PARQUE NACIONAL SERRA DA MOCIDADE

1ª PARTE

2ª PARTE

3ª PARTE

4ª PARTE

5ª PARTE

 

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

 

QUANDO IR:

Prefira ir quando as chuvas estiverem parando e os rios e igarapés começando a secar, pois desta forma ainda dará para navegar e ainda encontrará água para beber. Ou seja, entre fevereiro e março.

 

O QUE LEVAR:

Leve a autorização concedida pelo ICMBio e avise o chefe do PARNA pelo menos 15 dias antes de sua ida. Além disso, leve uma boa barraca, almofada ou colchonete inflável para dormir, cobertor fino (na Amazônia há a possibilidade de fazer noites frias), capa contra chuva, uma boa bota de cano longo (as de borracha espessa protegem tanto de picadas de cobras quanto de se molhar ao atravessar charcos e pântanos), meião ou meias especiais, esparadrapo e algodão, copo e talheres dobráveis, repelente, protetor solar, boné, óculos de sol, roupas de uso pessoal (prefira as de nylon ou de material leve), um bom GPS com as coordenadas já marcadas, power bank (carregador para aparelhos eletrônicos), lanterna de testa, aparelhos eletrônicos pessoais, barras de cereal, bananas desidratadas, uma ou outra bebida energética, hipoclorito de sódio para por na água de rios suspeitos, produtos de higiene pessoal, etc.

A água pode ser levada em garrafões de 20 litros no caso de ir de voadeira.

Leve um tênis daqueles a prova d’água para ficar na voadeira e ao descer nas ilhas de areia.

Leve um Específico Pessoa para amenizar eventuais picadas de animais peçonhentos para as primeiras horas.

 

COMO CHEGAR:

De avião comercial para Boa Vista-RR e de lá alugando um carro ou indo de ônibus rumo à Caracaraí-RR.

Será preciso ir de voadeira (barco de alumínio rápido com motor de popa) por cerca de 180 km pelo rio Branco de Caracaraí-RR à Ilha da Mizura, próxima da boca (foz) do rio Água Boa do Univiní (ABU) e dali por mais uns 100 km até a entrada do PARNA Serra da Mocidade. A base do ICMBio está a cerca de 15 km após a boca do rio Capivara, onde começa do PARNA no rio ABU.

Para a parte central é só entrar no rio Capivara ou no igarapé Bacaba, o qual possui uma difícil localização de sua boca.

Para a parte oeste deve-se entrar no rio Catrimani a uns 2 km da boca do rio ABU e de lá navegar por mais uns 130 km até o outro início do PARNA, desta vez no rio Catrimani. Este trecho possui apenas uns 16 km de navegação dentro do PARNA.

A parte norte pode ser conhecida indo em estrada de terra de Caracaraí-RR ao rio Ajarani e de lá navegar até a boca do rio Preto e até bem próxima da Serra da Mocidade. Dizem que o nome desta serra foi dado porque acreditava-se que só as pessoas mais jovens conseguiriam chegar ao cume dela.

A parte do extremo sudoeste possui muitas zonas intangíveis ou quase inatingíveis.

           

CIDADES DE APOIO:

A cidade de apoio para conhecer este PARNA é Caracaraí-RR, onde se encontram toda a estrutura necessária como hotéis, bancos, hospitais, etc.

 

ATRAÇÕES:

No PARNA existe uma trilha em construção de uns 2 km que parte da futura sede do ICMBio floresta adentro. No mais é preciso abrir trilhas a facão com autorização especial.

É interessante conhecer o Morrinho Redondo que existe a cerca de 3,5 km do rio ABU com uma caminhada entre Cerrado e Floresta até um campinho de areia.

Há muitos campos de areia cobertos por uma fina camada de Cerrado e alguns deles com muitas lagoas, principalmente na parte acima do rio Capivara.

É certo encontrar espécies diferentes de jacarés e muitas aves.

Os rios ABU e Capivara são os mais claros e com muitas praias e algumas ilhas na estação da seca e alguns lagos na estação chuvosa.

Nos arredores há muitas praias no rio Branco na estação da seca e muita pescaria.

 

DICAS:

Utilize repelentes e protetores solar, pois nas áreas com Cerrado o sol é muito forte.

Tenha autorização do ICMBio para entrar no PARNA.

Nunca ande sozinho na mata.

Geralmente na época da seca fica um hotel flutuante próximo à boca do rio ABU, o qual pode servir de apoio e possui wi-fi. Há uns 50 km da boca deste mesmo rio há um hotel de selva com pista de pouso asfaltada, piscina, chalés e wi-fi. Porém, é preciso reservar com muita antecedência.

 

RISCOS:

Raios, ventanias, chuvas fortes, inundações, desmoronamentos, etc.

Animais peçonhentos, onças, arraias, jacarés-açus, entre outros animais selvagens.

Acidentes de forma geral, se perder, afogamentos, cortes, picadas, mordidas, insolações, desnutrições, estresses, insônias, intoxicações alimentares, adquirir vermes, eventuais ataques indígenas, doenças tropicais, assaltos, sequestros, etc.

