastando as embarcações por um canal durante um certo percurso. Encontramos mais alguns moradores ribeirinhos e seguimos em frente. De tardinha paramos e armamos acampamento na beira do rio Jaú. O som da bicharada era forte e foi possível ver os olhos brilhando de alguns jacarés-açus com as nossas lanternas. Os bichos eram grandes!

No outro dia saímos cedo e passamos num verdadeiro zigue-zague de curvas e mais curvas. Em alguns trechos o piloteiro cortava caminho pelos famosos “furos”. Ficamos todo o dia navegando e vi muitos animais, porém, a voadeira passava rápido e não dava para fotografá-los direito. Por isso que as vezes é melhor a gente contratar o nosso próprio barco e porque assim a gente fala para o piloteiro onde quiser. De qualquer forma estava piloteiroendo à pena conhecer aquela região tão isolada. De tardinha paramos na comunidade do Lázaro para armar as nossas barracas novamente e já faltava pouco para chegarmos à comunidade mais distante desse PARNA, ou seja, a do Tambor. Todas essas comunidades eram de origem quilombola.

Acordamos cedo e partimos. Vimos vários animais selvagens no caminho, como jacaré-açus, sucuri, biguás, ariranhas, arraias e a temível onça-pintada que atravessou o rio nadando. Enfim chegamos à comunidade do Tambor onde vivia um grupo familiar há muitos anos e com a criação desse PARNA ainda não sabiam se teriam ou não que sair dali. Creio que esse grupo iria ficar, por causa do apoio que ele poderia dar aos visitantes e estudiosos que por ali se aventurassem, desde que não prejudicassem o meio ambiente ao redor. Além de serem de origem quilombola. Conversei bastante com os moradores dali e descobri que todos são parentes entre si. Lanchamos uma espécie de banana chamada Pancovan. O grupo da expedição deu alguns mantimentos para aquele pessoal e caminhamos pela mata ali por perto. Vimos um jabuti e vários macacos, como o Parauaçú, o de Cheiro e o Aranha.  

Já em outra ocasião, cheguei a Barcelos-AM às 18h30 e logo fui a um hotel. Planejei parar ali para conhecer um pouco a cidade e o seu turismo, porém, por causa dos dias e horários malucos das embarcações, terei que ir embora já amanhã pela manhã. Comprei um diclofenato de sódio para combater o inchaço das pernas e fui dormir.

Acordei as 6h30 e fui conhecer a cidade. Descobri que lá pelas 10h30 passará um barco recreio chamado Genesis VII para Manaus-AM e terei que ir nele para ter tempo de conhecer o PARNA Jaú e o Anavilhanas. Mais um barco recreio que navegarei na Amazônia. O pior é que quase nenhum desses barcos param em Novo Airão-AM, onde se encontram os piloteiros para se programar a expedição aos referidos PARNAs. Com isso, terei que ir até Manaus-AM e de lá pegar um ônibus ou uma lotação para Novo Airão-AM.

Comprei uns artesanatos, tirei fotos e comprei uma rede boa por R$ 60,00 para dormir uma noite no barco recreio até Manaus-AM. Descobri que por ali no município de Barcelos-AM há lindas e exóticas atrações turísticas como a cachoeira El Dorado ou Aracá que é a segunda mais alta do Brasil com 353 m de altura, o maior arquipélago fluvial do mundo com mais de 1.600 ilhas, chamado de Mariuá, o maior Desnível e Gruta mais profunda do mundo, chamados de Guy Collet (Não sei porque no nosso país tem-se a mania de colocar o nome das coisas com nome de gringos. Deveriam piloteiroorizar mais o nativo e colocar o nome até mesmo do carregador brasileiro que levou esses caras) com 671 m, onde foram encontrados vários fósseis, muitas praias maravilhosas e a famosa pesca do tucunaré. Por ali há muito minério também como em São Gabriel da Cachoeira-AM que predomina o nióbio, ouro e gemas preciosas. A tantalita é a predominante ali no município de Barcelos-AM utilizada em turbinas de aviões porque é muito resistente ao calor. Há muita coisa interessante para se conhecer. O barco recreio chegou e entrei nele. Instalei a minha rede entre outras redes de pessoas que vinham de São Gabriel da Cachoeira-AM. Saímos por volta das 17 horas. Tirei algumas fotos e de repente não encontrei o meu celular. Fiquei chateado procurando-o, mas logo as pessoas vizinhas das outras redes o encontraram caído próximo as minhas malas. Gente simples e simpática, e ao mesmo tempo honesta há por aqui também.

