PARQUE NACIONAL SERRA DO ITAJAÍ

1ª PARTE

2ª PARTE

3ª PARTE

4ª PARTE

5ª PARTE

 

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

 

QUANDO IR:

De abril a junho e de setembro a novembro são as melhores épocas de se conhecer o PARNA, porque as chuvas diminuem consideravelmente, favorecendo as caminhadas nas trilhas, mas com a certeza de que as cachoeiras ainda estão com bastante água e com a sua cor mais transparente. Além disso, evita-se o calor intenso do verão e o frio rigoroso do inverno. 

 

O QUE LEVAR:

Leve meias especiais, esparadrapo e algodão, repelente, protetor solar, boné, óculos de sol, roupas de uso pessoal (prefira as de nylon ou de material leve), um bom GPS com as coordenadas já marcadas, power bank (carregador para aparelhos eletrônicos), lanterna de testa, aparelhos eletrônicos pessoais, barras de cereal, bananas desidratadas, uma ou outra bebida energética, etc.

Leve um Específico Pessoa para amenizar eventuais picadas de animais peçonhentos para as primeiras horas.

Leve também roupas de banho.

Leve um casaquinho para as noites mais frias na serra.

 

COMO CHEGAR: 

Chega-se à Florianópolis-SC e de lá pega-se a BR-101, depois vira-se à esquerda na SC-410 rumo a São João Batista-SC, depois pega-se a SC-108 rumo a Brusque-SC e dali pode-se acessar por todos os lados o PARNA. A estrada de Brusque-SC a Blumenau-SC, passando-se por Gaspar-SC possui muitas curvas e serras e por isso o cuidado deve ser redobrado.

           

CIDADES DE APOIO:

O PARNA está dentro de oito municípios catarinenses, porém, cinco deles possuem uma melhor infraestrutura para o turismo nessa área. Blumenau-SC no Nordeste do PARNA, Gaspar-SC e Guabiruba-SC ao Leste, além de Brusque-SC que está fora do PARNA são outras boas opções e Apiúna-SC no Oeste é a melhor opção daquela área.

 

ATRAÇÕES: 

No PARNA há uma estrada velha, cheia de erosões e abandonada, a qual é utilizada por trilheiros e ciclistas que o corta de Norte a Sul e depois segue rumo ao Oeste que vale muito à pena, pois chega-se ao centro do PARNA.

A área do lado de Guabiruba-SC possui vários atrativos como trilhas, lagoas, minas, grutas, mirantes, cachoeiras, corredeiras e etc. Já na área norte existe o Parque Nascentes do Garcia, o qual encontra-se dentro do PARNA e também possui várias atrações.

Nas redondezas existem as grutas de Botuverá-SC, rafting no rio Itajaí-açu e vários outras opções.

 

DICAS:

Não deixe de pegar uma autorização especial do ICMBio para visitar o interior do PARNA.

Procure ir sempre de bota, de calça e de camisa manga longa de tecidos finos para se proteger do sol e dos mosquitos.

Nunca faça as trilhas sozinho.

A água para beber pode ser encontrada por todos os lados em nascentes e rios, mas caso prefira, leve a sua própria garrafinha de beber.

Fique atento aos animais peçonhentos.

                       

RISCOS: 

Raios, ventanias e trombas d’águas na época das chuvas, muito calor, etc.

Animais peçonhentos e outros animais selvagens.

Acidentes de forma geral, se perder, quedas e tombos, escorregões, cortes e arranhões, picadas, mordidas, etc.

 

DIÁRIOS:

Estive neste PARNA há muitos anos e naquela época ele havia sido criado a pouco tempo, ou seja, não tinha nenhuma estrutura, era totalmente selvagem e quase ninguém sabia onde ficavam os seus limites. Naquela época conheci mais as redondezas desse PARNA e por isso as comentarei no final deste diário.

Após muitos anos, voltei com a intenção de conhecer o máximo possível deste PARNA. Acordei cedo por causa da barulheira do centro da cidade de Brusque-SC e resolvi ir a Blumenau-SC devido à proximidade de onde eu iria sair a qualquer dia desses para atravessar o PARNA de bike numa estradinha que o corta de Norte a Sul e depois segue rumo ao Oeste. Pensei em ir hoje de manhã ao Parque Nascentes do Garcia que ficam dentro do PARNA, mas que só depois fui descobrir que ali só abria nos fins de semana. De qualquer forma fui em direção à Blumenau-SC. Peguei uma estrada de terra perigosa, ou seja, naquele estilo por entre as serras e cheia de curvas fechadas e abismos para todos os lados, além das costela-de-vacas que faziam o carro patinar nas subidas e derrapar nas curvas. Eita estradas malucas de SC! Passei pela área mais ao Nordeste do PARNA e logo depois cheguei à Blumenau-SC, onde encontrei uma pousadinha legal e deixei as minhas coisas ali.