Segundo o nosso piloteiro há risco de assaltos ao se acampar nas praias do rio Catrimani.

 

DIÁRIOS:

A cidade de apoio mais perto deste PARNA é Caracaraí. Por ali entrei em contato rapidamente com o pessoal que nos esperava e que iria conosco ao PARNA e com a ajuda de um amigo do ICMBio e do nosso cozinheiro da expedição começamos a resolver tudo, como combustível (600 litros), óleo do motor de popa, (18 litros) comida (R$ 1.000,00 para quatro homens por 12 dias), ferramentas, utensílios de cozinha, gás e etc. Entreguei o valor do óleo do motor de popa para o dono da voadeira, mas achei muito caro e não tive tempo de ir com ele averiguar realmente tal valor. Vai ter que ficar para a volta. Pensei que este dono da voadeira já tivesse ajeitado tudo, mas que nada, pois ainda tive que providenciar e correr atrás de muitas coisas. Ficamos das 16 horas às 22 horas arrumando tudo para podermos partir amanhã cedo.

Acordei às 5 horas e tive que esperar o café da pousada que só começa às 6h30. Às 7 horas fomos nos encontrar com o pessoal da voadeira na margem do rio Branco. Dos 12 galões ou carotes de 50 litros de gasolina que compramos iríamos levar oito e os outros quatro uma outra voadeira do IBAMA que também iria conosco para o mesmo lugar neste primeiro dia nos ajudaria levando-os porque a nossa voadeira já estava muito pesada. Eu ia ter que ficar de olho neste monte de gasolina porque esse povo como os piloteiros costumam “doar” ou “trocar/negociar” sem a nossa autorização a gasolina onde eles têm conhecidos e amigos, exceto algumas raridades. Ainda mais agora que ao conversar com o nosso piloteiro ele disse que estava acostumado a gastar 110 litros de gasolina para percorrer 180 km a favor da correnteza. Falei para ele que era muito estranho, pois pelo conhecimento que eu tinha sabia que um motor de 40 hp fazia uma média de 2,5 km/l ou até mais se andasse numa boa. Eu já tive esta experiência em outras expedições. De qualquer forma eu iria ficar de olho. Acabou que depois de toda arrumação saímos às 8h20 de Caracaraí-RR. Passamos por debaixo da imponente ponte da BR-174 que cruza o rio Branco e percebi que haviam colocado alguns cabos-de-aço segurando uma parte dela que se abriu num certo pilar. Não sei por quanto tempo isto iria dar certo. Seguimos adiante e nos primeiros 60 km o motor gastou 20 litros de gasolina. Aí eu falei para o piloteiro que assim que era o normal, ou seja, fez 3 km/l e foi numa velocidade de 25 km/h. Paramos numa ilha com uma longa praia e uma iguana ao nos ver parar saiu correndo na areia como uma doida desesperada de medo. Tentei fotografa-la como fiz certa no PARNA da Amazônia, mas não deu tempo. Fizemos um lanchinho e todos urinamos por ali. Todo este trecho do rio Branco estava bem largo. Vi no horizonte que havia chuva mais para frente e fiquei pensando que com certeza ela iria nos pegar. Fomos se afastando dela até que chegou um momento que ela nos cercou e pegou a nossa voadeira. O piloteiro foi mais devagar e quase não nos molhamos. O pessoal do IBAMA passou pela gente e disseram que só puderam trazer dois carotes. Os outros dois que ficaram em Caracaraí-RR teriam que vir depois com outro pessoal. Chegamos à boca (foz) do rio ABU, onde há uma casinha de dois andares abandonada e logo percebi a beleza da qualidade da água deste rio. A sua cor é bem diferente da cor do rio Branco e deu para notar bem esta diferença no encontro dos dois. Eu estava conhecendo mais um rio nesta maravilhosa Amazônia. Fiquei pensando em quando teremos um presidente e governantes que realmente deem mais atenção a esta região tão cobiçada pelo mundo inteiro, como melhorando a infraestrutura. O Leste do nosso país já recebeu e ainda continua recebendo muita atenção do nosso governo e por isso há tanta desigualdade social. Subimos o mesmo rio um pouco e chegamos à ilha da Mizura, próxima de um hotel flutuante, às 16h20 e fizemos 180 km com 70 litros de gasolina. Dizem que nesta ilha aparecem almas e visagens que “mexem” com os galhos e com as barracas dos intrusos. Até parece que vou acreditar nisto! Kkkk. De qualquer forma achei esta ilha maravilhosa para se acampar, pois ela é alta, possui muita areia e árvores e a água ao seu redor é simplesmente fascinante. Armei a minha barraca antes que ficasse de noite, o meu amigo goiano também e o nosso cozinheiro começou a preparar o jantar. Fez um lindo ocaso e aproveitei para fotografar. O bom é que aquele hotel flutuante ali por perto pode nos ajudar para carregar as baterias dos aparelhos eletrônicos e para outras coisas se precisarmos. O pessoal do IBAMA que trouxe parte do nosso combustível estava ali hospedado para cumprir algumas missões pelas redondezas. Por ali está cheio de jacarés-açus e vi também alguns botos tucuxis.