Se eu fosse presidente do Brasil olharia mais para a Amazônia. Construiria rodovias asfaltadas, porque não? Porque os outros países podem ter e nós não? Ligaria o Oiapoque-AP a Cruzeiro do Sul-AC com a reconstrução da antiga Perimetral Norte e outras estradas abandonadas. Criaria empregos para esse povo baseados no turismo e na ciência. Como sempre digo “é possível usufruir sem extinguir, bastando ter bons planejamentos, organização e fiscalização”.

A Amazônia merece!

Os brasileiros merecem!

O Brasil merece!

Ontem à noite tirei lindas fotos do ocaso de um lado e da lua do outro lado. Acordei às 4 horas da manhã e tirei lindas fotos da alvorada.

Saímos de Novo Airão-AM às 7h30, passamos num posto de combustíveis fluvial para abastecer os galões e para comprar gelo. Ainda bem que a voadeira do meu piloteiro tinha lona no teto para nos proteger do sol e da chuva. O rio Negro possui muitas ilhas, praias e pedras exóticas.

Já na foz do rio Jaú vimos um desses barcos grandes de turismo com quatro andares que com certeza estavam levando gringos para conhecerem o PARNA Jaú. Por ali também no flutuante do ICMBio há algumas peças pré-históricas que foram encontradas no PARNA, como machadinhas de pedra, cerâmicas etc. Conversamos com os guardas e pegamos algumas informações sobre as atrações do PARNA Jaú, pois havia tempo que o nosso piloteiro esteve ali e não se lembrava direito de tudo. Sua voadeira era boa, porém, seu motor era um de 15 hp, muito lento. Eu não havia conseguido nenhum outro piloteiro com um motor mais veloz, como um de 40 hp que estava disponível para realizar passeios e por isso tive que aceitar, meio arrependido, ir com esse motorzinho mesmo de 15 hp. O chato era que isto prejudicaria o meu tempo para conhecer mais áreas do PARNA.

Fomos em frente navegando o rio Jaú, passamos pela foz do rio Carabinani, onde estava o barco de turismo com os gringos e continuamos. Passamos algumas árvores chamadas Macaquerecuias ou Castanheranas e vimos alguns patos-selvagens, biguás e estranhas pedras numa margem que pareciam ter sido “cortadas”. Depois vimos várias árvores secas e mortas na margem direita durante muitos kms. O piloteiro disse que foi um grande incêndio que ocorreu há alguns anos atrás e que até agora a natureza não tinha se recuperado. Penso que deviam permitir a extração dessas madeiras secas para lenha e com isso facilitar a plantação de espécies nativas para a recuperação daquela área. Entramos num lago grande e vimos um bando de ariranhas brincando. Depois de muito tempo passamos pela comunidade do Seringalzinho e chegamos à comunidade Cachoeira, onde há uma grande corredeira obstruindo a passagem de qualquer embarcação nesta época de rio mais seco. Paramos ali porque já era 17 horas e subimos um alto e escorregadio barranco até a escadaria da comunidade acima. O piloteiro reviu alguns amigos e pedimos permissão para dormirmos por ali numa casa aberta só com o telhado. Armei a minha barraca ali e o piloteiro montou a sua rede ali perto. Jantamos uma comidinha gostosa feita por uma senhora moradora dali, conversamos bastante com os nativos dali sobre os animais selvagens e todos foram dormir cedo.