No outro dia, fui de volta a Brusque-SC e depois em direção à Guabiruba-SC para conhecer a parte Leste/Sudeste do PARNA. Fui passando por serras e por vilas, onde a estrada era de bloquetes. Depois peguei uma serra alta e cheguei ao mirante do Nonno Vicente Stedile. Dali deu para ver a vilazinha do Lageado-SC com a bonita capela da Imaculada Conceição, o Oratório e Mirante Sto. Antônio e o Morro do Pinus atrás.  Passei por ali e segui adiante. Já no Oratório e Mirante Sto. Antônio ouvi um pássaro ali que tinha um canto bem bonito e depois descobri que era o inhambu-guaçu. Continuei explorando, entrei no PARNA e cheguei até um sítio chamado São Tomás de Aquino no meio da esplendorosa Mata Atlântica, onde levantei o meu drone e obtive um bom visual do PARNA e de seus arredores, inclusive do Morro do Pinus mais próximo. Apareceu um cara e perguntei se ele sabia guiar até a Lagoa Azul e o mesmo disse que conhecia tudo por ali e que estava acostumado a levar as pessoas nos mesmos lugares de sempre, ou seja, na Lagoa Azul, nas cachoeiras do Jerônimo, no Morro da Guelba e nas Minas Abandonadas. Não pensei duas vezes e combinei com ele de me levar nesses lugares. Fomos então em direção à Lagoa Azul. Percorremos quase 4 km só de ida, passando por trechos com bastantes descidas e subidas até que chegamos a um rio. Vi várias bromélias, samambaias, líquenes e algumas flores exóticas. Num certo trecho tivemos que usar uma corda que ali se encontrava para passar sobre um lajedo escorregadio. A lagoa é bem bonita e possui uma pequena queda d’água na sua entrada. Ela parecia ser bem funda, o que já não a definiria como uma lagoa, mas sim como um poço. Apesar do local ser maravilhoso, não quis mergulhar porque estava com um pouco de pressa senão demoraria muito. O guia disse que essa lagoa foi encontrada por acaso por alguns caçadores. Tirei algumas fotos e num certo momento bateu um forte vento que “sacudiu” toda a água da lagoa.

Depois o guia disse que teria que resolver uns problemas ainda naquele dia e me explicou com detalhes de como chegar às cachoeiras do Jerônimo, onde o início da trilha era logo ali perto da estrada. Combinei com o mesmo guia de amanhã continuarmos a explorar os outros atrativos da região. Logo na entrada da trilha calcei novamente a minha bota anti-picadas e à prova d’água e fui caminhando sozinho numa estradinha bem úmida e cercada de verde. Passei por algumas nascentes e por diversas espécies da flora novamente da Mata Atlântica. Fui caminhando com atenção até que depois de cerca de 1,6 km cheguei ao rio. Tirei algumas fotos por ali também e desta vez levantei o meu drone e consegui avistar algumas quedas d’água. Fui até lá e conheci as duas cachoeiras do Jerônimo, as quais são bem bonitas. Na volta fiquei meio receoso de aparecer algum animal selvagem. Voltei à Guabiruba-SC para dormir por lá.

Já em outro dia voltei à vila do Lageado, busquei o guia e fomos em direção ao Morro da Guelba. O carro percorreu a maior parte do caminho e depois caminhamos por cerca de 1 km. Vi uma flor bem diferente e depois algumas margaridas-silvestres. Tirei algumas fotos e havia uma certa neblina ainda no horizonte. Deu para ver parte das periferias de Guabiruba-SC. Depois fomos rumo às Minas Abandonadas. Passamos por alguns sítios e por uma ponte sobre um riozinho. Começamos a caminhada de quase 6 km ida e volta. As minas no passado serviram para a extração de ouro. Depois de um tempo atravessamos o rio do Braço ou Esquecido e tive que molhar a minha bota. Na chegada às minas vi que uma de suas entradas era bem pequena. Usei a minha lanterna de cabeça e vi alguns morcegos-de-cauda-curta-de-seba. Mais para dentro percebi que as suas paredes tinham um certo brilho e vi alguns buracos na parede que o guia disse que eram de dinamites usadas no passado. Agradeci ao guia e fui para Blumenau-SC.