Ontem à noite fomos ao hotel flutuante  ali  próximo  para  carregar  o  power  bank  e  outros aparelhos e aproveitei para conhecer o hotel também que estava lotado de pescadores. Achei muita fera tudo e até nos convidaram para jantar. O interessante é que todo este complexo flutuante só fica ali por seis meses e depois é rebocado para Caracaraí-RR pela falta de clientes devido à piracema e seca dos rios. Dormi um pouco mal porque esqueci de levar uma boa almofada de dormir e areia estava bem dura. Ainda bem que levei o saco de dormir. Antes das 7 horas alguns pescadores dali do hotel flutuante começaram a sair. Nós saímos logo depois continuando a subir o rio AGU até que chegamos a ver um hotel, onde um certo português o gerencia. O piloteiro e o cozinheiro disseram que este senhor era bem rude e antipático, mas de qualquer forma falei que queria parar ali, pois eu iria tentar enviar uma mensagem por wi-fi para a minha mulher, já que este hotel era a última localidade com este recurso por ali. Percebemos que alguém estava nos observando com um binóculo quando fomos nos aproximando do hotel. O tal português estava ali nos esperando no píer e assim que chegamos falei bom dia, cumprimentei-o na mão e mostrei a autorização de visitação ao PARNA que o ICMBio havia nos dado com os nomes e CPFs de todos nós dali da nossa voadeira. Ele nos recebeu numa boa depois e pedi por favor de ele me deixaria utilizar o wi-fi dali. Ele deixou e ainda disse que eu poderia tirar fotos e fotografar a área se quisesse. Achei o local muito bonito e vi que o português não era tão má pessoa assim. Quando a gente chega humilde e com educação num local é bem difícil ser mal recebido. O português ainda passou umas informações importantes sobre como estavam os níveis da água nos rios e igarapés daquela região. Nos despedimos e falei que na volta precisaria passar ali novamente para enviar outra mensagem e ele disse que estava tudo bem. Passamos mais para frente pela última habitação antes de se entrar ao PARNA, chamada de sítio da Serrinha e após uns 100 km de navegação, desde manhã cedo, finalmente chegamos ao Parque na boca do rio Capivara. Eita parquezinho difícil de se chegar! Mas em compensação a natureza devia ser bem preservada, além de vários mistérios e segredos. Começamos a navegar por dentro do Parque e vimos muitas ariranhas, tuiuiús, colhereiros e outros pássaros. As arraias começaram a aparecer com mais frequência e havia muitas praias também. É difícil conciliar uma época boa para navegação e ao tempo que tenha praias nos rios amazônicos, porém, esta era uma época quase perfeita por aquelas bandas. Para se passar bem nas partes mais rasas eu até havia pedido para o dono da voadeira lá de Caracaraí-RR para levarmos alguns machados, facões e um motor de 15 hp por ser menos profunda a sua hélice, mas já foi difícil de se conseguir até os facões, que por sinal estavam meio cegos. Continuamos a subir o rio ABU e passamos pela futura base, ainda em construção, do ICMBio que servirá de vigia para o PARNA. Vi um gavião carregando um peixe em suas garras. Um jacaré-açu quando nos viu foi caminhando tranquilamente pela praia. Depois passamos pelo trecho onde deveria de estar a boca do igarapé Bacaba, porém, não encontramos nada. No Google Maps também não deu para pegar as coordenadas precisas desta boca, a não ser as coordenadas do que seriam algumas possibilidades, mas não as encontramos também, talvez por ele estar muito seco ou porque havia muita mata somente na boca dele. Navegamos mais um pouco, passamos por alguns galhos que bloqueavam o rio num trecho que ele fazia uma longa curva e atravessamos por um furo, cortando o caminho. Estávamos passando por uma área conhecida por Estreito Falado, onde o rio ABU fica bem estreito e de difícil passagem. Descemos quatro vezes da voadeira para poder puxa-la por entre galhos e árvores caídos que atrapalhavam, a passagem. Havia um galho que se parecia perfeitamente com um laço. Chegamos a uma praia a cerca de uns 7 km de onde eu queria iniciar uma caminhada amanhã até um morrinho Redondo, onde há algumas possíveis dunas em uma de suas laterais. Acontece que estou com um calombo no meu joelho que operei há 17 anos atrás e uma certa dor no local que pode me atrapalhar nas caminhadas, mas mesmo assim quis realizar esta expedição porque é a época mais propícia. Vimos vários mutuns hoje. Acampamos em outra linda praia e desta vez totalmente desértica. Fiquei meio chateado porque a velocidade que mantemos da entrada do PARNA até aqui caiu para 10 km/h e isto poderá nos atrasar bastante daqui para frente. Além disso, o acesso às dunas que ficam entre o igarapé Bacaba e o rio Capivara não o encontramos pelo igarapé Bacaba. Resta agora ir pelo rio Capivara. Um marimbondo fdp me mordeu ao entrar na minha barraca. O infeliz veio atraído pela luz da minha lanterna. Caramba, eu nunca tinha visto marimbondo à noite! A dor estava insuportável e latejante e mergulhei o meu dedo mordido no Específico Pessoa e bebi umas três colhereszinhas deste remédio do mesmo modo que fiz certa vez lá no Monte Caburaí quando fui mordido por uma formiga tucandeira. Deu certo novamente e depois de umas três horas passou a dor. Mais tarde vi um bacurau e a lua estava bem bonita. Hoje navegamos 125 km, sendo 25 km dentro do PARNA.

