PARQUE NACIONAL SERRA GERAL

1ª PARTE

2ª PARTE

3ª PARTE

 

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

 

QUANDO IR: 

Prefira ir naquela época quando as chuvas diminuem e o sol começa a predominar, pois assim as cachoeiras ainda estarão cheias e as trilhas ficarão boas de se caminhar, ou seja, de março a maio.

 

O QUE LEVAR:

Leve meias especiais, esparadrapo e algodão, repelente, protetor solar, boné, óculos de sol, roupas de uso pessoal (prefira as de nylon ou de material leve), um bom GPS com as coordenadas já marcadas, power bank (carregador para aparelhos eletrônicos), lanterna de testa, aparelhos eletrônicos pessoais, barras de cereal, bananas desidratadas, uma ou outra bebida energética, etc.

Leve um Específico Pessoa para amenizar eventuais picadas de animais peçonhentos para as primeiras horas.

Leve também roupas de banho e um casaco para eventuais noites de vento fresco. No inverno é preciso levar casacos mais fortes e robustos e os banhos nas cachoeiras são mais raros.

 

COMO CHEGAR:

Chega-se ao PARNA por vários caminhos. O mais comum é vindo de Florianópolis-SC, passando-se por Praia Grande-SC e subindo a Serra do Faxinal até Cambará do Sul-RS

 

CIDADES DE APOIO:

Tanto Praia Grande-SC quanto Cambará do Sul-RS oferecem boa estrutura para os turistas.

 

ATRAÇÕES:

Assim como o seu vizinho (Aparados da Serra), o PARNA possui várias trilhas, canyons, mirantes, cachoeiras, corredeiras, poços, etc. O forte mesmo são os canyons como o dos Índios Coroados e do Malacara.

 

DICAS:

Procure ir sempre de calça e camisa manga longa de tecidos finos para se proteger do sol e dos mosquitos.

Nunca faça as trilhas sozinho.

Leve muita água para e beber.

Cuidado para não escorregar nos penhascos e nas pedras das cachoeiras.

Não deixe de pegar autorização do ICMBio caso for caminhar sozinho nas trilhas do PARNA.

 

RISCOS:

Raios, ventanias, chuvas, desmoronamentos, deslizamentos, etc.

Onças-pardas, animais peçonhentos e outros animais selvagens.

Acidentes de forma geral, se perder, quedas bruscas, cortes, picadas, mordidas, etc.

 

DIÁRIOS:

Estive por ali também na mesma época que conheci o PARNA vizinho Aparados da Serra. Naquela época conheci o canyon Fortaleza e sua cachoeira, a cachoeira do Tigre Preto e a Pedra do Segredo, onde cheguei a ir até ela, tocando-a e observando-a de perto. Foi uma emoção muito grande ir naquele abismo e tocar naquela pedra milenar que estava apoiada numa base pequena, mas que até hoje em dia não caiu. Muitos anos depois até ouvir falar que uns malucos a haviam derrubado com um macaco de carro, mas ainda bem que era mentira. O PARNA Serra Geral havia sido recém-criado e naquela época era mais fácil criar um novo PARNA do que aumentar o já existente, que no caso, era o Aparados da Serra.

Depois de muitos anos então voltei a esse PARNA com o propósito de conhecê-lo bem melhor desta vez e de colher mais dados (fotos e filmes) sobre o mesmo, além de renova-los. O bom era que agora eu tinha um drone também para fotografar e filmar melhor.

Acordei às 7 horas depois de ter dormido meio mal por causa do frio. A água da torneira da pia estava tão gelada que parecia que vinha de um freezer. Tomei um ótimo café e resolvi ir ao canyon Fortaleza e em suas atrações ali por perto novamente depois de muitos anos como disse antes. O asfalto ia até a guarita do PARNA e depois havia uma estradinha de bloquetes até próximo do estacionamento. Os campos de altitude ou rupestres são muito bonitos. Paguei cento e poucos reais pela entrada e a mesma daria direito de ir aos dois PARNAs (Serra Geral e Aparados da Serra) durante sete dias. Esta era uma das entradas mais caras dos PARNAs brasileiros. Hoje era sábado e havia muitos turistas.