Ontem à noite, após chegar à pousada em Blumenau-SC a energia elétrica foi embora por causa de uma forte chuva e por sorte eu tinha acabado de sair do banho e me enxugado. Eu precisaria da energia elétrica para carregar todas as baterias dos aparelhos eletrônicos. Com isso, de madrugada senti aquela claridade na cara por causa da luz do teto que esqueci com o interruptor ligado e então coloquei todas as baterias para carregar.

Acordei às 7 horas, e após o café fiquei esperando o pessoal da agência de turismo vir me buscar numa camioneta fechada 4×4 para realizarmos o passeio de bike pela estrada que cruza o PARNA de Norte a Sul e que depois segue rumo ao Oeste. Às 9 horas o pessoal chegou e fomos rumo ao PARNA. Após entrarmos no PARNA passamos por alguns sítios e fomos até o sítio da D. Ana Teresinha. O rio Encano por ali é bem bonito com suas águas cristalina. Conversamos um pouco ali, vimos uma igrejinha e depois passamos por uma área que se encontra fora do PARNA e que pertence ao Campo de Instrução do 23º BI. A travessia rumo ao Sul do PARNA passa por ali e então fomos adiante no 4×4. Subimos um morro até uma curva onde havia vários pinus e um grande abismo ao lado. Uma moto passou por nós com um cara gordo e uma mulher na garupa. Ali então iniciamos a pedalada. Logo no início havia algumas pedras e uma subidinha. Depois pegamos uma descida e os abismos sempre estavam por perto. Os morros e as subidas voltaram e também o cara gordo da moto e a mulher na garupa. Eles pararam e nos disseram que estava impossível de se passar mais para frente e que de bike talvez desse certo. Depois começaram a aparecer muitas poças d’água devido à forte chuva de ontem à noite, atoleiros e até mesmo o canal de um córrego pela estreita estradinha de terra. Passamos pelo rio Encano novamente, vi um bálsamo-amarelo, líquenes, fezes de algum animal selvagem que estavam cheias de sementes, várias samambaias e outros pinus invasores. Mais para frente eu e o guia continuamos a enfrentar as poças d’água e numa delas quase não conseguimos passar. Vimos alguns xaxins gigantes, caetés e pegadas de mão-pelada num certo trecho. Vimos algumas marcas de pneus que certamente eram de aventureiros que por ali tentavam atravessar toda essa trilha, porém, creio que até os mais experientes não conseguiam prosseguir por causa das enormes erosões e dos estragos que haviam na estradinha, a não ser se tivessem um grupo bem estruturado e com bastante tempo. Passamos por outro trecho onde outro córrego invadiu a estrada e vimos lindas flores chamadas de brincos-de-princesa. Finalmente chegamos à placa onde estava escrito “Volte Sempre” e limpamos ao redor de uma outra placa que dizia que ali era o PARNA da Serra do Itajaí. Levantei o meu drone ali a 170 m de altura e fiz uma filmagem de todo o redor. Seguimos adiante e pegamos uma grande descida com um outro córrego correndo por cima da estradinha até que chegamos às casas abandonadas na parte baixa do Faxinal do Bepe, onde havia algumas orelhas-de-elefante, margaridas-silvestres, cruza-de-malta, uma certa flor azul e alguns pinus e araucárias. A história do tal de Bepe foi a seguinte: Era uma família que ali vivia com cerca de quatro casas boas, curral e até mesmo uma igrejinha. Todo ano faziam um tipo de Woodstok brasileiro com muita festa, bebidas, comidas e brincadeiras. Aí apareceu o ICMBio e criou o PARNA. O dono do local aceitou a indenização e foi embora porque já estava com certa idade e decidiu morar mais próximo dos recursos da cidade. Por ali havia um curral abandonado com a estrutura ainda boa e o telhado também. Levantei novamente o meu drone e consegui avistar o Morro do Pinus do lado de Guabiruba-SC e outras casas. Depois guiei o meu drone até a igrejinha do Bepe e a filmei também em cima da ponte sobre o rio Warnow. Penso que o ICMBio deveria aproveitar essas construções para montar ali uma base de fiscalização e de atendimento aos interessados e aos estudiosos. Vi algumas flores de carqueja-doce e árvores com as folhas vermelhas que se destacavam. O guia disse que eram caquis. Várias dessas construções haviam sido saqueadas e era preciso aproveitar o resto que havia sobrado. Continuamos e passamos por lindas pastagens, por outra ponte e paramos num sítio para passarmos por uma porteira, onde havia algumas reses. Vi outro xaxim gigante, passamos pelo último curral e paramos numa casinha de madeira, onde logo depois encontramos o 4×4 que veio nos buscar. Percorremos mais de 20 km naquelas estradinhas de terra, as quais só ficaram boas depois da pontezinha sobre o rio Warnow. Concluímos que as pessoas aventureiras estavam frequentando aquela região vindo somente pelo lado de Apiúna-SC e parece que fazia muito tempo que ninguém vinha do lado de Blumenau-SC, a não ser nós. Apareceu um lindo pôr do sol e aproveitei para registrar também. Percorremos depois todo o lado Norte do PARNA por fora dele, ou seja, pelas rodovias, e antes paramos num posto para lanchar. Chegamos à Blumenau-SC às 20 horas.