Ontem à noite o céu estava magnífico com suas estrelas. O dia hoje seria de lascar. Após acordar no mesmo horário de sempre, ou seja, às 6 horas, tomamos café e nos arrumamos para partir. Não adiantava acordar mais cedo porque o sol estava raiando neste horário das 6 horas e para se evitar de gastar as baterias das lanternas ficávamos todos esperando o dia raiar, caso acordássemos mais cedo. Navegamos um pouco meio lento e acho que o piloteiro até exagerou na velocidade muita baixa, pois o trecho não estava tão raso assim e nem tinha tantos obstáculos. Vimos uma variedade enorme de peixes, como surubins, matrinchãs, tucunarés, pirarucus, piranhas e muitas arraias também. Certifiquei-me que ali realmente é um berçário de várias espécies e que bom que está bem preservado, apesar de que alguns pescadores intrusos entram ali de vez em quando. Vimos também muitos rastros e ninhos de tracajás saqueados por urubus e por iguanas, principalmente nos trechos que havia muitas serrapilheiras (monte de folhas velhas). Chegamos onde eu marquei o início da trilha ao morrinho Redondo e preparamos tudo para iniciar a caminhada que seria de 8 km ida e volta. Subimos um barranco do rio ABU e entramos os três na floresta, sendo que o piloteiro ficou cuidando da voadeira. Observei e falei para o cozinheiro que ia conosco que ele estava levando pouca água, mas fomos assim mesmo. Logo no início encontramos uma área bem esquisita com milhares de buracos arredondados um do lado do outro como se alguém tivesse arrancado as árvores dali e as levado embora. Mais um mistério da Amazônia. Depois saímos no Lavrado e tirei bastante fotos de líquenes e de alguns frutos. Encontrei uma lagarta com listras vermelhas, pretas e brancas e alguns ninhos abandonados. Por ali também há algumas sempre-vivas pequenas e umas palmeirazinhas com cocos vermelhos. O Redondo estava bem a nossa frente e às vezes ele se escondia quando entrávamos em alguma mata fechada para cortar caminho por entre os Lavrados. O cozinheiro se sentiu um pouco mal num certo momento e disse que sofria de pressão alta às vezes. Ao atravessarmos uma área meio pantanosa passamos por diversos capins navalhas e tiriricas e pelo fato de eu ir na frente abrindo o caminho e sem estar como uma camisa de manga longa fiquei todo cortado nos braços, principalmente no direito. O cozinheiro não sabia abrir caminho no mato e por isso fui fazendo dois serviços, ou seja, de guia e de abridor de trilha. Eu só pedia para que os outros parceiros marcassem as árvores ou os galhos para facilitar a nossa volta, mas não me deram muita atenção. Fui seguindo o GPS até que chegamos às coordenadas das possíveis dunas. Olhamos bem ao redor e não vimos nada. Percebi que na mata verde e rala onde estávamos havia uma areia bem branquinha em baixo e ao subir o drone ficou claro que ali naquele local é que era a área que pensei que fossem as dunas. Caramba, deu para ver do alto que aquela área ficava toda branquinha como se fossem dunas, mas na verdade era só areia mesclada com a vegetação mais rala. Que visão mais enganosa das fotos de satélite do Google Maps. Aproveitei e subi o drone a 330 m de altura e enxerguei as serra do Pacu e da Mocidade bem distantes dali. Deu para ver também algumas lagoas que se encontram na área sudoeste do morrinho Redondo e uma enorme mancha branca de longe que se juntava à mata verde. Vi também muitos “riscos” no chão por onde passamos e na verdade eram carreiros de antas e de tatus. No morrinho Redondo há algumas pedras sem vegetação que se destacam pelos seus tamanhos. Levei cerca de uma hora ali filmando e fotografando com o drone e depois de lancharmos um pouco começamos a voltar para a voadeira. O calor aumentou e com isso a sede apertou também. O pior foi que a nossa água já estava acabando e a fome começou a bater forte, pois dividi as minhas bananinhas desidratadas com os outros. Senti-me meio fraco na volta e os tombos de todos nós aumentaram. Passamos por um cupinzeiro super esquisito pendurado num galho e virado para baixo num formato triangular. Depois vimos um ninho de jacu com três ovos do tamanho dos de galinha. Vínhamos seguindo a trilha do GPS numa boa até que num momento mudei o comando deste aparelho para navegar até a voadeira e o “bicho” ficou doido. Acabou que ele nos levou para o lado errado e meio que andando em círculos. Com esse erro encontramos um igarapé com a água fresquinha e bem limpa. Putis, que sorte! O erro acabou nos salvando da sede. Percebi que o sol deveria estar atrás de nós para que a voadeira ficasse na nossa frente e comecei a seguir sem o GPS. Conseguimos sair daquela área meio complicada e tudo voltou ao normal ao reencontrarmos a trilha. Estávamos somente a uns 500 m da voadeira, mas a mata era bem fechada. Gritamos no rumo do Leste e o nosso piloteiro respondeu. Fomos chegando aos poucos ao rio AGU e finalmente tudo terminou bem. Paramos a caminhada às 17 horas e bem cansados. Caí no rio e tomei aquele banho maravilhoso, mas sempre atento às arraias e aos jacarés-açus. Acampamos em outra linda praia ali por perto.