À noite choveu, mas o telhado ajudou com a proteção. Acordei às 6 horas, um pouco antes do sol raiar, tomamos café e logo alguns moradores dali foram nos ajudar a transpor a corredeira ali em frente. O dia estava lindo por sorte. Foi preciso atravessarmos o rio Jaú para a outra margem e de lá eu e o piloteiro seguimos a pé na margem, enquanto alguns rapazes iam arrastando a nossa voadeira sobre as pedras e a correnteza num canalzinho de somente uns 2 m de largura no canto do rio. Havia muitas folhas mortas na margem e fui caminhando com muita atenção por causa de eventuais cobras. Rapidamente os rapazes conseguiram vencer a corredeira, agradecemos e fomos embora subindo o rio Jaú. Passamos por uma ilhota alta e de areia, onde havia um outro amigo do piloteiro selecionando e separando alguns ovos de tartaruga e de tracajá em ninhos marcados e catalogados. Descemos ali e tirei algumas fotos. Havia um rastro de uma tartaruga grande que foi atacada à noite por um jacaré-açu. Aliás, depois da corredeira da comunidade cachoeira começara o habitat desses animais pré-históricos. Achei engraçado ao ver um cara remando numa canoa com o seu fiel amigo cão na proa de uma canoa. Continuamos e passamos pela comunidade Patoá e paramos para convidar algum dos moradores dali para ir conosco até a comunidade do Lázaro a cerca de 7 horas dali, pois o piloteiro não se lembrava muito bem do caminho. Enquanto o piloteiro conversa com o pessoal fiz a pequena caminhada por ali até uma ilha de areia fina e vi várias tartarugas da Amazônia que pegavam sol. Elas se assustaram e saíram correndo. Assim como na comunidade Cachoeira ninguém dali pôde ir conosco porque estavam com suas tarefas. Falaram para procurarmos fulano de tal ali por perto que talvez ele fosse conosco. Entramos num canal, onde vi um gavião-carijó, alguns Martins-pescadores, uma garça-moura, ariranhas e alguns açus. Saímos num lago e encontramos o fulaninho armando uma rede. Ele tinha acabado de abater um pato-selvagem e disse que não poderia ir conosco. O cara fica ali sozinho pescando numa canoa minúscula cercado de açus e não tem medo. Qualquer hora dessas ele pode se dar mal. Resolvemos arriscar indo sozinhos mesmo e depois de perdermos muito tempo por ali seguimos adiante. Logo passamos por um enorme açu que estava numa margem e depois por vários outros e algumas jacaretingas também. Lanchamos ali mesmo na voadeira em movimento e logo depois pegamos um temporal de lascar com raios e trovões para todos os lados. O céu ficou preto e um dos raios caiu ali perto na água. Resolvemos não parar para não perder tempo e a capota com a capa de chuva que levamos nos protegia bem da chuva. A Chuva passou e depois voltou, pois o rio fazia curvas e mais curvas. Só depois de um tempo conseguimos escapar do temporal e aí encontramos outro bando de ariranhas e mais açus. Os açus nos viam se aproximando e só mergulhavam quando estávamos bem próximos deles. Depois de muitas horas de navegação, quando íamos passando por um canal meio confuso o piloteiro avistou a comunidade do Lázaro atrás de nós e quase a perdíamos de vista. Ia ser foda se não a tivéssemos encontrado, pois a próxima, maior e última comunidade, a do Tambor estava a cerca de 4 horas dali. Havia três grandes açus boiando ali próximo do barranco da comunidade do Lázaro, mas assim que chegamos eles foram se afastando. Mais um barranco alto e escorregadio tivemos que enfrentar antes da escadaria, mas depois fomos recompensados com a linda vista do rio e da hospitalidade de uma única família com mais de 15 pessoas e com 3 gerações diferentes ali presentes. Todos estavam juntos num tipo de reunião familiar depois das 17 horas e conseguimos mais uma casa com telhado para armar a minha barraca e a rede do piloteiro e desta vez com paredes. Os açus estavam passando bem ali na frente do barranco e um deles era bem grande. O patriarca dali disse que um grupo de aventureiros havia atravessado “varado” do rio Japurá, afluente do rio Solimões ao rio Unini, que é o limite norte do PARNA Jaú há muito tempo atrás. Fiquei animado com essa notícia porque eu já havia analisado esta possibilidade antes verificando o Google Maps. Quem sabe um dia! O pessoal dali disse que havia uma onça rondando por ali e que era bom fecharmos as janelas da casa/escola onde iríamos ficar. Armei a minha barraca ali no piso de madeira e o piloteiro armou sua rede perto da porta. Havia morcegos por ali. A casa/escola estava uma zona com cadernos, lápis, etc espalhados por todos os lados. Desta vez não tínhamos gerador de luz como na outra comunidade e o jeito foi dormir naquele breu total mesmo.

