PARQUE NACIONAL SÃO JOAQUIM

1ª PARTE

2ª PARTE

3ª PARTE

4ª PARTE

 

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

 

QUANDO IR: 

O PARNA pode ser visitado em qualquer época do ano. Durante a época do inverno é ideal para aproveitar o frio, geadas e até mesmo a possibilidade de ver neve. A Pedra Furada também tem mais chances de ser vista nessa época e mais no período depois das 10 horas até às 15 horas. Já no verão é uma época ótima para realizar trilhas e curtir também a sua natureza.

 

O QUE LEVAR:

Leve meias especiais, esparadrapo e algodão, repelente, protetor solar, boné, óculos de sol, roupas de uso pessoal (prefira as de nylon ou de material leve), um bom GPS com as coordenadas já marcadas, power bank (carregador para aparelhos eletrônicos), lanterna de testa, aparelhos eletrônicos pessoais, barras de cereal, bananas desidratadas, uma ou outra bebida energética, etc.

Leve um Específico Pessoa para amenizar eventuais picadas de animais peçonhentos para as primeiras horas.

Leve bons casacos no inverno para as noites mais frias.

 

COMO CHEGAR: 

A partir de Florianópolis-SC pega-se a BR-282 rumo à Bom Retiro-SC. Depois vira-se à esquerda na SC-110 rumo à Urubici-SC. O PARNA São Joaquim, apesar do nome, não tem nenhuma área dentro do município de São Joaquim, e sua maior parte encontra-se mesmo em Urubici-SC, em Bom Jardim da Serra-SC e em Orleans-SC.

 

CIDADES DE APOIO:

A melhor delas é sem dúvida Urubici-SC com mais infraestrutura e boa localização

 

ATRAÇÕES: 

No PARNA há trilhas, banhos, caminhadas, a possibilidade de realizar cavalgadas, canyons, cachoeiras, penhascos, mirantes e campos de altitude. Há muitas chances de ver muitos animais no caminho de Vacas Gordas-SC, distrito de Urubici-SC, a Bom Jardim da Serra-SC. O Morro da Igreja e a Pedra Furada são as principais atrações. Fora do PARNA e nas suas redondezas há o Morro do Campestre, a Gruta dos Bugres, a cachoeira Avencal e diversas outras atrações e atividades, além de comida típica e a possibilidade de ver neve no inverno.

 

DICAS:

Não deixe de pegar a autorização do ICMBio caso for caminhar nas trilhas do PARNA e visitar o Morro da Igreja.

Procure fazer as trilhas acompanhado.

Fique atento aos animais peçonhentos.

 

RISCOS: 

Frio intenso no inverno, neblina que fecha toda vista, raios nas tempestades, ventanias, etc.

Animais peçonhentos, javalis e outros animais selvagens.

Acidentes de forma geral, se perder, quedas e tombos, escorregões, cortes e arranhões, picadas, mordidas, etc.

 

DIÁRIOS:

Estive neste PARNA por duas vezes há anos e cheguei a conhecer a área do Morro da Igreja e do Morro Preto, as cachoeiras dos Namorados e Véu de Noiva, e nas redondezas a cachoeira Avencal, o Morro do Campestre, a Gruta dos Bugres, a Serra do Corvo Branco e a Serra do rio do Rastro. Naquela época cheguei a fotografar a Pedra Furada de cima do Morro da Igreja, mas depois no dia que eu iria realizar a caminhada até ela o tempo fechou com uma forte neblina. Lembro-me de ter ficado hospedado numa fazenda bonita, onde havia algumas serras e uma cachoeira. Cheguei a cavalgar por ali também num lindo passeio.

Ontem à noite, depois de muitos anos, voltei a Urubici-SC e desta vez eu iria conhecer o máximo que pudesse. Vi aquela mesma placa de tempos atrás indicando que por ali havia a possibilidade de cair gelo ou até mesmo neve em certa época do ano.

Acordei cedo e após o café excelente vi que o tempo amanheceu feio e todo fechado. Mesmo assim fui em direção ao Morro da Igreja para fotografar a Pedra Furada dali de cima na esperança do tempo melhorar. Logo que entrei no PARNA vi muitos capins-dos-Pampas nas margens da rodovia. Entrei rumo às cachoeiras Véu de noiva e dos Namorados e vi uma caraúna e um frango d’água. Depois de passar pela portaria que vai para o Morro da Igreja avistei um bando de jacus que me deixou fotografa-lo numa boa. Segui em frente naquelas curvas fechadas, mas pelo menos asfaltadas, até que cheguei ao mirante do Morro da Igreja, onde havia uma entrada para uma área militar do CINDACTA. Havia uma placa dizendo que a temperatura mais baixa registrada até hoje no Brasil foi por ali em 1996 quando fez -17,8 oC. Vi algumas flores, vários líquenes e aquela planta de folha larga chamada urtigão. O tempo foi melhorando e aos poucos a neblina foi indo embora. Que sorte! Passei pela portaria do CINDACTA e fui rumo ao outro mirante para ver mais de perto a Pedra Furada. Por ali havia um radar meteorológico com uma bola redonda na sua ponta. Vi muitos abismos e penhascos e logo depois a incrível Pedra Furada. Dessa vez eu não iria poder realizar a caminhada até ela de novo, pois eu estava com um dos meus tornozelos machucado de quando estive há alguns dias no PARNA Serra do Itajaí-SC. O jeito seria vir aqui em outra oportunidade. Ainda bem que quando estive ali há anos deu para ir ao Morro Preto, tirar boas fotos e ver a cachoeira Três Barras. De tardinha vi um lindo ocaso e à noite a lua estava quase cheia.