Saímos no mesmo horário de sempre e continuamos a subir devagar o rio ABU por causa de alguns galhos e árvores que bloqueavam de vez em quando o caminho. Paramos numa outra praia e vimos muitos rastros de tracajás em direção aos seus ninhos. Alguns deles haviam sido saqueados pelos predadores. E pensar que segundo os cálculos para cada 1.000 ovos só 10 sobrevivem. Apareceu bem na frente da voadeira uma serra isolada que possui algumas pedras brancas. As praias continuaram a surgir em grandes quantidades, a água do rio ABU foi ficando cada vez mais clara e a quantidade de peixes e de arraias foi ficando mais visível. Apareceu uma fragrância deliciosa no ar, mas não consegui identificar de qual planta ela estava vindo. Chegamos ao ponto extremo norte do rio ABU no PARNA. Paramos numa praia e levantei o drone. Estávamos no local do rio ABU, dentro do PARNA, mais próximo do limite norte da Serra da Mocidade. Lembrando que esta serra também possui áreas fora do PARNA Serra da Mocidade. Deu para vê-la bem aos fundos e coberta de nuvens nos seus cumes. E pensar que Caracaraí-RR está logo ali a uns 65 km em linha reta, e foi necessário percorrer cerca de 360 km pelos rios Branco e ABU para chegarmos até ali. Havia um enorme jacaré-açu ali por perto e fui filma-lo também no drone. Fiquei com receio do bicho saltar e agarrar o drone. Almoçamos rápido por ali mesmo e começamos a voltar, descendo o rio ABU. Tornei a ver muitos pássaros, como graveteiros, trinta-réis, coró-corós, socós, socós-bois, pavãozinhos-do-Pará, Martins-pescadores, patos selvagens, ciganas, gaviões, garças, entre outros. Observei que junto de algumas garças brancas sempre havia uma garça meio cinza e deduzi que talvez fossem irmãs com plumagens diferentes. Vi por diversas vezes uma árvore que dá vagens grandes e verdes. Também há um tipo de musgo que se tocar na pele da gente coça muito. Num certo momento vínhamos navegando e um enorme jacaré-açu nos viu se aproximando e mergulhou vindo em nossa direção. Deu para vê-lo perfeitamente e ele passou por debaixo da voadeira chegando a raspar um pouco na hélice. Quando eu o vi vindo em sentido perpendicular à voadeira achei que o bicho fosse saltar em cima de mim. Que susto! Mais para frente, estávamos navegando tranquilos e de repente um grande tucunaré saltou dentro da voadeira e parou nos pés do cozinheiro. O coitado levou um susto danado. Paramos numa praia e eu o peguei e o soltei. Vimos também um grupo de lontras em uma das margens. É preciso muita atenção a tudo! Às 16h30 chegamos ao acampamento que havíamos ficado no segundo dia da subida do rio ABU. Levantei o drone novamente e filmei uma chuva que se aproxima do local. Vimos vários mutuns hoje também. Fiquei meio tonto depois de sair da voadeira, mas isso era normal depois de muitas horas navegando. Percorremos cerca de 80 km hoje. À noite outro marimbondo daquela espécie que havia me mordido antes apareceu, mas desta vez tive todo cuidado.