Dormi bem e acordei no mesmo horário de sempre. O piloteiro disse que dormiu meio mal por causa dos morcegos. Por isso que nessas horas a barraca é melhor do que a rede. O dia amanheceu feio pra caramba, ou seja, com uma névoa ou garoa que tampava toda vista. Decidi que era melhor irmos embora logo de vez (voltando) porque se fôssemos conhecer o lago cheio de açus e de ariranhas que o patriarca dali da comunidade do Lázaro queria nos levar para conhecer não daria para tirar boas fotos com esse tempo ruim. Nos despedimos do pessoal e das crianças que ficaram nos nossos pés o tempo todo desde ontem à noite e fomos em frente com o piloteiro enfrentando a garoa assim mesmo. Desta vez não fui à comunidade do Tambor, pois eu já a havia conhecido há anos atrás. Porém, quando eu fizer o vídeo sobre esse PARNA o farei mostrando a continuidade até lá para ficar em ordem e melhor de se entender. Avistamos vários açus e ariranhas de novo e depois a máquina fotográfica profissional acabou as baterias. Não entendi porque da outra vez no Neblina cada bateria havia durado 3,5 dias e aqui as duas duraram somente 3 dias. Pegamos outra chuva, a atravessamos e logo depois o dia abriu e ficou bom. Chegamos à comunidade Cachoeira às 11h30 e fomos lá chamar os rapazes para nos ajudarem de novo a transpor a corredeira, desta vez descendo-a. Vi uma boa plantação de mandioca, de banana e de outras culturas por ali e um campo de futebol bem arrumado também. Realizamos a transposição rápido, paguei uns R$ 50,00 para os rapazes pela ajuda, lanchamos dentro da voadeira, seguimos adiante e logo pegamos outra chuva.

Chegamos à “boca” (foz) do rio Carabinani, que é a fronteira sul do PARNA Jáu às 14 horas. Vimos várias espécies de aves. Por ali aconteceu uma tragédia há alguns anos atrás. Três pessoas estavam numa canoa indo para Novo Airão-AM levando peixes ornamentais e etc e eles bateram a canoa de madeira num tronco e a mesma afundou. Todos nadaram até a margem e se salvaram. Aí o mais velho voltou para recuperar os documentos e o dinheiro que estavam numa bolsa ali boiando e um grande jacaré-açu o pegou. Encontraram o corpo dele depois só com a metade do tronco boiando. Alguns dizem que esta história foi mal contada e acham que foram os outros dois que o mataram por causa de dinheiro. O fato é que os açus aparecem mais depois da corredeira da comunidade Cachoeira, subindo o rio Jaú, porém, parece que na época desta tragédia a corredeira estava coberta por causa das chuvas e com isso ocorre mais facilmente a migração deles para próximo da boca do rio Jaú. De qualquer maneira é preciso muito cuidado mesmo ao nadar nestas águas. Navegamos um pouco numa parte com bastantes ondas e vento e chegamos à casa de um ribeirinho ali do rio Carabinani às 14h30. O barranco dali é o pior de todos e cheguei a escorregar desta vez carregando alguns mantimentos. É preciso construir uma boa escadaria por ali. A casa desse ribeirinho fica numa ilha alta e espaçosa entre um afluente e o rio Carabinani. O local estava bem cuidado e limpo. O ribeirinho esculpiu um a cara de um peixe numa pedra e a arte ficou bem feita. O tempo fechou de novo e veio uma forte chuva. Acabou que não deu para conhecer mais nada por ali por causa do tempo ruim. Ficamos ali a tarde toda de bobeira e conversando com o ribeirinho. À noite ele fez um pirarucu frito com arroz e macarrão. Armei minha barraca em baixo de outra casinha com teto e o piloteiro armou sua rede ali também. Fui dormir às 18 horas e vi que percorremos 170 km de voadeira hoje.