À noite fez 6º C e ainda bem que no quarto havia muitos cobertores. Acordei às 7 horas e tomei novamente aquele café colonial maravilhoso que tira a fome até o almoço. Passei numa lavanderia e aproveitei para comprar umas luvas por causa do frio. Perguntei só de curioso para o vendedor se ele conhecia uma estrada que atravessa o PARNA até Bom Jardim da Serra-SC e o cara disse que sim, mas que não me aconselhava a ir lá porque era muito perigoso e que era muito difícil de se passar. Antes disso, lá no PARNA Serra do Itajaí, o guia que foi comigo na travessia de bike disse que acreditava que daria para eu passar nesta estrada com esse carro alugado que eu estava usando porque ele era alto. Além disso, esse tal vendedor não me conhecia e não sabia do que eu era capaz.

Fui então na direção de uma comunidade chamada Vacas Gordas-SC para realizar a tal travessia no PARNA até Bom Jardim da Serra-SC. Antes disso, ao subir uma serra bem alta parei num mirante para fotografar a cidade de Urubici-SC com a sua linda igreja. Alguns pés de caqui se destacaram no horizonte. Na medida que fui me aproximando da comunidade Vacas Gordas-SC vi muitas araucárias, capins-dos-Pampas e plátanos com suas folhas amarelas se destacando na beira da rodovia. Virei à esquerda e entrei numa pista estreita. Uma placa indicava que eu estava na Zona de Amortecimento do PARNA e depois uma outra dizia que eu estava passando por uma ponte sobre o rio Lava Tudo. Passei por alguns hotéis-fazendas e depois a pista se transformou numa estradinha de terra cheia de pedras. Cheguei à sede do ICMBio. Vi que por ali tinha algumas placas e uma delas indicava uma trilha até a cachoeira dos Xaxins Gigantes. Fui lá então conhecê-la. No começo vi um carrapicho-rasteiro e muitas araucárias. Uma delas havia se regenerado que nem uma outra que eu tinha visto certa no PARNA Araucárias ali mesmo em Santa Catarina também. Atravessei um corregozinho cinco vezes e vi muitas folhas e pinhões de araucárias. De repente apareceu uma gralha-azul com um pinhão no bico e fui rápido para fotografa-la. Elas são os principais semeadores desses frutos, chegando a enterra-los para que os mesmos germinem. Incrível a atitude deste pássaro! A trilha foi ficando cada vez mais escura e começaram a aparecer os xaxins gigantes e alguns líquenes. Ao entrar na floresta dos xaxins gigantes me senti dentro de um mundo pré-histórico e parecia que a qualquer momento iria surgir aquela ave do tipo Dodô que possuía um bico assassino. Vi um cogumelo super estranho e musgos na cor marrom. Aos poucos fui me aproximando da cachoeira. Ao ver a linda cachoeira vacilei e tropecei, machucando mais ainda aquele meu tornozelo. Putis, que droga! Ainda fiquei ali sentando esperando a dor passar e depois fotografei e filmei a cachoeira dos Xaxins Gigantes com o meu drone. A imagem lá de cima foi impressionante. Na verdade ela estava mais para uma cascata do que para uma cachoeira. Voltei meio machucado ao carro, mas continuei a percorrer o lado Oeste do PARNA. Segui adiante então e logo subi um morrinho com muitas pedras soltas e com algumas erosões. Eu sempre estava com atenção em relação ao carter no meio do carro e aos pneus para não furá-los. Serras e campos de altitude apareceram e o visual era lindo. O curioso é que a terra por ali é bem preta e com uma camada de uns 30 cm até chegar às pedras abaixo. Parei o carro numa área mais alta e vi alguns líquenes. Havia um forte vento e comecei a caminhar devagar rumo a uma pequena área cercada. Vi diversos tipos de flores e ao chegar àquela área cercada vi que a terra preta estava toda remexida e concluí que aquilo foi feito por javalis porque não existem porcos selvagens por ali. Tirei fotos de suas pegadas. Parecia que naquela área cercada andaram realizando estudos, pois havia algumas plaquinhas de identificação. De volta ao carro alugado vi um gavião-asa-de-telha levando uma cobra em suas garras. Continuei mais um pouco e cheguei ao cemitério dos tropeiros, o qual era todo cercado de um muro baixo de pedras. Esses tropeiros não tinham limites e exploravam qualquer lugar. Graças a eles existia o comércio entre as cidades e muitas de suas trilhas viraram estradas ou rodovias mais tarde. Havia lápides da época de 1880. Ali ao lado há um morrinho com a relva baixa e o subi para levantar o meu drone. Vi algumas flores típicas, musgos e líquenes. As filmagens ficaram feras. Logo ali à