Já em outro dia e após sairmos no mesmo horário de sempre passamos pelo Estreito Falado novamente e depois pelas coordenadas onde deveria estar a boca do igarapé Bacaba. Olhamos com mais atenção desta vez, mas não a encontramos. Paramos na futura sede do ICMBio e encontrei uma boa estrutura de armação com telhas boas de zinco. Levantei o drone ali para ver se conseguia enxergar um provável mirante de madeira no final de uma trilha com cerca de 1 km de extensão, mas não vi nada. Creio que por enquanto este mirante é só um plano futuro. Continuamos a descer o rio ABU e quando chegamos próximas das coordenadas de onde seria a boca do rio Capivara encontramos uma boca/entrada meio diferente e fomos analisa-la. Na verdade era um certo braço do rio ABU, mas valeu à pena porque consegui filmar uma jacaretinga debaixo d’água com a GoPro. Vi um trecho com várias bromélias e algumas árvores com ninhos de guaxos e japiins. Seguimos mais uns metros abaixo e finalmente encontramos a boca do rio Capivara que deu certinho com as coordenadas que eu havia tirado pelo Google Maps. Começamos a entrar em tal rio e percebi que o mesmo é mais estreito e sua água é mais clara ainda do que a do rio ABU. Depois de navegarmos um certo trecho dentro do rio Capivara a sua água começou a ficar mais turva e mais fria. Vi uma cachoeirinha do lado direito para quem está subindo o rio Capivara bem na beira dele e paramos para encher um de nossos garrafões de 20 litros. Vi mais pássaros como socós, garças, cegonhas e pavãozinhos-do Pará. Este últimos, com seus desenhos magníficos atrás de suas asas quando abertas, são bem assustados por ali. Ou seja, quando nos veem entram correndo para a mata ao invés de ficarem pousando de árvore em árvore na beira do rio. Atravessamos o PARNA neste rio também e paramos numa linda praia quase perto do igarapé Água Branca às 16h20 e onde outras prováveis dunas estavam a uns 6 km de distância. Levantei o drone e avaliei a área. Deu para enxergar bem as enormes manchas brancas que se iniciavam a uns 2 km dali de onde estávamos e se estendiam kms a frente. Percebi que não eram dunas e assim como aquelas falsas dunas que nos enganaram lá no morrinho Redondo, com certeza aqui também seria no mesmo esquema, ou seja, uma vegetação ralinha em cima de manchas de areia branca do Lavrado. Decidi então que não valeria à pena irmos até lá amanhã, pois perderíamos muito tempo. Além de que, já havíamos perdido muito tempo com a navegação vagarosa na área do rio ABU dentro do PARNA. Só fiquei curioso para conhecer de perto as diversas lagoas que existem por ali e que dá para serem vistas perfeitamente no Google Maps. Havia um caranguejo ali na praia e o filmei debaixo d’ água. Vimos vários mutuns hoje novamente. À noite vimos várias pegadas de anta ali por perto e alguns sapos canoeiros começaram a coaxar bem alto. Lembrei-me daquela vez no PARNA Serra do Divisor que um certo mateiro que viajara comigo disse que havia feito uma expedição para tal Parque e à noite um amigo dele pediu sua espingarda para matar esses sapos. O cara havia atirado umas 10 vezes e não conseguiu acertar nenhum sapo e antes o mateiro havia dito que cada tiro custaria R$ 10,00 pela munição. Realmente, lembro-me que não foi fácil dormir lá naquela noite por causa desses bichos barulhentos. Tomara que aqui eles não fiquem coaxando a noite inteira.

Ainda bem que ontem à noite os sapos canoeiros pararam de coaxar mais cedo. Porém, acordei algumas vezes porque o piloteiro e o cozinheiro me chamaram para fotografar a anta que estava passando pelo seu carreiro de costume e o meu amigo goiano havia dado um grito apavorante sem nenhum motivo. Talvez tenha sido um pesadelo que ele teve. Brincamos com ele dizendo que a onça devia o estar comendo no outro sentido. Fotografei uma libélula bem diferente, ou seja, vermelha com tons transparentes. Levantei o drone e fiz outra filmagem e depois começamos a voltar pelo rio Capivara. Fomos nos aproximando de um tronco e pensei que o mesmo se parecia com um grande jacaré-açu. Putis, era mesmo um jacaré-açu! Este foi a maior que a gente viu até agora por aquelas bandas. Passamos meio distantes dele. Mais para frente vimos outras ariranhas. Até agora o único mamífero que vimos neste Parque foram as ariranhas. Vi algumas jacaretingas também, um grande tracajá, patos selvagens e mais rastros dos mesmos que com certeza desovaram nesta noite naquelas praias por ali. Após chegarmos à boca do rio Capivara com o rio ABU, descemos este último um pouco e paramos no sítio da Serrinha para tomarmos um cafezinho com o caseiro amigo do nosso piloteiro. Ele disse que um gaúcho havia comprado ali aquela terra e que queria abrir outro hotel de selva. Falou também que dá boca do rio ABU até ali no sítio Serrinha ele levava somente umas duas horas num motor de 40 hp e o nosso piloteiro havia levado quase o dia todo, o que nos atrasou demais. O caseiro dali nos disse também que existe uma câmera bifocal na boca do igarapé Bacaba que é controlada via satélite pelo pessoal do ICMBio lá em Boa Vista-RR para saber quais as pessoas que estão adentrando nele porque, segundo ele, há muitos veios de ouro nas margens mais acima deste igarapé próximo das serras. Não sei se isto é lenda ou não, mas de qualquer forma se for verdade é preciso mesmo para controlar e proibir a entrada de garimpeiros invasores. Paramos novamente no hotel de selva do português e enviei outra mensagem para a minha mulher. Desta vez não havia ninguém ali na beira da bonita piscina a não ser uma cópia perfeita de borracha de uma serpente. Às 16 horas chegamos novamente à ilha da Mizura e mais tarde irei ao hotel flutuante outra vez para carregar bem os eletrônicos. Percebi que o PARNA neste trecho da bacia do rio ABU tem como animal predominante os mutuns que cantavam de dia e à noite.