Logo depois caminhei uns 500 m até a borda do canyon Fortaleza e relembrei da sua imensidão e magnitude impactantes. Deu para ver bem o rio da Pedra lá embaixo. Depois voltei e segui pela Trilha dos Tropeiros rumo a um mirante mais alto e com uma visão mais ampla. Vi alguns líquenes que pareciam conchinhas de praia e algumas flores nativas. Vi algumas quaresmeiras também que estavam bem floridas. No caminho passei pela cachoeira Fortaleza com três degraus, onde havia um lindo arco íris. Lá de cima do mirante, quando o tempo estava limpo, como naquele dia, a gente consegue até avistar uma parte de Araranguá-SC e do Balneário Rincão-SC. Levantei o meu drone ali e fiz uma boa filmagem. Outros caras também estavam usando os seus drones por ali também. Uma mulher falou para mim “Obrigado” quando desliguei o meu drone e não entendi o porquê. As pessoas de longe pareciam formiguinhas comparadas com a dimensão do canyon. Depois caminhei até o Terceiro Mirante de onde se tem uma vista mais ampla do vale em frente ao canyon Fortaleza. Lembro-me que quando estive por ali há anos atrás uma neblina apareceu de repente e tampou tudo.

Depois desci o mirante e fui à lanchonete comer um pastel. O PARNA estava com uma ótima estrutura desta vez e penso que assim que deveriam ser os PARNAs brasileiro, onde as pessoas possam curtir a natureza e ter bons recursos de apoio. Um PARNA não pode ser só uma “Reserva”, mas também ser um refúgio para as pessoas das cidades grandes. Segui depois rumo ao estacionamento de onde se parte para ir à cachoeira do Tigre Preto e à Pedra do Segredo. Havia algumas curicacas ali por perto. Vi algumas araucárias e resolvi chegar perto. Por sorte acabei avistando a linda gralha-azul se alimentando de alguns pinhões que estavam no chão. Passei por uma mata de altitude típica dali do Sul do país, ou seja, uma floresta ombrófila mista com árvores retorcidas e baixas, cheias de musgos e de barbas-de-velho, e com algumas araucárias. Por ali chamam esse tipo de mata de Mata Nebulosa porque quase sempre de manhã cedo elas ficam cobertas de neblina. Havia umas plantinhas com as folhas bem pequenas, vi alguns líquenes e novamente aqueles que pareciam conchinhas de praia. Um certo tipo de samambaia que parecia uma bromélia estava também ali presente. Foi preciso atravessar o rio da cachoeira do Tigre Preto por cima das pedras. Creio que o povo dali do Sul tem o costume de chamar as onças-pintadas de tigres, e nesse caso foi uma pantera que foi chamada de tigre preto, porque sabemos com certeza que não existem tigres nas Américas. Após fotografar e filmar bastante a cachoeira do Tigre Preto seguí adiante para admirar o canyon em outro ângulo. Avistei uma outra Pedra do Segredo de longe no paredão do canyon do outro lado, porém, nem tão instável quanto aquela que tinha conhecido.

Vi uma área toda fuçada e esburacada que deduzi ter sido feita por porcos, e já que ali existem javalis oriundos da Europa, fiquei meio receoso e atento. As outras pessoas nem desconfiaram de nada e cheguei a encontrar até as fezes destes animais por ali também. Vi algumas flores típicas da região. Caminhei mais um pouco e cheguei a outro mirante e depois ao lado da Pedra do Segredo. Desta vez o acesso a ela era impossível de se utilizar e ninguém imaginava que num dia eu tinha ido até nela. Levantei o meu drone e a filmei de vários ângulos e fiquei impressionado com a minha coragem e ousadia de ter ido ali naquele abismo há 30 anos atrás para tocar naquela pedra milenar. Lembro-me que naquele mesmo dia eu estava com uma máquina antiga e ao colocar o zoom numa “mancha” clara em algumas pedras distantes, percebi que era um puma deitado. Caramba, que raridade fotografar esse animal de dia! Apesar das fotos terem ficado meio desfocadas por causa da longa distância entre os paredões do canyon Fortaleza, ainda assim deu para ver bem. Esse felino é o único encontrado em todas três Américas e em todos os seus países, exceto nas ilhas do Caribe. É conhecido por vários nomes, como: puma, leão-baio, onça-parda, onça-vermelha, sussuarana, leão-da-montanha e até mesmo pantera-cor-de-rosa.