frente havia alguns cavalos pastando. O vento e o frio aumentaram e começou a vir uma certa neblina. Desci o morrinho e entrei logo no carro. Continuei, passei por um curral e por um trecho bem ruim. Encontrei dois carros vindo em direção contrária a mim. Paramos e perguntei como estava a estrada lá para frente. O motorista era um argentino com sua família e o abestado disse que ainda tinha uns 15 km de estradinha muito ruim e que só passava 4×4. Agradeci e continuei em frente. Na verdade peguei só uns 5 km de estradinha ruim e mais para frente quando eu chegasse à primeira ponte de madeira sobre o rio Pelotas a estradinha iria melhorar. Vi mais flores daquela região e após passar por um mata-burro vi um lindo graxaim. Entrei nas matas de araucária e vi um gavião-caboclo e um gavião-carijó com seus olhos bem amarelos. Depois apareceram alguns jacus e cheguei à primeira ponte sobre o rio Pelotas. Continuei a vendo mais araucárias com seus musgos nos troncos e alguns pinhões. Algumas macelas e barbas-de-velho também surgiram por ali. Durante todo o percurso fui encontrando campos de altitude e matas repletas de araucárias. Aliás, penso que o nome deste pinheiro deveria de ser Pinheiro-Catarinense ao invés de Pinheiro-do-Paraná, porque eu sempre vi mais desta árvore em Santa Catarina do que em qualquer outro estado. Numa daquelas matas de araucária vi um bando de lindas gralhas-azuis que se alimentavam de seus pinhões. A máquina fotográfica vinha apresentando certos problemas na hora de liga-la e ao parar o carro para fotografar as gralhas-azuis fiquei mexendo nela até que a mesma funcionou bem. Rapidamente mirei na direção de uma das gralhas-azuis e a fotografei. Caramba, que luta! Ainda cheguei a ver um canarinho-da-terra que aproveitei para fotografá-lo também. De repente vi duas curicacas que não paravam de comer cupins. Logo depois vi alguns mergulhões-pequenos numa lagoa e um pica-pau-amarelo. Continuei adiante e vi mais samambaias e uma araucária nova. Apareceram alguns muros ou cercas de pedras e dois blocos de pedras exóticas, sendo uma em cima da outra, parecendo-se com aquelas formações feitas pelos Celtas, mas achei que estava mais para alguém que as montaram com algum trator. Passei por algumas pequenas plantações de videiras e cheguei à segunda ponte de madeira sobre o rio Pelotas. Passei por outras matas de araucária até que cheguei ao final do PARNA. Passei pela terceira ponte sobre o rio Pelotas e a estrada ficou ótima e pude passar da segunda para a terceira e quarta marchas. Uma igrejinha apareceu, vi mais campos e araucárias e uma entrada de uma fazenda com a estátua de uma ovelhinha. Vi também vários montes de madeira cortadas na beira da estrada e ainda bem que isso estava ocorrendo fora do PARNA. Finalmente cheguei à Bom Jardim da Serra-SC, onde a sua igreja matriz possui um telhado pontiagudo. De volta à Urubici-SC passei por algumas plantações de macieiras, por alguns plátanos e por uma placa que dizia Aquífero Guarani (segundo maior do mundo). Depois apareceu a Serra do Panelão, a qual se parece com um morro famoso no Sri Lanka chamado Pico de Adão. À noite a lua cheia estava linda e dava para ver até as suas crateras.

No último dia por ali fui rumo à Serra do Corvo Branco, a qual estava em obras. Tirei novamente algumas fotos do seu famoso vértice e de suas curvas bem sinuosas e a neblina começou a aparecer. Resolvi então ir embora e seguí rumo à Serra do rio do Rastro novamente após muitos anos.

 

SUGESTÕES:

O PARNA tem um grande potencial turístico, mas os seus lados Leste e Sudeste ainda estão pouco explorados. Seria interessante construir novas trilhas por esses lados com boas estruturas, e ao mesmo tempo fornecer mais apoio para conhecê-los.

 

OBSERVAÇÃO:

As informações aqui contidas são meras experiências passadas por mim neste PARNA e em suas redondezas. Portanto, não me responsabilizo pelos riscos e problemas que possam acontecer e nem em garantir que tudo dará certo para propensos visitantes a este PARNA e as suas redondezas. Cabe a cada propenso visitante se responsabilizar pelas suas decisões e atitudes, procurando sempre um comportamento lícito e compatível com o local, com a fauna, com a flora e com as pessoas ali residentes e nativas. Além de que deverá seguir as regras do ICMBio, as regras de segurança e o uso adequado de seus equipamentos durante toda a visitação deste PARNA e de suas redondezas.