Saímos no horário de sempre da ilha da Mizura e passamos no hotel flutuante novamente para pegar os meus aparelhos que ficaram carregando e o outro carote de 50 litros que ficou faltando. Estranho que o nosso piloteiro foi rapidíssimo ali num canto escondido buscar o nosso carote e nem deixou o meu amigo goiano ir com ele. Fiquei meio desconfiado com isso. Partimos dali então somente às 9 horas. Assim que saímos da boca do rio ABU já entramos na boca do rio Catrimani e percebi uma diferença não muito da tonalidade das águas, mas sim da “calda” meio grossa de detritos do Catrimani. O Catrimani está bem judiado com seus garimpos ilegais a cerca de 150 a 250 km em linha reta dali e já em território yanonami. Encontrei o rio Catrimani bem largo, espaçoso e sem nenhum obstáculo para a navegação. Paramos no igarapé Cabugi com suas águas incríveis, ou seja, transparentes e profundas. Entramos cerca de 1 km nele e paramos para almoçar numa praiazinha bem linda. Percebi que o nosso piloteiro abasteceu o tanque da voadeira três vezes o que equivale a 60 litros. Depois de 127 km da boca do rio Catrimani chegamos ao início ou limite sul do PARNA neste rio. Vi uma ariranha sozinha pegando sol bem tranquila em cima de um tronco em uma das margens. Por falar em margens, por ali elas são bem altas com cerca de até uns 4 m de altura e possuem vários tons de terra, sendo alguns amarelados e avermelhados. Bem interessante mesmo! Vimos muitos tipos de palmeiras e de bananas bravas ou sororocas. Senti a fragrância gostosa de outra flor. Vi um urubu rei numa árvore alta próxima da margem e muitas flores azuis, amarelas e outras parecidas com bougainvilles. Por ali também vi algumas bromélias não no chão como na área do rio ABU, mas sim nos troncos de algumas árvores. Há muitas pedras por ali também nas margens do rio Catrimani. Continuamos e chegamos ao limite norte do PARNA neste rio e percebi que não havia nenhuma placa ali se referindo ao Parque. Logo ali a uns 13 km em linha reta há uma pista de pouso e uma aldeia indígena já fora do PARNA. O nosso piloteiro disse que não aconselhava irmos até ali porque os índios eram meio avarentos, cobrando passagem e querendo pegar quase tudo que era dos outros. Preferi então acreditar nele desta vez já que ele era meio mestiço com indígenas e tinha alguns conhecidos por ali. Também não me interessaria mesma ir até nesta aldeia. Chegamos a uma praia bem grande dentro do PARNA às 16h30 e comecei a observar todos os detalhes. Vi muitos pássaros como jurutis, tuiuiús, garças, patos beges com riscos pretos, araras canindés e vermelhas, araçaris, guaxos, ararinhas, papagaios, mutuns, entre outros. O macho de um casal de guaxos ficava todo inchado querendo impressionar e conquistar a fêmea e parecia que possuía alguma anormalidade. Havia muitas pegadas de tracajás, de anta, de onça e rastros de iguanas. Uma casa de marimbondos estava infestada deles e me mantive bem longe dela. Engraçado como estes rios um do lado do outro (ABU e Catrimani) possuem tantas diferenças se observarmos com atenção, como por exemplo: a tonalidade das águas, a temperatura, os barrancos, a cor da terra destes barrancos, a vegetação de palmeiras, a maior frequência de araras e de patos selvagens pretos. Vi muitas samaúmas só deste lado do PARNA e uma outra espécie de planta com flores vermelhas que parecem carrapichos quando florescem. Percebi que há muito mais locas ou buracos feitos pelos peixes nos barrancos nesta área do Catrimani do que no ABU, mas também por aqui há mais barrancos. Armei a minha barraca, mas desta vez preferi não tomar banho naquela água meio barrenta. Fiquei com certa raiva do nosso piloteiro porque ele havia dito que este rio era cheio de árvores e de pedras que dificultavam a navegação e que talvez iríamos demorar uns dois dias para chegar ao limite norte do PARNA neste rio. Na verdade não houve nada disso e navegamos tranquilos e sem nenhum problema. Por causa dele acabei deixando de ir às falsas dunas lá próximas do rio Capivara para não perder muito tempo por lá. Esse povo que trabalha com voadeiras e são meio “guias” aqui no norte não sabe quase nada na maioria das vezes. Falam uma coisa hoje e amanhã já falam outra. Por isso mesmo é difícil uma expedição por essas bandas dar 100% certo, mesmo que a gente seja insistente. Fui verificar os carotes com gasolina e o piloteiro disse que só tinham três e que havíamos gastado 125 litros em 180 km hoje. Fiquei desconfiado e lembrei-me da saída estranha dele lá no hotel flutuante quando foi buscar o outro carote sozinho. Com certeza ele deve de ter dado uns 50 litros para algum conhecido por ali sem a nossa permissão. No final a gente acertará tudo.