Tinha mais de 35 anos que eu não dormia tão bem assim e bastante, ou seja, dormi umas 12 horas de sono profundo. Para maior satisfação o dia amanheceu lindo. Enquanto o pessoal carregava a voadeira corredeira acima vi uma bola de formigas boiando na margem do rio. Certamente elas estavam com o plano de “reformigar” novas áreas e desta forma elas atravessam os rios na Amazônia, ou seja, boiando em grupo. Muito interessante! Havia um bando de macacos-de-cheiro e macacos-barrigudos por e aproveitei para vê-los de perto. Tomamos um cafezinho ali com o ribeirinho e fomos de voadeira subindo o rio Carabinani. Passamos por três corredeiras com fortes correntezas, onde o ribeirinho orientava o nosso piloteiro para passar no lugar certo para não bater nas pedras. Oba, emoção logo cedo! Paramos depois onde havia uma pedra parecida com um gavião e ali mesmo também havia uma árvore que sua raiz exposta sofreu uma certa mutação ou transformação, talvez por causa de um nódulo ou alguma doença, e formou o rosto de um Pajé. Depois voltamos para o rio, passamos por outras corredeiras, por um canyonzinho com pedras bem exóticas e continuamos até chegarmos à cachoeira do Guariba. O rio Carabinani sobe até 12 m de altura e o ribeirinho que estava conosco trabalha com isso, ou seja, marcando o nível d’água. Existe uma sequência de 12 corredeiras por ali, sendo que quando o rio sobe muito ele tampa todas elas, exceto a do Ipiranga que é a mais alta e a última subindo o rio. Descemos ali num lajedo bonito e fomos conhecer de perto a cachoeira do Guariba, a qual possui várias quedinhas uma do lado da outra. O lugar é lindo e selvagem. Convida a tomar um banho, mas preferi não perder muito tempo ali. Vimos alguns peixes tentando subir a cachoeira e o ribeirinho disse que na época da piracema é uma loucura vê-los saltando esta cachoeira. Há muitos matrinchãs e jaús por ali. Finalmente ouvi sobre algum jaú que dá nome ao PARNA, porque até então eu achava mais correto chama-lo de PARNA dos Açus por causa de tanto jacaré-açu que existe por ali. Voltamos, deixamos o ribeirinho na sua casa e depois de uns 10 km chegamos à boca do rio Carabinani com o rio Jaú. Navegamos mais um pouco e paramos numa margem onde havia uma samaúma gigante a uns 100 m dali. A árvore é linda e existe um cipó ou trepadeira também gigante que a abraça toda de um lado e vai até o seu topo. Dá para fazer uma casa por entre as suas enormes raízes. Vi vários tipos de cogumelos. Voltamos, passamos na guarita do PARNA e continuamos até pararmos nas gravuras rupestres de São Cristóvão, onde elas lembram ETs bem detalhados. Pena que as intempéries estão destruindo essas gravuras e o pior de tudo é que as cheias do rio Negro as cobrem frequentemente e as danificam mais ainda. Tem uma pedra gigante que já está até meio coberta pela areia do rio prejudicando algumas gravuras. Penso que deveriam transportar estas pedras gigantes com as suas gravuras rupestres com todo cuidado e coloca-las dentro de um museu 100% brasileiro. Afinal isto é um tesouro arqueológico, assim como deveriam de fazer o mesmo com vários outros tesouros no nosso país.

Depois de um longo trecho chegamos a Airão Velho-AM, onde diz a lenda que os antigos moradores dali haviam ido embora por causa da invasão de formigas gigantes há muitas décadas atrás. Na verdade a mídia como sempre exagerou e o que aconteceu foi que as saúvas ocuparam parte da antiga vila e pelo fato de que naquela época era difícil de se conseguir veneno para mata-las e porque a vila fica muito distante de tudo, muitos moradores resolveram ir embora dali. Existem ruínas das fortes construções por ali e algumas pessoas ainda moram em algumas casinhas. Há também uma capelinha e um bosque de mangueiras com uma linda vista do rio Negro. Vi alguns macacos-de-cheiro pegando as mangas. No local também há uma cruz homenageando um gringo explorador que passou por ali há anos atrás. Engraçado que alguns brasileiros idiotas preferem homenagear os gringos porque fulaninho era da realeza tal ou porque tinha muita grana do que homenagear os seus próprios conterrâneos. Absurdo!

 

SUGESTÕES:

Seria importante as cidades de Novo Airão-AM e Barcelos-AM melhorarem a qualidade dos serviços e a infraestrutura para melhor atender os turistas e outros.

Seria importante incorporar ao parque outras atrações próximas como as Gravuras de São Cristóvão e Airão Velho-AM.

 

OBSERVAÇÃO:

As informações aqui contidas são meras experiências passadas por mim neste PARNA e em suas redondezas. Portanto, não me responsabilizo pelos riscos e problemas que possam acontecer e nem em garantir que tudo dará certo para propensos visitantes a este PARNA e as suas redondezas. Cabe a cada propenso visitante se responsabilizar pelas suas decisões e atitudes, procurando sempre um comportamento lícito e compatível com o local, com a fauna, com a flora e com as pessoas ali residentes e nativas. Além de que deverá seguir as regras do ICMBio, as regras de segurança e o uso adequado de seus equipamentos durante toda a visitação deste PARNA e de suas redondezas.