Já em outro dia parei numa bonita lagoa que a chamei de Lagoa Sossego dentro do PARNA Serra Geral e passei por um lindo córrego com araucárias ao seu redor. Segui pela Estrada da Serra do Faxinal e fui até a entrada do canyon Índios Coroados, onde havia algumas pessoas. Havia uma placa dizendo para ter cuidado com o gado “bravio”, pois parece que aquela área ainda estava sendo indenizada. Vi umas plantinhas pequenas com flores rosadas que pareciam carrapichos, algumas flores, alguns caraguatás-do-banhado e um lindo córrego que fica no caminho da trilha. Caminhei numa área bem bonita com aqueles campos de altitude e logo cheguei ao canyon. O visual por ali também era muito bonito e a cachoeira dos Elfos estava bem na frente. Pena que o sol já estava meio baixo e a mesma ficou meio escura. Esta cachoeira divide-se em vários degraus, sendo que no primeiro dela a água chega a sumir. Foi possível ver com mais clareza e amplitude do vale de Praia Grande-SC e até mesmo um pouco do litoral gaúcho. Vi com mais detalhes os topos dos morros à frente e algumas formações arredondadas. De repente, em minutos, veio uma neblina e começou a tampar tudo. Voltei para o carro e a neblina já tinha alcançado até a entrada para a parte de cima do canyon Malacara. Comecei então a descer a Serra do Faxinal, a qual estava sendo arrumada com camadas de mais de 20 cm de concreto. Uma obra que ficará muito bem feita.

Hoje iríamos conhecer o canyon Malacara por dentro. Acordei às 7 horas, tomei café e depois peguei a Rota dos Tropeiros e entrei no Geossítio do canyon Malacara para me encontrar com o guia e o grupo no início da trilha. Fui o primeiro a chegar e depois apareceu o pessoal. Iniciamos a caminhada às 10 horas e logo percebi que aquele rio Malacara possuía vários canais diferentes que foram criados com tempo devido as fortes enchentes. Havia pedras para todos os lados. Vi algumas bromélias, flores diferentes, embaúbas e palmeiras juçaras com seus frutos, samambaias e etc. O guia explicou sobre a formação daquele canyon que foi oriunda das erupções vulcânicas e que deixaram várias camadas que podiam ser vistas por nós naquele momento. Por ali havia muitas pedras com pintas que foram resultantes destas erupções. Vimos uma aranha carregada de filhotes em suas costas. Começamos a ver vários paredões do canyon. Depois chegamos a alguns poços e algumas cascatinhas com águas cristalinas, mas ninguém quis tomar banho por causa do frio. Já em outros poços e cascatinhas mais a frente levantei o meu drone a 160 m de altura e consegui chegar próximo dos topos do canyon. Num certo trecho foi possível ver uma pedra no paredão do canyon que se assemelhava a cara de um cavalo mal e por isso se originou o nome Malacara que em espanhol significa cara mal, e foi quando os exploradores espanhóis andaram por ali. Porém, foi preciso ter uma imaginação fértil para perceber a cara do cavalo mal. A andança de hoje foi só de uns 4 km e depois de voltar fui almoçar. Pelo fato de já ter pago a diária do hotel resolvi continuar ali hoje e fui até Sombrio-SC num shopping famoso para comprar algumas lembranças. À noite fui à igreja matriz de Praia Grande-SC e as curicacas estavam lá nos telhados novamente prontas para dormir. Por dentro a igreja era muito bonita também, assim como a praça em frente dela onde havia uma maquete dos canyons da região.

 

SUGESTÕES:

Deveriam permitir que a caminhada dentro do canyon Malacara fosse mais para o seu interior ou pelo menos até no paredão do cavalo Malacara. Do mesmo jeito que a sugestão relacionada ao canyon Itaimbezinho, as pessoas poderiam assinar um Termo de Assunção de Risco expedido pelo ICMBio para realizarem tal caminhada por dentro do canyon Malacara.  

Outros trechos desse PARNA, como na área próxima ao quilombo São Roque deveria haver trilhas e outras opções turísticas.

 

OBSERVAÇÃO:

As informações aqui contidas são meras experiências passadas por mim neste PARNA e em suas redondezas. Portanto, não me responsabilizo pelos riscos e problemas que possam acontecer e nem em garantir que tudo dará certo para propensos visitantes a este PARNA e as suas redondezas. Cabe a cada propenso visitante se responsabilizar pelas suas decisões e atitudes, procurando sempre um comportamento lícito e compatível com o local, com a fauna, com a flora e com as pessoas ali residentes e nativas. Além de que deverá seguir as regras do ICMBio, as regras de segurança e o uso adequado de seus equipamentos durante toda a visitação deste PARNA e de suas redondezas.