Dormi meio preocupado ontem à noite porque o nosso piloteiro veio com umas estórias de que os garimpeiros passavam por ali à noite e poderiam nos assaltar, que os indígenas também não gostavam de que as pessoas dormissem em seu território e que eram muito encrenqueiros e que havia muitas onças circulando ali à noite atrás dos ninhos de tracajás. Tudo lorota. Não aconteceu nada daquilo por ali e além do mais estávamos dormindo dentro do PARNA, mas por ouvir tudo isto a gente fica meio com um olho aberto e o outro fechado ao dormir. O que me perturbou mais foi um jacaré-açu que chegou meio perto de nós e dava uns saltos fortes para dentro do rio novamente. Até que teve uma hora que levantei e fui lá jogar um pedaço de galho perto dele e o bicho se afastou. Mais tarde um pássaro deu um grito e parece que foi comido por algum outro bicho. Já de madrugada um bando de bugios veio gritar com aqueles sons que parecem um avião bem na outra margem do rio e aí sim que foi bravo para se dormir. Kkkk, são os sons da floresta. Choveu um pouco também e amanheceu tudo úmido e nublado. Partimos dali no mesmo horário de sempre e voltamos descendo o rio Catrimani. Logo depois vi outro bando grande de bugios e algumas águias pescadoras e tirei algumas fotos. Depois de muito tempo fomos avistar alguns barquinhos dos indígenas e uma voadeira, onde vinha somente um piloteiro repleto de óleo diesel, gasolina e pinga para os garimpeiros a muitos kms dali e para os indígenas certamente. Vimos um barco parado numa praia com três tracajás sendo assados na brasa ao lado. Sacanagem com os bichos, pois já perdem tanto com os seus ovos e ainda chega o ser humano para matar as matrizes. Chegamos à boca do rio Branco e deixamos o maltratado rio Catrimani, que o apelidamos de Catrimercúrio ou Catrimachucado. Não sei porque o ICMBio pegou somente esta área quase no final deste rio e de apenas uns 16 km de navegação, pois geralmente são as nascentes ou cabeceiras que são protegidas. Percorremos 160 km com 40 litros de combustível e como já havia dito anteriormente estava aí a prova de que o nosso piloteiro tinha “papado” uma boa quantidade de nossa gasolina. Já no rio Branco passamos por várias ilhas, onde se localiza uma área de proteção dos quelônios e depois de 217 km de navegação hoje, meu novo recorde, chegamos à casa de um amigo do nosso piloteiro na margem esquerda do rio Branco para quem o está descendo. O lugar possui um enorme barranco e é bem agradável. O caseiro dali possui uma casa boa de madeira, construiu outra onde estamos alojados e está construindo mais outra, ambas para receber os turistas que veem de longe, tanto do rumo de Caracaraí-RR, quanto de Moura-AM ou de Barcelos-AM. Finalmente voltei a tomar banho numa ducha e sem receio de ser atacado por arraias ou por jacarés-açus, mas estes animais fazem parte da Amazônia mesma. Pior foi o doido do meu amigo goiano que se atirou dali no rio Branco para se banhar e eu já havia falado para ele para ter cuidado. Com isso, veio o caseiro dali correndo brigar com ele que já havia morrido três pessoas e três cachorros ali atacados pelos jacarés-açus e que a última pessoa havia sido uma velhinha. Aí o meu amigo saiu dali assustado e parece ter aprendido a lição. Mais tarde fomos ali à casa do caseiro jantar e conversamos bastante. Ele nos disse que por ali no igarapé Bacaba há muito ouro, assim como também num buraco gigante que há entre os três cumes da Serra da Mocidade lá para o lado do igarapé Preto, tudo dentro do PARNA. Esse povo tem muitas estórias, mas vai lá saber! Ele falou também que ali nos fundos do lote há um grande lago muito cobiçado pelos pescadores que sempre está cheio de tucunarés, surubins, entre outros peixes e que vem gente de longe pedir autorização para pescar. Porém, ele só dá se o dono do lote permitir. Fiquei pensando que ali dava para se dormir muito bem, mas como já era de praxe quase sempre que eu chegava num lugar maravilhoso assim e achava que ia dormir bem aparecia algum barulho chato. Vamos ver se desta vez será diferente.

Nos dias seguintes chegamos à Moura (Barcelos-AM), ficamos um dia lá esperando passar um recreio, fomos para Manaus-AM e de lá voltamos para Boa Vista-RR de ônibus para viajarmos para Brasília-DF somente depois de um dia.

 

SUGESTÕES:

Deveria se construir uma base na área Norte do PARNA.

 

OBSERVAÇÃO:

As informações aqui contidas são meras experiências passadas por mim neste PARNA e em suas redondezas. Portanto, não me responsabilizo pelos riscos e problemas que possam acontecer e nem em garantir que tudo dará certo para propensos visitantes a este PARNA e as suas redondezas. Cabe a cada propenso visitante se responsabilizar pelas suas decisões e atitudes, procurando sempre um comportamento lícito e compatível com o local, com a fauna, com a flora e com as pessoas ali residentes e nativas. Além de que deverá seguir as regras do ICMBio, as regras de segurança e o uso adequado de seus equipamentos durante toda a visitação deste PARNA e de suas redondezas.