Após o café arrumei tudo e sai dali de Blumenau-SC rumo ao Parque Nascentes do Garcia, o qual, como já disse antes, encontra-se dentro do PARNA Serra do Itajaí. Hoje ele estaria aberto para a visitação. Passei por uma pista apertada e depois peguei uma estradinha de terra. Na entrada do Parque tive que deixar o carro ali e continuar a exploração caminhando. Fazia muito frio e fui me esquentando com a caminhada. Vi uma cachoeirinha e uma cobra-cipó comendo um inseto que ficou parada na minha frente me observando. Depois vi o lindo rio Garcia e um teiú bem grande. Continuei caminhando e percebi que nas margens do rio Garcia havia muita variedade de flora. Mais para frente vi várias teias de aranha no mato ainda com o orvalho da manhã. Atravessei o rio Garcia caminhando por dentro dele e vi mais plantas exóticas, algumas pombas e lindas bromélias. Algumas delas estavam com lindas flores. Depois fui rumo às lagoas. Na primeira delas, ou seja, a maior, vi vários aguapés e costelas-de-Adão. Levantei o meu drone e filmei tudo ao redor. Vi muitas plantas interessantes, mas nenhum animal da fauna por ali. Fui na segunda lagoa, a qual estava quase toda coberta de vegetação aquática e depois na terceira e última, onde havia muitas samambaias. Fiz uma boa filmagem com o drone novamente e consegui avistar as três lagoas e o Morro do Sapo logo adiante. Voltei rumo ao rio Garcia novamente, passei por uma Casa de Apoio e segui rumo ao Morro do Sapo. Vi outras samambaias e peguei uma subida bem íngreme e recentemente limpa. Vi outras bromélias e uma flor de casta d’anta ou erva-de-lagarto. Passei pela última placa indicando o caminho para o Morro do Sapo. Encontrei uma grande jaula de ferro armada, enfrentei outra subida e vi outras espécies de bromélias. De repente, vi outro lagarto teiú e uma cutia que estava comendo um araçá. Ouvi umas batidas numa árvore e num buraco no centro dela apareceu um simpático pica-pau-dourado. Continuei a caminhada sozinho passando por alguns morros e grotas e avistei mais bromélias e alguns líquenes. Finalmente fui chegando ao Morro do Sapo e logo alcancei o seu mirante. Por sorte apareceu um casal depois e resolvi ficar com eles ali até o entardecer. Depois voltamos todos juntos na hora da penumbra e ainda bem que tínhamos lanternas. Eu também tinha levado um casaco na minha mochila e isso me ajudou bastante a combater o frio.

Voltando ao passado, conheci as redondezas desse PARNA, onde passei pela primeira vez por uma ponte pênsil para carros sobre o rio Itajaí-açu, em outra ponte pênsil para pedestres, saboreei as conservas artesanais da região e tomei banho em algumas corredeiras e cachoeiras do rio Itajaí-açu. Em outros dias realizei um passeio emocionante de rafting pelo rio Itajaí-açu, sendo que esse rio é um dos melhores lugares do Brasil para esse tipo de esporte, e conheci as grutas de Botuverá-SC.

 

SUGESTÕES:    

O ICMBio poderia transformar a área do Faxinal do Bepe numa boa sede, com acampamentos para os turistas e abrigos para os cientistas e estudiosos, sendo a sua entrada e saída pelo lado de Apiúna-SC. Outro ponto importante é uma maior fiscalização e proibição de veículos motorizados na estrada que cruza o PARNA de Norte a Sul, permitindo só caminhadas e pedaladas.

 

OBSERVAÇÃO:

As informações aqui contidas são meras experiências passadas por mim neste PARNA e em suas redondezas. Portanto, não me responsabilizo pelos riscos e problemas que possam acontecer e nem em garantir que tudo dará certo para propensos visitantes a este PARNA e as suas redondezas. Cabe a cada propenso visitante se responsabilizar pelas suas decisões e atitudes, procurando sempre um comportamento lícito e compatível com o local, com a fauna, com a flora e com as pessoas ali residentes e nativas. Além de que deverá seguir as regras do ICMBio, as regras de segurança e o uso adequado de seus equipamentos durante toda a visitação deste PARNA e de suas redondezas.